quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Robô desenvolvido no IFRN promete levar cadeirantes até o mar

Olá, genteee!!

Dias atrás postei, aqui, a seguinte nota Alunos do IFRN apresentam Projeto que facilita mobilidade de cadeirantes no Caldeirão do Huck. Vou confessar que fiquei bem curiosa e orgulhosa para saber mais informações sobre o projeto.

É importante lembrar que o IFRN se encontra no estado do Rio Grande do Norte, unidade federativa que apresenta cerca de 26% da população com alguma deficiência e possui belas praias. E como sou uma pessoa com deficiência, natural do RN quis saber mais detalhes sobre como funciona o robô que busca “[...] a fácil locomoção em solo arenoso, em especial a areia das praias, dando uma maior independência e levando o cadeirante para próximo do mar”.
Ponto de empréstimos dos veículos
Também estão curiosos para saberem mais sobre o Projeto? Há a pretensão de levar a ideia do robô para a indústria?Essas e outras perguntas fiz aos criadores do  Projeto que além de me explicarem de forma bem didática ainda nos enviou um vídeo sobre o projeto, que postei no facebook.

Quem são os alunos Iago Souza e Maraysa Araújo?

Somos dois jovens da cidade de Natal/RN, local onde nascemos, crescemos e hoje estudamos juntos no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte – Campus Natal Zona Norte, cursando o ensino médio técnico integrado em eletrônica. Tenho 19 anos, a Maraysa 17 anos e já estamos no 4ºano do curso (sendo este o último ano letivo no IFRN).

O que é o Crab e como ele funciona?
     
  O Crab é, ainda, um projeto de um veículo elétrico motorizado e adaptado para o acesso do cadeirante e sua cadeira de rodas que, a partir dos motores e esteiras que formam seu conjunto mecânico, permite a fácil locomoção em solo arenoso, em especial a areia das praias, dando uma maior independência e levando o cadeirante para próximo do mar. Além disso, um conjunto de painéis fotovoltaicos, ou painéis solares, popularmente conhecidos, gera energia elétrica para a carga das baterias e para o seu funcionamento, evitando o uso de combustíveis poluentes. O Crab contará com um controle interno para seu acionamento e diversos sensores para segurança dos banhistas que frequentam as praias, segurança do cadeirante e do próprio veículo.
       A ideia do projeto vai além do próprio carro. A praia, local onde serão utilizados os veículos, contará com um local de empréstimos e acesso dos mesmos.
       Criamos um pequeno protótipo, para obtenção de uma base fundamentadora, e agora o veículo encontra-se em fase de construção. Nas pesquisas desenvolvidas ultimamente estamos levantando toda relação dos materiais necessários para construção do primeiro protótipo em escala real.

Frente (Crab nas devidas proporções)
Como nasceu a ideia do Crab?

       Antes do Crab tínhamos um projeto chamado de Triciclo Solar. Era apenas um triciclo elétrico e motorizado que utilizava a energia solar para acionamento dos seus motores. A princípio era uma boa ideia, já que visava reduzir à utilização dos veículos movidos a combustão, amenizando a emissão de gases poluentes e os engarrafamentos gerados nas grandes cidades.
Porém, queríamos alguma aplicação mais específica, já que veículos como o Triciclo Solar já vinham sendo desenvolvidos. Primeiramente pensamos em ajudar pessoas com dificuldades de locomoção nas orlas das praias, logo nos veio em mente os cadeirantes.
No campus IFRN-ZN, nosso local de ensino, tínhamos um colega cadeirante. Rodrigo Ribeiro é um cara bastante prestativo e aceitou conversar sobre suas dificuldades ao ir à praia. Segundo ele a orla era seu limite, já que sua cadeira atolava na areia devido às rodas finas, que são ideais para sua locomoção nos ambientes comuns (casa, escola, shopping, dentre outros lugares que frequenta). Pensando nisso, pesquisamos com o intuito de sabermos se existiria algum projeto com tal objetivo de acessibilidade nas praias e encontramos. O projeto Praia Para Todos, realizado ultimamente nas praias de Copacabana na Barra da Tijuca/RJ, já na sua 6º edição, conta com uma equipe de colaboradores que buscam realizar um dia diferente para os cadeirantes. Dentre todas as atividades desenvolvidas, o Praia Para Todos permite o banho no mar utilizando as cadeiras anfíbias, uma cadeira com rodas largas que boiam.
Analisando o problema descrito pelo Rodrigo e as ideias de acessibilidades do projeto Praia Para Todos, utilizando as cadeiras anfíbias para levar os cadeirantes até o mar, pensamos no Crab. Um veículo adaptado que permite o acesso do cadeirante junto a sua cadeira, ou seja, sem a necessidade de transferência de uma cadeira para outra, a partir de uma rampa de acesso localizada na parte traseira, e que pode facilmente locomover-se sobre a areia da praia em função das suas esteiras, levando o usuário até a beira mar, onde pode descer do veículo, ou realizar um percurso maior, sendo livre a escolha de destino. Infelizmente o veículo não está sendo projetado para o acesso dentro do mar, já que a força maré poderia provocar acidentes inesperados.    

Trás (mostra rampa de acesso)
Quanto tempo de pesquisa até o Crab surgir?
       O projeto foi fundamentado em agosto de 2014, três meses após a primeira e última apresentação do Triciclo Solar em uma feira de mostra tecnológica, ocorrida em Fortaleza/CE. Na volta para Natal já vínhamos pensando em uma aplicação pro projeto que não teve destaque nas apresentações.

Quem são os professores orientadores João Teixeira e Arthur Salgado e como vocês identificaram que o projeto tinha potencial?
       Os professores Arthur Salgado e João Teixeira são graduados e mestres em engenharia da computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Arthur é professor da área de eletrônica no IFRN campus Natal – Zona Norte e João é professor da área de manutenção de dispositivos de informática no campus Santa Cruz.
       A partir do momento em que fomos aceitos para participar da maior mostra internacional de ciência e tecnologia que acontece no Brasil, a Mostratec, vimos o quanto o projeto tinha potencial. Com as primeiras apresentações vieram os primeiros elogios que, dentre os mais especiais, destacaram-se as palavras dos cadeirantes que foram ao nosso estande. Recebemos o 4º lugar na área em que concorremos e o credenciamento para participação em outras feiras, que assim, abriram novos caminhos. É difícil determinar o momento em que o projeto foi reconhecido como inovação, mas as opiniões daqueles que precisavam e achavam interessante o projeto, foi o passe fundamental para crer e continuar com a pesquisa.

Primeiro protótipo
Como foi o desenvolvimento da pesquisa? Quais as maiores dificuldades enfrentadas?
       O projeto pode ser dividido, basicamente, em duas partes. No que se diz respeito ao âmbito social (aplicação na sociedade) e no âmbito da construção física do projeto (estrutura, circuitos eletrônicos, materiais e etc.). 
       No âmbito social, foi necessária uma maior aproximação com as pessoas que enfrentam o problema, no nosso caso, os cadeirantes. A pesquisa se deu em busca de opiniões e de soluções para certos impasses, como por exemplo, a forma de acesso ao veículo, solucionada a partir da utilização de uma rampa na parte traseira.
       Já no âmbito da construção do veículo, dos circuitos a serem utilizados, do tipo de esteiras e motores; enfim, de tudo que definirá o veículo fisicamente falando, não tivemos tantas dificuldades, afinal mudamos a aplicação, a estrutura, mas a teoria permaneceu a mesma (utilização da energia solar para alimentar motores elétricos). Como somos alunos de eletrônica, só tivemos que aprofundamos em alguns assuntos específicos.
       A maior dificuldade para o desenvolvimento do projeto está sendo a construção do veículo real, pois é necessário um investimento financeiro de porte médio. O que se torna impossível para apenas dois estudantes do ensino médio.

Que materiais foram utilizados para fazer o Crab?
       No pequeno protótipo, utilizamos MDF (um substrato da madeira) para construção da base, alumínio para sustentação dos painéis, painéis fotovoltaicos policristalinos, acrílico, esteiras de plástico e outros componentes que compõe os circuitos eletrônicos.
       Não chegamos a escolher todos os materiais para construção do veículo real, pois alguns terão que passar por testes para durante o desenvolver, mesmo assim alguns já foram definidos, como é o caso da base, que será construída de vibra de vidro, um material leve e resistente; as esteiras de borracha e suas engrenagens de alumínio. Os circuitos eletrônicos serão dimensionados e construídos em função dos motores e baterias adquiridas.

Segundo protótipo
Quais os objetivos de vocês com esse projeto?
       Temos o objetivo de garantir a acessibilidade para todos nas praias de forma independente. Além disso, despertar nas pessoas a vontade em querer se por na situação do próximo e tentar ajudar, muitas vezes com ideias simples.

O que representam para vocês o Crab?
       O Crab representa para nós a possibilidade de contribuir para a formação de um mundo melhor, um mundo sem diferenças, sem preconceito, sem empecilhos e sem limitações. Um mundo em que possamos ir para onde quisermos sem nos preocuparmos com o que iremos encontrar pela frente. Um mundo com muita liberdade.
       O Crab representa para nós, e esperamos que para muitos, a certeza de que a força de vontade em querer ajudar o próximo é o que move o mundo.
       Esperamos que a partir do dele e de outros projetos surjam mais ideias! E que as pessoas as abracem com garra e vejam que por trás de um grande projeto, existe uma grande força de vontade em querer realiza-lo.

E como vocês foram parar no quadro Jovens Inventores do programa Caldeirão do Huck, da Rede Globo?
       Quando participamos da Mostratec 2014 recebemos em nosso estande a produtora de uma empresa de filmes enviada pela TV Globo. Ela fez a filmagem de alguns projetos e, dentre eles, o Crab e mais alguns projetos que eles julgaram interessantes foram selecionados para participar do quadro. A princípio achamos que não seriamos selecionados, mas alguns meses depois veio a notícia. Foi uma grande experiência! Inspirador e motivador para a equipe.

Segundo protótipo (demontado)
Vocês têm a pretensão de levar a ideia do Crab para a indústria?
       Sim! Pretendemos tornar o Crab um produto de mercado, para que possa ser comercializado. A ideia é que sejam disponibilizados para a população a partir de um investimento da prefeitura ou do governo do estado. O que não impede de ser fabricado para aquisição particular.

Quais os planos futuros em relação ao Crab?
       Os planos futuros para o Crab começa pela realização do veículo real e vai muito além. Esperamos poder adapta-lo às mais variadas possibilidades de controle para que todos os cadeirantes possam utiliza-lo, do que tenha sofrido o mais simples problema, mas que o obrigue a usar cadeira de rodas, até os tetraplégicos, a partir do comando pela voz, ou com o auxílio da boca, dentre diversas possibilidades, terão o livre acesso e a livre escolha da onde queira ir.

       A princípio o veículo foi feito para andar na areia e orlas das praias, mas isso também não o impede de ser utilizado em outros ambientes, desde que sejam levados em conta seus limites como veículo.

E aí, querem conhecer melhor o Projeto Crab? Então cliquem na Página de Papo com Claudinha e vejam o vídeo que os alunos mostram como funciona o projeto!

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