segunda-feira, 13 de julho de 2015

A realidade que nunca contaram a você sobre a Festa de Sant'Ana

Quem é de Caicó sabe: a religião é um fator de vulto na formação do povo caicoense. Conforme José Lucena de Medeiros,

 A Igreja Católica é a base religiosa da região Seridó. Exemplo disto são as festas dos padroeiros e das padroeiras, cultuadas em todos os municípios da região, sendo elas uma das mais importantes do ano em cada município. As mais conhecidas são as Festas de Santa Ana: Currais Novos e Caicó. Com exceção de fevereiro, abril e maio as festas religiosas distribuem-se pelos 12 meses do ano[1]


A Festa de Sant’Ana de Caicó remonta a época da chegada dos colonizadores portugueses sendo classificada como o maior evento sócio-religioso do estado, e é a primeira manifestação do estado a entrar para a lista de "Patrimônio Imaterial do Brasil", vinculado ao IPHAN, órgão do Ministério da Cultura[2].



A festa de Sant’Ana é  um espaço de sociabilidade e de religiosidade, que se penetram mutuamente, ajustando o espaço sagrado ao profano, da fé e da diversão, como também da afirmação de conexões com o sobrenatural e o mundano.

O espaço sagrado é constituído pela chegada dos peregrinos de Sant'Ana à cidade, cavalgada, feirinha, maratona, leilões, novenário e as procissões. Já no espaço profano se destacam  encontros de ex-alunos, feirinha de artesanato - FAMUSE, bailes dos Coroas e do Reencontro, shows noturnos realizados na Ilha de Santana ou nos clubes da cidade.





Mas na Festa de Sant’Ana há um porém, chamado FALTA DE ACESSO.E para qualquer pessoa com alguma dificuldade de locomoção que queira participar de alguns eventos da Festa de Sant’Ana só  resta três alternativas:

a) Não vai;
b) Segura na mão de Sant’Ana e vai;
c) Olha para os lados e reza para um homem com 1,80 m, forte e lindo te pegar no colo.
Mas, venhamos e convenhamos que, se você não estiver casando com o galã o colo não possui nenhum encanto e sim um perrengue, né?!



Ou seja, os caiconses esquecem que pessoas com o carrinho de bebê, idosos, pessoas que estão com uma perna quebrada e pessoas com deficiência também querem participar da festa de Sant’Ana, assim como eu, você e tantos outros turistas e até políticos que vem de Brasília em seus jatinhos e/ou helicópteros.

Eu mesma já passei por alguns perrengues ao ir à Festa de Sant’Ana. Tudo começa na hora de sair de casa, pois como Caicó não possui auto escolas com carros adaptados eu não pude até hoje fazer minhas aulas práticas e consequentemente tirar minha CNH (história para próximos posts), e fico na dependência de caronas ou de táxis.

O próximo perrengue é decidir para que evento eu vou. Geralmente gosto de ir às novenas, à missa da procissão, a FAMUSE. Para quem conhece a Festa de Sant’Ana sabe que as novenas iniciam às 19 horas e em seguida muitas pessoas vão a Ilha de Sant'Ana. 


Entretanto, eu tenho que decidir por um ou outro, pois é impossível sair da Igreja e chegar à Ilha numa cadeira de rodas manual, com as crateras que existem nas ruas e calçadas.

Então há cerca de dois anos atrás fui eu, uma amiga e a filha dela à Ilha de Sant’Ana de táxi e acertamos com o taxista de nos pegar quando ligássemos. Depois da filha de minha amiga ter brincado no parque, demos um giro pela FAMUSE, encontramos um amigo, lanchamos e decidimos ir embora.

Liguei para o taxista e o celular dele só dava desligado. Então liguei para o ponto de táxi e me informaram que não havia nenhum no ponto. Liguei para o celular de alguns taxistas que eu já conhecia, um dos que me atendeu disse que só poderia vim me pegar depois das 03 horas da manhã. 


Aproveitar o show sem camarote acessível e sem apoio dos funcionários da prefeitura, era impossível. Sentar e chorar também não ia adiantar nada, né?! 





Então resolvemos sentar e esperar, foi nesse momento que encontrei a mãe de uma aluna e perguntei se ela não sabia o telefone de um taxista. Ela falou que estava sem o celular dela, mas que tinha vários táxis estacionados próximo à Catedral.



Então minha amiga foi lá onde estavam os taxistas e eu fiquei conversando com a mãe da aluna. Ao chegar lá minha amiga explicou que eu só conseguiria chegar até lá nos braços de um homem com 1,80 m, forte e lindo, porém não achamos nenhum e por isso, era preciso que o taxista fosse me apanhar lá na Ilha.

Dois deles recusaram ir me apanhar, alegando que não queriam pegar o “engarrafamento” na Ilha, então um taxista bem jovem ouviu a conversa e disse que ia me pegar. Graças a ele chegamos sãs e salvas em casa.

Mas, é como estar na Bíblia “Nem só de pão vive o homem!” Também precisamos de acesso para poder rezar e nos divertir como qualquer devoto de Sant'Ana e cidadão.

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[1] MEDEIROS, José Lucena.  Capital Social e Igreja Católica: expressões e práticas no sertão do Seridó. Extraído de: http://repositorio.ufrn.br:8080/jspui/bitstream/123456789/13529/1/JoseLM.pdf

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