terça-feira, 20 de outubro de 2015

Moda e intercâmbio numa cadeira de rodas

Michele Simões, é estilista e sempre sonhou em fazer intercâmbios. Mas, em 2006, ela sofreu um acidente de carro que a deixou paraplégica. Entretanto,ela é como eu defensora da teoria o que não mata, nos fortalece. O acidente apesar de tê-la deixado com os movimentos limitados, não matou o seu sonho de estudar fora. O intercâmbio veio e com ele um novo blog... cheio de vida e dicas úteis. 

Por que você escolheu ser estilista?
Sempre adorei tudo que é ligado a arte e criatividade, a moda para mim é mais uma forma de comunicar para o mundo um pouco do que vemos e acreditamos com texturas e cores.

Quando se fala em moda inclusiva, como se encontra o Brasil em relação a outros países?
Acredito que esse é um setor ainda muito pouco explorado, porém já existem projetos bem bacanas e fundamentais para chegarmos a uma moda que nos atenda de maneira completa.



Quais as maiores dificuldades que você enfrentou para fazer seu primeiro intercâmbio?
A falta de referências e informações sobre acessibilidade a partir do ponto de vista de um deficiente; era minha primeira viagem como cadeirante(me tornei cadeirante após um acidente de carro em 2006) e eu estava ansiosa por informações, mas tanto nas agencias como em grande parte dos sites eu não encontrava muita coisa, daí nasceu o Guia do Viajante Cadeirante

Qual sua finalidade ao criar o blog Guia do Viajante Cadeirante?
Motivar os cadeirantes a saírem de casa e perceberem seus próprios limites; durante muito tempo me pautei no que as pessoas achavam que eu poderia ou não realizar, afinal adquirir uma deficiência ao longo da vida te deixa sem chão por um tempo, os costumes e a maneira de se enxergar mudam completamente, e cabe a você definir isso, quando decidi me abrir para o mundo tudo se tornou mais fácil e instigante.

Muitas pessoas entram em contato com você, buscando informações sobre como é viajar sentada numa cadeira de rodas?
Sim, ainda hoje mesmo após 2 anos de blog, percebo essa necessidade através dos e-mails e mensagens que recebo, existem muitos deficientes loucos p viajar e com os mesmos receios que eu tinha, por isso o blog tem publicado histórias de outros deficientes que também já se aventuraram la fora, além disso procuro sempre mostrar atividades que nós podemos realizar aqui mesmo, como por exemplo as matérias sobre o projeto de Vela Adaptada, Tiro, Expedições Inclusivas - Jalapão bem como os lugares com acessibilidade bacana.



Como você avalia a acessibilidade no Brasil após a Copa e com a proximidade das Olímpiadas e Paraolímpiada?
A meu ver ainda temos que caminhar muito para que essa questão seja trabalhada de forma adequada no Brasil, não apenas pelos governantes, mas também na forma como a deficiência é vista no país, criar meios permitiram a independência ao invés de “facilitações” seria um grande começo, a ideia de acessibilidade para mim não se limita apenas as calçadas ou banheiros, mas tudo aquilo que engloba a vivencia de uma deficiência, a começar pelo respeito e conscientização das pessoas.

Qual a situação das agências de turismo no Brasil no tocante ao turismo acessível?
A grande maioria ainda se mantem desinformada ou desinteressada em atender esse setor, porém posso dizer que em minha última viagem a agencia que organizou minha viagem fez uma completa imersão nas minhas necessidades e hoje conta até com um questionário voltado para essas questões, isso me deixou realmente muito feliz e tranquila no momento de viajar!



Que mensagens você deixaria para os nossos leitores, proprietários de agências de turismo, hotéis, estilistas e políticos?
A construção de um mundo melhor se dá nas mudanças diárias que cada um de nós pode realizar, abrir os olhos para o novo e entender as diferenças como uma forma de expansão pode ocasionar melhorias a todos, na minha opinião essa é a principal razão de estarmos aqui, pensar no coletivo nos permite trocar e aprender diferentes maneiras de olhar o mundo.

Obrigada Michelle! Somos nesta vida todos “viajantes” … desbravadores  e exploradores de  novos lugares. Um beijo no seu coração prezada Michelle.

Participe também! Qual é sua história? O que faz bater forte seu coração? O que te dá ânimo? Conte para mim, conte para nós e veja o resultado. Mande um e-mail para claudiacma7@gmail.com com seu nome, idade, estado civil, cidade, que eu vou ler com carinho. Responderei com mais perguntas, se achar preciso e depois, publico aqui, no Blog e nas redes sociais. 

Se quiser conhecer as outras histórias, já publicadas, basta clicarAQUI, nas Entrevistas


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