terça-feira, 16 de junho de 2015

Conheçam a história da mulher que derrotou o câncer e aprendeu a ouvir e respeitar seu corpo

Atualmente, o dia a dia da administradora e estudante de direito, Jane Rose, natural de Brasília consiste em motivar outras pessoas a, como ela, dar uma guinada na vida em prol da própria saúde e bem-estar. É disso que trata sua página Câncer: do diagnóstico à cura, que ela mantém desde 2013 e já reúne quase cinco mil fãs no Facebook.

Para ela, o câncer é um grito de socorro do seu corpo, que chega pra você e fala:“Aqui dentro tem agentes do bem e do mal, se você só manda forças pros agentes do  mal, o mal vence. Como poderemos te manter com saúde??” Ela também compreendeu que devemos ouvir e respeitar nosso corpo. Quer saber como? Leia a entrevista abaixo.



Fale um pouco da sua doença e como você a descobriu?
Descobri o câncer em outubro de 2013, mas carregava comigo desde o início de 2012, tive um diagnóstico tardio, devido à pressa/preguiça dos médicos especialistas (de clínicas particulares).

Como você reagiu ao receber o diagnóstico?
Foi desesperador, pois eu já carregava aquele tumor há muito tempo, mas os médicos insistiam em dizer que era um cisto benigno.
Era um carocinho do tamanho de uma ervilha, do qual eu tinha que dedilhar muito meu seio pra encontrá-lo, tinha que pegar a mão dos médicos, colocar em cima pra eles sentirem.

Minha intuição feminina gritava dentro de mim, dizendo pra eu não acreditar quando os médicos diziam que não era nada, mas trocava de médico e a opinião era a mesma.

Engravidei de trigêmeos naturalmente, fiquei muito feliz, mas uma semana depois de saber, perdi os três, na época tinha 6 semanas.Nesse período o caroço dobrou de tamanho, mesmo assim, a especialista me disse pra ficar tranquila e me passou um óleo pra eu tomar por três meses, só depois desse período retornar com ela.

Quando retornei o tumor já tinha mais de 5 cm, a médica se desesperou quando viu aquilo, a expressão facial dela era assustadora, então ela me pediu exames, biopsia e me falou que tínhamos que tirar aquilo urgente e que ficaria uma cicatriz horrorosa.

Saí de lá aos prantos e fui providenciar os exames.

Quando o resultado da biópsia saiu, peguei pela internet e fui ao google saber do significado, a primeira palavra que li foi “tumor maligno”.

Meu mundo caiu na mesma hora, naquele instante, eu estava me arrumando pra substituir um amigo da empresa que trabalho, ele queria sair mais cedo pra ir ao sepultamento de outro colega que havia morrido de câncer.

Comecei a chorar desesperadamente, mas tinha que disfarçar, pois minha mãe estava em casa.

Coloquei um óculos escuro pra esconder os olhos vermelhos e ao invés de ir substituir meu amigo, fui direto pro hospital Público, pois era outubro rosa e eu achei que chegando lá, iam imediamente me colocar em uma maca e me tirar aquele monstro no mesmo dia. Eu não tive coragem de procurar a médica que me acompanhava, não sei qual seria minha reação diante de uma imperita, negligente que quase acabou com minha vida.

Mas não foi assim, no hospital não tinha sequer um mastologista, e eu só conseguiria consultar uma semana depois.

Sentei na porta daquele hospital chorando desesperadamente, fiquei esperando o diretor chegar, pois ele havia falado na semana anterior que quem chegasse com o diagnóstico, seria encaminhado imediatamente pro tratamento, não foi o que aconteceu.

E como sua família e amigos lidaram com a notícia?
Minha família entrou em desespero, pois as experiências que tivemos com o câncer, foram traumáticas, de muito sofrimento e morte rápida.

Minha avó e meu tio morreram de câncer nos rins

Como foi seu tratamento?

De início eu não queria fazer tratamento, pois aquela frase que muita gente recebe de consolo, pra mim, significava meu fim.

A frase é: câncer tem cura, se for diagnosticado no início!!!

Então queria apenas esperar a morte chegar, já que o começo daquilo tudo se deu há um ano e meio atrás.

Minha família ficou mais desesperada ainda, então resolvi me tratar por eles, pelo menos eu ia fazer o que pude.

Como ficou sua autoestima?

A pior parte era saber da queda dos cabelos, não conseguia me imaginar careca, era pior do que a hipótese da morte, na verdade, nunca tive medo de morrer, embora ame a vida e não tenha a mínima pressa em partir.

Depois da primeira sessão de quimioterapia, comecei a ter pesadelos todo dia com meu cabelo caindo. Aí eu acordava, passava a mão e eles estavam lá, aí eu respirava aliviada.

Rezava a Deus pra eles não caírem, nessa época eu estava no primeiro semestre da faculdade de Direito e exatamente depois da última prova, fui ao banheiro, os pelos pubianos começaram a despencar, puxei uma mecha dos meus cabelos e a metade veio na minha mão, isso foi em uma quinta-feira, no sábado eu raspei, foi um dia punk, quem se encarregou, foi minha amiga de infância, que sofria junto comigo.

Comprei uma peruca e adotei como meu novo visual, ela tinha a franja dos meus sonhos, era natural e ninguém dizia que era peruca. Em casa eu usava lenços. Raspar a cabeça me trouxe um grande alívio, pois eu tinha medo de lavar e ele cair todo de uma só vez, como acontece com muitas mulheres.



Você tem uma página no facebook, na qual você diz: Mudando seus hábitos você pode vencer o câncer, mesmo metastático. Explique como essas mudanças te ajudaram a vencer o câncer e o que te motivou a criar a página.

Eu passava dia e noite na internet, querendo saber da história de outras pessoas e aquilo me ajudava muito, pois tinham muitas histórias de vitória, mas também, muitas tristes, mas essas eu nem lia.

No mês seguinte ao início do tratamento, descobri as metástases ósseas, foi o pior dia da minha vida, pior que o do diagnóstico, essa palavra metástase é assustadora, eu só lembrava da minha amada avó, que depois de descobrir a metástase, partiu em dois meses.

Comecei a me despedir da vida, olhava as fotos da minha vozinha, do meu tio, das pessoas queridas que se foram e tentava mentalizar meu encontro com elas.

Fui conversar com meu filho que tinha 5 anos sobre a morte das mamães, que todas iriam, mas um dia os filhos também iriam e ia ser muito legal.

Ele se desesperou, me agarrou forte e gritava; não mamãe, a senhora não pode morrer!!! A senhora é especial, eu amo muito a senhora eu vou ficar muito triste se a senhora morrer!!!

Eu nunca imaginei aquela reação, chorei muito e falei que faria tudo que fosse possível pro meu filho me ter por mais tempo, até pedra eu comeria.

Eu queria entender o porquê daquela doença ter acontecido comigo, já que eu sempre fui muito feliz, sempre amei gargalhar e promover gargalhadas, quem me conhece sabe, não me estresso com nada, vivo a vida plenamente.

Descobri tudo.

Nunca respeitei meu corpo no sentido da sua fragilidade, descobri que meu corpo nunca soube o que era nutrição, minha água era refrigerantes, meu alimento eram os industrializados, amava doces, tortas e tudo que era prático.

Em oito anos de casada, não sabia em que lugar do mercado ficavam as verduras, os legumes, as frutas. Eu me limitava a comprar banana, às vezes, maçã e por desencargo de consciência, comprova tomate e alface, que quase sempre iam pro lixo do mesmo jeito que entravam na geladeira.

Eu só sabia de cada marca de lasanha congelada, a mais leve, a mais salgada, entendia bem de toda comida porcaria que você possa imaginar.

Nunca tinha ouvido falar que essas coisas deixam o sangue ácido, e por consequência um ambiente favorável pra toda e qualquer doença.

Nem de longe sonhava em saber sobre um corpo alcalino, capaz de se manter saudável sempre.

Que lição você tirou do câncer?

O câncer é um grito de socorro do seu corpo, que chega pra você e fala:

“Aqui dentro tem agentes do bem e do mal, se você só manda forças pros agentes do  mal, o mal vence. Como poderemos te manter com saúde??”

Meu corpo que praticamente nunca havia sabido o que era a potência da beterraba, da cenoura, do brócolis (esse eu nunca tinha comido), frutas jamais experimentadas antes, passou a ter esses benefícios todos os dias.

Fui fortalecendo meu sistema imunológico com alimentos, fitoterápicos, banhos de sol, caminhadas.

Fazia a quimioterapia agradecendo seus benefícios e pedindo a ela que só agisse no mal que me aflingia, mentalizava as células do mal morrendo, sendo destruídas, mentalizava meu corpo forte e saudável.

E assim foi, não sofri com os malefícios da quimioterapia, me livrei de todas as metástases em pouco tempo, me livrei do câncer.
Antes das sessões precisamos saber como ia o sangue, se a imunidade estivesse baixa, nada de tratamento. Então, toda semana eu recomeçava as estratégias pra ter imunidade alta e terminar logo com tudo aquilo.

Fiz a cirurgia, radioterapia e o próximo passo foi a hormonioterapia, pra mim foi o pior, pois os medicamentos enfraquecem muito os ossos, causando muita dor, tinham efeitos assustadores (no meu caso), eram insônias, depressão, dores e mais dores, eu questionava muito com meu médico, mas ele dizia que eu tinha que tomar, e eu tomava.

Até que um dia eu senti uma forte falta de ar, então percebi que aquela medicação estava me matando aos poucos, resolvi parar, mas repeti todos os exames pra saber da eficácia das tais medicações e pra minha surpresa, meu pressentimento estava certo, no PET apareceu uma pequena lesão no esterno, claro, eu estava enfraquecendo meus ossos com aquela medicação!!

Graças a Deus parei a tempo, agora vou me submeter a mais 20 sessões de radioterapia e sei que vou zerar novamente, pois é uma lesão muito pequena, menos de 1cm, além do mais, voltei a me cuidar como na época em que fazia quimioterapia, já que a gente sempre acaba dando uma relaxada, depois que alcança os objetivos.



Que mensagem você deixa para quem está passando pela mesma experiência que você passou?

A que eu coloquei lá na página:
Mudando seus hábitos você pode vencer o câncer, mesmo metastático.

Participe também! Qual é sua história? O que faz bater seu coração? O que te dá ânimo? Conte para mim, conte para nós…
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