sexta-feira, 3 de julho de 2015

O (im)perfeito no mundo da moda

Já discutimos em outros artigos que a Moda Inclusiva já é um foco de estilistas na Europa e Estados Unidos. No nosso país, esse tipo de trabalho ainda está engatinhando e um dos grandes avanços da moda inclusiva se deu a partir do primeiro Concurso de Moda Inclusiva realizado em abril de 2009.

O concurso tem o propósito de gerar a criatividade e a discussão de um assunto totalmente novo até então. E o mundo da moda brasileiro passou a olhar e foi seduzido nesse concurso estimulando [...] jovens designers a exercerem sua criatividade num campo inédito, instigante e necessário[1].

E uma dessas jovens designers é a carioca Fernanda Nicolini, 32 anos. Ela viu meu post, me adicionou e escreveu a seguinte mensagem vi seu post e curti... luto em todas as minhas coleções desde quando entrei na faculdade a fazer coleções que sejam da moda e para todos [...] ano passado fui selecionada e participei [...] do Moda Inclusiva e este ano estou mandando um novo projeto [...]  
 

 Backstage Foto: Marcelo Sant'Ana Modelo: Rosy Gama 

Então tive a ideia de pedir para ela contar um pouco da trajetória de trabalho e da experiência de ter participado do Concurso de Moda Inclusiva. Com vocês o relato, na íntegra, de Fernanda.

Comecei meu trabalho e estudos em moda depois de alguns anos desenvolvendo figurinos para dança. Hoje, Designer de Moda, penso o quanto minha formação em diversas áreas, unindo diversas paixões contribui para todo e qualquer trabalho que realizo. Passei pela Escola de Belas Artes da UFRJ e pelo curso de  Licenciatura em Dança.

Trabalhei dando aulas para crianças e adultos de todas as idades por mais de doze anos, e aprendi muito sobre o corpo humano e sua motricidade. Quando abri meu próprio espaço em 2007, fui procurada por cadeirantes, deficientes visuais e por pessoas com diferentes problemas motores, queriam dançar.

Então, de forma desafiadora, fui desenvolvendo métodos e técnicas através de jogos lúdicos, sensoriais e muita pesquisa para trabalhar o movimento nos meus alunos mais que especiais, resultando em participações nos espetáculos de encerramento letivo do studio e em premiações em concursos na categoria dança inclusiva. Tudo feito com muito empenho, pesquisa e confiança mútua.

Ao ingressar no curso superior de Design de Moda em 2013 quis levar essa experiência para minha nova paixão e comecei a desenvolver coleções, projetos de lojas físicas, pesquisas de moda e de público; o que me deu uma base incrível para constatar o quanto é restrito e quase inexistente uma moda bacana, com qualidade e estilo para as PcD.

Todos querem estar na moda, ter estilo e estar bem consigo mesmo, direito do consumidor e dever do designer de moda. Foi quando mandei meu projeto para cadeirantes com roupas multifuncionais e informação de moda intensa para meu primeiro concurso e de cara fui finalista convidada a desfilar no 6º Concurso Moda Inclusiva, em São Paulo.

Durante o desfile no Concurso
Ago 2014
Foto: Produção do evento
Modelo: Rosy gama
Mais uma experiência incrível e enriquecedora, onde tive a chance de ouvir direto da fonte os problemas e anseios sobre comprar e vestir de forma inclusiva, além de ter sido um incentivo a ir em frente e ver que era um caminho. A partir disso não parei mais, a pesquisa sobre multifuncionalidade aliada a uma estética contemporânea e ergonomia aplicadas a moda, seguem forte no meu trabalho.

Sigo participando de iniciativas que levem mercado de moda com acessibilidade a todos através de produtos de qualidade, sem caricaturas, comerciais e que despertem desejo. Atualmente o trabalho ainda é apenas para clientes sob medida, mas com projetos de crescimento.


Então é isso, amores! Espero que tenham gostado!
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[1] Auller, Daniela; LOPES, Juliana (Orgs); SANCHES, Gabriela (il). Moda Inclusiva: perguntas e respostas para entender o tema. São Paulo: SEDPcD, 2012. Disponível em: http://modainclusiva.sedpcd.sp.gov.br/pdfs/MODA_INCLUSIVA_4_IDIOMAS.pdf

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