sábado, 13 de outubro de 2018

Dia dos Professores: Como a Inteligência Emocional pode ajudar a lidar com a Indisciplina Escolar

Nossos primeiros professores são os nossos pais e nossos avós que sabem muito da vida e que estão sempre ali nos mostrando bons caminhos. Depois, quando crescemos um pouquinho nossos pais nos levam para aquele espaço fascinante, diferente e mágico que é a escola, onde lá se encontram os professores que nos ensinam coisas importantes que vão além das fórmulas matemáticas e das regras de português.Eles nos ensinam coisas que são realmente relevantes para a vida inteira e para nós sermos cada vez melhores como pessoas e seres humanos.  
Sem professores a existência das demais profissões ficariam prejudicadas. Esses profissionais dedicam-se diariamente a  construírem um mundo melhor. Dessa forma, nada mais justo que homenageá-los na semana em que se comemora o Dia do Professor, 15 de Outubro. Para isso, convidamos a professora Flávia Teles para ela nos contar por que ela resolveu se tornar professora? Como ela lida com a indisciplina na sala de aula? E na opinião dela qual o grande desafio da educação brasileira, hoje? 

Quem é Flavia Teles?  
Flávia Teles é uma pessoa que passou por grandes transformações. Que cresceu em muitos aspectos de sua vida pessoal/emocional e profissional. É uma pessoa curiosa, pesquisadora, que se conhece muito bem. Que sabe seus pontos fortes e os fracos, os que precisam ser aprimorar cada vez mais. Uma pessoa apaixonada pelo “ser humano “, pelo “outro”. Uma mãe realizada, pois tenho 3 filhos homens lindos, um esposo maravilhoso, amigo companheiro. 

Como foi sua infância e adolescência? 
Minha infância foi marcada por muito amor, carinho. Tive a benção de ter pais presentes, que não negligenciaram a educação (eram profundamente preocupados com isso), com as questões éticas/Morais. Pois queriam que seus filhos fossem cidadãos do bem. Era uma criança muito indagadora, curiosa. Acredito que essas características foram despertadas e desenvolvidas pelo incentivo que eu tive a leitura, que me despertou para um mundo cheio de possibilidades. A minha adolescência, no início, foi de conflitos e indagações, como todo adolescente normal. Tive minhas crises existenciais, de identidade, de busca e foram esses enfrentamentos que me ajudaram hoje na minha vivência (prática pedagógica e de psicoterapeuta) com os adolescentes, nos quais eu trabalho. 
Por que você escolheu fazer pedagogia? 
A minha escolha pôr Pedagogia foi devido ao meu filho mais velho, Rodrigo Teles. Ele nasceu com necessidades especiais. Ele tem Retardo Intelectual ente outras coisas. Sempre teve muitas dificuldades na escola com os professores que não sabiam como iriam alfabetizar umas crianças “cheia de limitações “. Na verdade, alguns dos educadores que o meu filho teve contato, só enxergavam as suas limitações e não o seu potencial de aprendizagem. Então devido a essa necessidade, a vontade de fazer com que o meu filho pudesse se desenvolver, tivesse a oportunidade de aprender a ler e escrever, como qualquer criança normal, foi que eu embarquei na pedagogia e me apaixonei. Pois foi ela que me deu as ferramentas para ajudar o Rodrigo e outras crianças com o sem necessidades especiais. 

E o que te levou a procurar o curso  de Coaching? 
Como eu disse, sou apaixonada por pessoas e pela a mente humana. O Coach surge em minha vida como algo que possibilitaria o desenvolvimento da minha inteligência emocional, que ampliaria a minha visão de mundo. Que me auxiliaria no autoconhecimento, na busca por mim mesma. O Coach me ajudou a me organizar, desenvolver habilidades e descobrir outras, a não só ver, mas enxergar o outro, a não só ouvir, mas escutar, pois há uma enorme diferença entre essas ações. Fui em busca de desenvolvimento emocional/mental e encontrei isso no Coach. E dessa experiência marcante, pude perceber que minha prática pedagógica melhor significativamente e fui atrás de mais conhecimento e comecei a fazer a Psicanálise, Terapia Família, Terapia Cognitiva Comportamental. Todos esses saberes, essas formações, só somaram e multiplicaram. E hoje posso ajudar as pessoas e melhorei a minha prática pedagógica, pois consigo enxergar o meu educando como um ser humano como cheio de medos, dúvidas, indagações, porquês, limitações e uma imensa vontade de crescer em muitas esferas de sua vida. 
Como você lida com a indisciplina na sala de aula? 
A indisciplina tem uma razão para existir, ela não surge do nada. Eu costumo fazer uma investigação, elaborar estratégias, observa, saber como é o ambiente familiar dos meus educandos, quais são os seus valores. A partir dessas informações, elaboro um plano/ação conjunta com os estudantes, pois eles precisam estar inseridos no processo. A conscientização é uma ferramenta eficaz na educação, no processo de ensino aprendizagem. Ninguém é indisciplinado do nada, ninguém se torna um indivíduo revoltado, agressivo da noite para o dia. Há um motivo, e quando se descobre o motivo fica mais fácil resolver a questão da indisciplina. Só que isso dá trabalho e exige dedicação e força de vontade. 

Como você lida com estudantes rebeldes e indisciplinados? 
Como disse anteriormente ninguém se torna um indivíduo indisciplinado, rebelde, agressivo da noite para o dia. Há um motivo, uma razão para agirem dessa forma. Eu geralmente procuro saber sobre o educando em questão, sobre os ambientes qual está inserido, familiar e social. Observo suas atividades, como interage com os seus colegas de classe. Faço um trabalho de conscientização com todos e me aproximo dos que necessitam de uma maior intervenção. O empate é uma das ferramentas mais eficaz nesse processo. 
O educando precisa ser levado a pensar, refletir sobre suas ações/atitudes, precisa ser incentivado a meditar como sua postura poderá atrapalhar seu desenvolvimento acadêmico e emocional. Mas ele precisa sentir que a intenção é de ajudar/auxiliar, para que ele tenha a possibilidade de se desenvolver como uma pessoa de bem. Consciente de seus direitos e deveres. De que é respeitado e compreendido.

Na sua opinião o que um professor nunca deve fazer em sala de aula? 
Nunca deve rotular o educando, humilhar, desprezar, diminuir entre muitas outras ações que destroem o emocional do estudante. Hoje enfrentamos dentro da sala de aula uma diversidade enorme. O professor lida com estudantes com necessidades específicas. 
Muitos dos educadores não estão preparados para essa realidade, seja por não terem equilíbrio emocional, o que chamamos de Inteligência Emocional (muitos enfrentam transtornos psíquicos), ou por não saberem lidar com os educandos que possuem algum transtorno psíquico ou de aprendizagem. 
Por isso que a EMPATIA sempre deverá estar na prática do educador. 

Para você o que é diversidade e como ela afeta o cotidiano de uma escola? E como o coaching pode ajudar a escola a lidar com questões como bullying, racismo, violência escolar?  
A diversidade é a reunião de tudo aquilo que apresenta múltiplos aspectos e que se diferenciam entre si. 
A diversidade ela é um grande desafio para a educação/escola. Ela nos obriga a irmos em busca de novos saberes, de novas metodologias, novas formas de agir e pensar. 
A escola é o ambiente onde a diversidade deveria ser trabalhada com mais responsabilidade, pois é no ambiente escolar que o estudante aprender a conviver em sociedade. Aprende sobre cidadania, direitos e deveres, sobre ética e moral. 
Aprendemos a respeitar as diversas culturais, crenças, etc. 
Os conflitos gerados por não se trabalhar a diversidade e suas abrangências, tem transformado o ambiente escolar em um cenário de violência e de muita intolerância. 
O Coaching auxilia no autoconhecimento. Na busca que o indivíduo faz de si mesmo. De entender as suas emoções, de senti-las, de gerenciá-las. Aprender a resolver conflitos e aceitar os outros como eles são. 
Auxilia no desenvolvimento da empatia, da pro-atividade, da autonomia. Como isso o indivíduo se torna mais organizado. 
Um dos pontos interessantes do Coaching nas crianças e adolescentes é que quando se deparam com todo o potencial acadêmico e emocional que eles possuem, e aprende a lidar com eles, ocorrer o que é o sonho de todo educador, conseguem ser autodidatas. 
Mas, para que isso ocorra, o educador precisa passar pelo mesmo processo, pois só assim poderá auxiliar e orientar seus educandos. 
Na sua opinião qual o grande desafio da educação brasileira?  
Um dos grandes desafios relacionados à garantia da qualidade da educação é o de promover a permanência e a aprendizagem dos alunos nas escolas. São poucas as escolas brasileiras que consegue oferecer uma boa infraestrutura para o ensino, muitas vezes falta quadras de esporte, biblioteca, laboratórios, cantina e outras estruturas que os alunos precisam para ter uma boa educação.  
Os profissionais são desvalorizados, recebem um piso salarial vergonhoso.  
Muitas vezes os professores encontram o desafio de ensinar uma matéria sem o apoio de livros ou materiais didáticos que ajudariam na explicação de uma matéria.Muitas vezes também, os livros usados em muitas escolas contêm erros e pouco conteúdo educacional.  
Entre muitos outros aspectos. 
Como o coaching e a inteligência emocional podem ajudar os professores a lidarem com alunos com deficiência, rebeldes e indisciplinados? 
A Inteligência Emocional, trata-se da capacidade de gerenciar as suas emoções, de senti-las e compreendê-las. 
O coach auxilia o seu coachee nesse processo de desenvolver a Inteligência Emocional. 
Esse processo é o autoconhecimento. Onde o coachee descobre suas crenças limitantes, seu potencial, seus valores que norteia a sua vida, aprender a desenvolver o foco, determinação, aprender a como manter o equilíbrio emocional. 
Descobre o que desencadeia o seu desequilíbrio emocional e como evitar. 
Se torna um indivíduo mais disciplinado, organizado. 
Mas antes de tudo isso, como já disse, a pessoa precisa se conhecer: "Conhece a ti mesmo". 
Para que o educador, que passou pelos processos de coaching, lidar com alunos rebeldes e indisciplinados é muitos mais fácil, pois sua visão sobre o outros foi completamente transformada, aprimorada e ampliada. Ele desenvolveu, durante o processo, uma visão multifocal. Ele busca a causa real e não aparente da rebeldia e indisciplina. 
Ele procura escutar e enxergar seus educandos como seres humanos que necessitam de compreensão e respeito. 
Entendem que se para um adulto já é difícil resolver e lidar com determinados problemas e conflitos, imagine para crianças e adolescentes que não possuem a metade de experiência de vida de um adulto. 
Eles buscam a causa. Eles ensinam aos seus educandos a lidarem com suas emoções. Aprendem a dialogar/conversar/ouvir/orientar. Deixando o mal hábito de rotular, criticar e diminuir. Se tornam amigos, companheiros, pois ensinam aos seus educandos a respeitar, pois são respeitados, a ouvir, porque são ouvidos, a falar, porque podem se expressar. 
Ser educador é um desafio que poucos estão preparados. Pois exige esforço, determinação, dedicação, empatia, e sempre está disposto a nada a segunda milha. 
Mas vivemos em um mundo onde o educador não é valorizado e isso chega se cômico, para não dizer ridículo. Pois somos nós que auxiliamos na educação de todos os profissionais, de todos os indivíduos. 
Que mensagem você deixa para os leitores desse blog? 
A mensagem que eu deixo para todos é a que procurem a excelência emocional para a sua vida. Aprendam a viver com mais leveza. Se descubra. Viva uma história de amor incrível por você mesmo. 
O Coaching ele te ajuda em uma descoberta maravilhosa sobre o eu. Mas para aprofundar essa busca, o recomendado é o auxílio de psicoterapias. 
Aos pais, leem mais sobre como funciona a mente de seus filhos, existem livros maravilhosos que poderão auxiliar nessa descoberta. É inaceitável que um pai e mãe, comprometidos com o processo de desenvolvimento de seus filhos, não tenham ido em busca de conhecimentos que irá ajuda-los na educação de seus rebentos. Não podemos padecer por falta de conhecimentos. 
Professores, meus colegas de profissão. Tenham coragem. O trabalho de vocês é o que mantém a sociedade lúcida, em pé. Mas para que tal efeito ocorra, aconselho vocês a irem em busca de mais conhecimentos sobre a mente humana, sobre o comportamento humano. Nós não só ensinamos a Matemática, o Português, entre outras disciplinas. Nós ensinamos a nos relacionarmos, a vivermos em sociedade, a respeitarmos o outros. 
Eu sei que a luta é muito grande e que, na maioria das vezes, não contamos com o apoio da escola, da família e nem da comunidade. Mas precisamos fazer a nossa parte, temos essa responsabilidade, afinal essas crianças/adolescente e jovens que passam pelas nossas mãos, serão os adultos que irão reger, cuidar do nosso país no futuro. 
E desafios sempre teremos, mas esse é o gostoso da vida. 
Então se permita a ser pleno, inteiro. 
Flávia Teles, muito obrigada por compartilhar sua história e por nos alimentar com a sua mensagem.Quer conversar com ela clique AQUI!E se você gostou comente, curta, compartilhe e me acompanhe nas redes sociais. 
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