sexta-feira, 16 de outubro de 2015

“Afinal ninguém é completamente sadio, só não foi bem examinado.”

Gentee, o título desse post foi dito/escrito por Ana Geórgia Cavalcanti Saraiva Simão, ela tem 34 anos e possui Lúpus desde sempre.E resolveu contar sua história na sessão TUA HISTÓRIA presente  no site Diversidade na Rua.






Assim, como um câncer, um acidente de trânsito, um acidente Vascular Cerebral, o Lúpus... é uma daquelas tantas "pedras"que podem surgir na nossa vida! Então, vejam o que ela fez com essa "pedra". 

Meu nome é Ana Geórgia Cavalcanti Saraiva Simão, tenho 34 anos e Lúpus desde sempre. Nasci no dia 10 de maio, um domingo, dia das mães, Dia Internacional da Conscientização sobre o Lúpus. Fui diagnosticada aos 17, mas sempre apresentei os sintomas, e por causa deles era a café com leite nas brincadeiras, não fazia aula de educação física no colégio, não crescia e não menstruava. Tive um sopro no coração quando bebê, tive anemias, fístula em todos os dentes e frequentes infecções urinárias.
Nunca me importei com a opinião alheia, isso nunca me incomodou e acredito que ajudou a ser a pessoa que sou hoje. Fiz um tratamento com o hormônio premarin (nem sei se existe mais) e, com ele, cresci 17 cm, então menstruei e comecei a apresentar as dores migratórias.
Fui então a um clinico geral de confiança da família, na época eu estava com muita dificuldade para sentar, levantar, andar e para comer.  Estava com muitas ínguas no pescoço, então ele me pediu um exame, o FAN. Deu positivo, o médico disse que eu tinha febre reumática. Dali se passaram dois anos com injeções de benzetacyl aos sábados, emagreci muito, não conseguia ir a faculdade, nem dormir tamanha eram as dores. Fui então levada a um reumatologista, que colocou minha mão em uma bacia de água gelada e em segundos apareceu o Raynaud. Meu cabelo era ralo, minhas articulações com edemas e meu Rash Malar era aparente, eu era bem corada. “
O médico me disse que faria os exames por que era preciso, mas que já tinha a certeza de que eu tinha Lúpus. ”Então me perguntei o que diabos é isso? Depois disso, mudei de médico, estou com a Dra. Sheila Márcia até hoje, ela me explicou o que era lúpus e chorei por três dias, mas foi só, desde então se passaram muitos anos e eu não mais chorei por causa disso. A doutor pediu que eu lesse um clássico da literatura inglesa chamado de “O Médico e o Monstro” e me disse que eu tinha que escolher a partir daquele dia quem eu deixaria crescer dentro de mim, eu ou o Lúpus. Eu me escolhi, já passei por muitas situações difíceis, fiquei internada, fiz pulsoterapias por quatro anos, tomei todos os medicamentos possíveis para que a doença entrasse em remissão, e, finalmente, hoje depois de quase 18 anos consegui parar de tomar corticóide e fazer este lobo cochilar.
Sou casada com o João, meu amor, meu companheiro e super incentivador do blog. Sempre sonhei com a maternidade, o lúpus já me levou dois bebês, mas não perdi a esperança de ouvir alguém gritando mãe traz a toalha…rsrsrs. De tanto parecer forte você é esquecida, as pessoas ao seu redor se acostumam com a sua luta e param de se importar de te mimar, e eu pensei – o que fazer pra não ser esquecida? O que fazer para que as pessoas ao meu redor lembrem que tenho uma luta diária?Resolvi criar o blog e criar um canal de comunicação com a minha família, alternativo, não apelativo, nunca tive a intenção de torná-lo conhecido, minha primeira intenção era a de não ser esquecida, era fazer com que meus amigos e parentes soubesse que não é fácil estar na minha pele. Para que eu não esqueça de você, não se esqueça de mim! Comecei a perceber que me “abrindo” poderia ajudar muitas meninas na mesma situação que eu, e como blog estava crescendo muito resolvi criar a página, uma página sobre lúpus, mas não sobre dor ou sofrimento, uma página sobre superação, uma página que desse carinho e conforto, que as meninas lúpicas como eu tivessem um canto para terem chamego, para serem entendidas, para não serem criticadas ou julgadas.
Minha história ainda não está nem na metade, mas o que eu posso adiantar é que hoje eu não saberia diferenciar a Aninha da Aninha que tem lúpus, somos a mesma coisa a mesma pessoa, muitas dizem para não dizer que tem a doença, pois eu assumo eu a tenho, e como ela é minha eu decido até que ponto pode dominar a minha vida (e quem manda na minha vida sou eu). Eu nunca olho meus exames, nunca me auto medico e nunca paro de me medicar por me julgar boa. Confio em Deus, nos médicos e na minha força, não me deixo abater por isso e nem me sinto menor do que ninguém. “Afinal ninguém é completamente sadio, só não foi bem examinado.”
Se quiser conhecer mais sobre o site Diversidade na Rua, clique Aqui.


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