quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Desejos para 2016

Parece que foi ontem que saudei 2015 e me despedi de 2014, com o coração repleto de dúvidas e interrogações em relação ao novo ano.Não posso negar que minha pior deficiência é a insegurança… Aquele terror de que as coisas não tenham tanto êxito quanto você adoraria, a necessidade de reconhecimento em tudo o que se faz, enfim ser um ser humano não é algo fácil.
Mas, 2015 chegou e me trouxe novas pessoas, novas experiências, outros saberes/poderes. Mas, infelizmente nem tudo são flores e o sonho de obter minha CNH não foi concretizado.
E tanto eu quanto vocês, que acompanham esse blog, sabemos que a ausência da acessibilidade e a falta da inclusão são as razões para esse meu sonho não ter se realizado. Contudo, não trago mágoas no coração e sim o  desejo de que, em 2016, nossos políticos nos ouçam mais, de que  a Justiça compreenda nossas características e necessidades e que o povo brasileiro mude de atitude.

Será que tudo isso se realizará? Prefiro ficar aqui com meu coraçãozinho cheio de dúvidas e interrogações, a cabeça repleta de planos e disposição para arregaçar as mangas e sair lutando em busca de um mundo mais justo.

Um super beijo, fiquem com Deus e obrigada pelo carinho.
*Imagens do Google

Siga também:
Instagram @claudiacma7
Twitter De papo com Cláudinha
Facebook De papo com Cláudinha

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O que precisamos para nos sentirmos bonitas?

Geeente, hoje eu vim apresentar uma garota que é muito descoladada, ela se chama Heloísa Rocha, jornalista, portadora de Osteogênese Imperfeita, com menos de um metro de altura, cadeirante e apaixonada por moda.



Elegância, simpatia e autoconfiança são as principais qualidades que percebemos quando abrimos seu instagran @modaemrodas ou seu perfil no facebook e vemos suas fotos. Curiosos para saber mais sobre  sobre a vida da Heloísa Rocha e o sucesso que ela vem fazendo nas redes sociais? Então, vejam a entrevista abaixo.

Quem é Heloísa Rocha?
Natural de Aracaju (SE), sou portadora de uma doença rara chamada Osteogênese Imperfeita, que tem como principal característica a fragilidade óssea. Bem, trinca e quebra de osso eram uma rotina na minha infância, mas vim de uma família muito esclarecida que, desde cedo, nunca me permitiu que a doença girasse em torno da minha vida, mas sim que fosse sempre apenas uma característica dentre tantas. Enfim, frequentei o colégio regular como qualquer criança, participei das excursões escolares, aos 15 comecei a ir nas primeiras festas e, logo, nos shows. Sempre fiz parte dos mais diferentes grupos de amigos quando não os liderava. Enfim, eu tive uma infância e uma adolescência normal como qualquer menina de classe média, mas que quando tinha uma “trinca” ficava uns dias de repouso. O que na adolescência, essas fraturas se tornaram cada vez mais raras. Depois da graduação, eu senti a necessidade de expandir os meus estudos e decidi cursar uma especialização em São Paulo, pois toda a família dos meus pais reside aqui. Contra todos os meus planos iniciais, eu acabei conseguindo em menos de um ano um emprego na minha área de formação, na qual sou funcionária até hoje.     


Como foi sua infância e adolescência?
Colocando a fragilidade óssea de lado, eu tive a felicidade de ter tido uma infância e uma adolescência relativamente natural. Fui alfabetizada com uma professora particular, mas para que o Ministério da Educação validasse meus estudos eu tinha que realizar as provas em uma instituição de ensino regular. Vale ressaltar que no início dos anos 90 algumas escolas particulares me recusaram alegando que não estavam preparadas para receber um aluno “especial”. Depois de uma certa busca, eu encontrei uma escola que me aceitou. Eles disseram aos meus pais que seria interessante para o meu desenvolvimento social que eu frequentasse as aulas pelo menos uma vez por semana. Para a surpresa de todos, eu tive um entrosamento muito positivo com a classe e em pouco tempo passei a frequentar as aulas normalmente. Exceto este período em minha vida, eu felizmente não tive muito problemas no meu desenvolvimento pessoal, pois sempre vivi cercada de muitos amigos, que, aliás, os tenho até hoje. Se em algum momento ouvia algum comentário preconceituoso ou maldoso na rua sempre abstraí. Nunca levei os olhares ou observações para o pessoal. Por esta razão, o externo nunca interferiu ou abalou o meu interno.   


Por que você escolheu o jornalismo?
Quando estava me inscrevendo para prestar o vestibular, eu escolhi o jornalismo, inicialmente, pelo fato de sempre ter sido uma criança/adolescente muito comunicativa e que tinha muita afinidade com a escrita e a leitura. Além disso, eu enxerguei na área um leque de possibilidades de atuação, pois o profissional pode trabalhar nas mais diversas editorias e meios de comunicação. Assim, eu entendia que, independente da deficiência, algum lugar na profissão eu me encaixaria.
Como você se define jornalista?
Me defino como uma profissional que preza pela qualidade, por tentar escutar os dois lados da notícia e de sempre tentar checar os dados da informação, mas, ao mesmo tempo, de promover no meu universo de trabalho uma relação harmoniosa e amigável.
  
Como o mercado de trabalho a recebeu?
Inicialmente, ainda como estudante universitária, com muita dificuldade, pois os veículos de comunicação recusavam a me dar uma oportunidade por conta da deficiência. Assim, eu iniciei com um estágio voluntário e, graças à minha dedicação inicial, eu consegui me colocar rapidamente no mercado de trabalho. Em São Paulo, já formada, eu enfrentei novamente o preconceito por parte de um banco nacional, mas, felizmente, conheci o meu atual chefe no momento em que a emissora em que eu trabalho há sete anos estava com uma vaga de redatora aberta e, além disso, eles precisavam preencher as cotas para PcDs e eu da vaga. Bem, eu acho que foi o “casamento perfeito”. (risos)
Em algum momento da sua vida sofreu por não se encaixar nos padrões de beleza determinados pela sociedade?
Não! Sinceramente, eu tive uma boa base familiar que me fez, desde bebê, entender minha condição física e minhas limitações. Nunca tive problema de autoestima por conta do meu corpo e sempre utilizei a meu favor dois pontos fortes em mim: a criatividade e o gosto pela moda. Assim, sempre trabalhei para adaptar e “inovar” o meu estilo.


E como você se vê no espelho, hoje?
Me vejo como uma mulher e profissional da minha idade. Como toda mulher, tem dias que acordo me sentindo linda e inspirada e outros em que acordo vendo milhões de defeitos. (gargalhadas) Depois dos 30, eu aprendi a ganhar confiança com a minha pessoa, entender o meu corpo e a minha personalidade. Acho que isso reflete um pouco da maturidade e da experiência que a vida nos dá.


Para você, o que é moda?
Moda é um reflexo da sua pessoa, da sua personalidade e do seu dia. As pessoas precisam entender que não existe um corpo ideal e que ninguém precisa consumir tudo aquilo que a mídia nos vende. Na realidade, é preciso ter o olho crítico de saber qual tendência que combina com a gente e entender que a moda é feita por nós mesmos, mas, assim como tudo na vida, é através dos erros, dos testes e das observações que a gente encontra um equilíbrio, que chamamos de estilo próprio.


Conte-nos sobre seu perfil do Instagram “Moda em Rodas”? Como e quando surgiu a ideia?
O perfil no Instagram (instagram.com/modaemrodas) foi criado no dia 14 de outubro de 2015 e, um mês depois, foi aberta uma página no Facebook (facebook.com/modaemrodas) para aqueles que não conseguiam acessar a rede social. O objetivo é o de compartilhar um pouco das minhas experiências, meus truques e meus achados ‘fashions’ para aqueles que, assim como eu, tem dificuldade de adquirir algumas peças e, especialmente, desconhecem as lojas e as grifes que eu sou cliente. Além disso, eu quero pretendo mostrar aos demais que “se vestir bem” ou “ter um estilo” não depende de corpo, altura e deficiência. Sim, quem sabe, fazer com que as outras aflorem a sua vaidade. 

Quais são as maiores dificuldades que você enfrenta no momento de comprar roupas, calçados e acessórios?
Certamente, eu tenho mais dificuldade quando o assunto é calçado. Meu número é entre 23 a 25, a depender da forma, mas minha idade não condiz com o que o mercado me oferece. Assim, eu recorro a um sapateiro que confecciona meus próprios modelos, especialmente os de salto alto. Infelizmente, a profissão de sapateiro, por conta da indústria, está cada vez mais escassa e trata-se de um trabalho praticamente artesanal e que, para a grande massa, é quase inviável adquirir um par.


Qual sua opinião sobre a moda inclusiva? E por quais motivos ela ainda encontra um espaço tão pequeno apesar de existir hoje cerca de 46 milhões de pessoas com deficiência?
Acho que o mercado da moda inclusiva ainda está engatinhando e, infelizmente, as empresas e as confecções só irão enxergar este público quando a publicidade o fizer. Porém esta realidade está mudando agora, como, por exemplo, o surgimento de uma modelo com Down na última New York Fashion Week. Mas se, pelo menos, as lojas já adequassem seus estabelecimentos para o consumidor com deficiência já seria um avanço. Eu quando eu me refiro a adequação, eu não estou falando apenas das adaptações físicas, mas para começar no atendimento.




Como é a interação com as suas seguidoras?
A princípio está sendo bem positiva. O que mais me surpreendeu foi o fato de ter seguidoras de outros países que, a princípio, não achei que iria conquistar em tão pouco tempo. Por esta razão que eu faço sempre uma legenda em outra língua (inglês e espanhol). Além disso, outro fator que me chamou a atenção foi de que algumas seguidoras, em particular, me confidenciaram que foram vítimas de bullying e, por esta razão, nunca se sentiram atraentes, mas que através do meu perfil perceberam que esta realidade é possível. Por mais que seja apenas um perfil meramente de moda, eu me sinto bem em saber que consegui, por menor que tenha sido, elevar a autoestima de alguém e isto é uma recompensa pessoal que não há dinheiro no mundo que pague.


Quais seus planos para o futuro?
A curto prazo é o de conseguir expandir o perfil no Instagram e a página no Facebook. Assim que eu perceber, no período de um ano, que a proposta deu certo, eu penso em crescer o nome “Moda Em Rodas” em um blog ou um site. Mas isso é um sonho bem mais para frente e, no momento, eu preciso tornar realmente estável aquilo que já iniciei.


Que mensagem você deixa para os leitores e leitoras desse blog?

O amor próprio, inicialmente, vem de nós mesmos e se nós não nos amarmos e não nos aceitarmos com os nossos próprios defeitos, quem irá nos amar?

Obrigada, Heloísa pela oportunidade de poder falar um pouco da sua vida, do seu trabalho e dos seus sonhos.

Participe também! Qual é sua história? O que faz bater forte seu coração? O que te dá ânimo? Conte para mim, conte para nós e veja o resultado. Me adicione no Skype claudiacma7@gmail.com ou me envie um e-mail para claudiacma7@gmail.com com seu nome, idade, estado civil, cidade, que eu vou ler com carinho. Responderei com mais perguntas, se achar preciso e depois, publico aqui, no Blog e nas redes sociais.

Se quiser conhecer outras histórias inspiradoras, já publicadas, basta clicar AQUI, nas Entrevistas

Siga também:
Instagran:@claudiacma7 Twitter:De papo com Claudinha Facebook: De papo com Claudinha
*Fotos de arquivo pessoal

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Compartilhando o encanto do Natal

Geeeente,
O Natal já está chegando e eu só tenho a agradecer por todas as coisas maravilhosas que aconteceram comigo e com o blog nesse ano. Foram tantas novas amizades, tantos textos, tantas trocas de conhecimentos entre nós, tantas entrevistas, conferências e parceiros incríveis para o blog.


Queria poder, na verdade, presentear cada um de vocês neste Natal. Entretanto, a Claudinha anda com o “bolso furado”. Por isso resolvi, por enquanto, apenas agradecer. Agradecer as  inúmeras vezes em que recebi mensagens singelas, mas que me sensibilizaram, e também por me ajudarem com dicas e ideias. Adooooro quando vocês se envolvem de algum modo, cada like e comentário são super valiosos para mim, vocês sabem né?!


Então, para entrarmos no clima, olha que lindo o vídeo onde as pessoas estão convidadas a compartilhar os verdadeiros presentes de Natal, que são o amor, a amizade, a paz, os sorrisos, os abraços,a gratidão, etc.


Fiquem com Deus!
Beijos!
Siga também:
Instagram @claudiacma7
Twitter De papo com Cláudinha
Facebook De papo com Cláudinha

As dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência e carentes do RN, em busca de reabilitação

Gente, eu ainda era uma bebêzinha linda quando minha mãe começou a buscar  tratamentos médicos para mim. Como vocês sabem nasci no interior do RN e os melhores médicos, clínicas e hospitais, ainda hoje, se localizam em grandes centros, daí eu e minha mamy poderosa vivíamos pegando o busão rumo a Natal e Recife.

Felizmente, minha mãe teve condições de procurar, para mim, os melhores médicos e tratamentos de reabilitação. Entretanto, muitas pessoas com deficiência não tem a mesma oportunidade que eu tive; seja por desconhecimento, seja por condições financeiras.  Assim, essas pessoas dificilmente vão compreender que a deficiência é capaz de paralisar algumas partes do corpo, mas jamais impedi-la de viver a vida da melhor forma possível.
Atualmente, existe o [...] Passe Livre [...] um programa do Governo Federal que proporciona a pessoas com deficiência e carentes, gratuidade nas passagens para viajar entre os estados brasileiros. O Passe Livre é um compromisso assumido pelo governo e pelas empresas de transportes coletivos interestadual de passageiros para assegurar o respeito e a dignidade das pessoas com deficiência. Vale destacar que esse é um direito que todos podem e devem defender ainda que não fosse regulamentado por lei. É um direito justo e é legal!

Entretanto, o Passe Livre do Governo Federal não é válido para o transporte urbano ou intermunicipal dentro do mesmo estado. Entretanto, alguns estados como Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Piauí largaram na frente e já conseguiram destinar dois lugares para que as pessoas com deficiência e com o “bolso furado” se locomovam gratuitamente.  
Já o estado do RN já estava próximo da chegada, ou seja,  já estavam prestes a conseguir a gratuitidade no transporte coletivo intermunicipal visando amenizar, de certo modo, os obstáculos de ir e vim impostos pela sociedade às pessoas com deficiência. Como podemos ver no vídeo abaixo.

Entretanto, um dos deputados decidiu na última sessão ordinária no ano, realizada no dia 17/11/2015, pedir que o projeto fosse revisto. Na página do facebook do parlamentar encontramos alguns questionamentos dos cidadãos querendo saber a opinião do Deputado sobre o Projeto de Lei que concede transporte gratuito para Pessoa com deficiência do Estado do Rio Grande do Norte .
O Deputado respondeu que é a favor todavia, destacou que para valer na prática é preciso obter primeiro uma fonte de financiamento. Já o  estudante Daniel Silva fez o seguinte comentário, na página social do deputado:
Penso que essa preocupação deva se responder no decorrer do processo Nobre Deputado, conversando com as pessoas com deficiência e todos os órgãos que tratam a respeito. Não penso que tenha sido algo do interesse da categoria que hoje tenhamos recuado com um pedido de vistas. Temos claro que há muito mais em jogo que isso, e não gostaria de esbarrar nos interesses das empresários dos transportes para que essa lei seja aprovada. Mas infelizmente todas as pessoas com deficiência do RN tiveram um prévio presente vazio de Natal. Espero de fato que isso possa se resolver. Nós pcds do estado, estaremos na luta, ficaremos de olho para que o nosso direito seja garantido, e para apoiar todos aqueles que lutam do nosso lado e também para alertar a todos sobre aqueles que porventura não estejam. Saudações tristes mais Otimistas!
Eu, particularmente fico indignada ao ler a resposta do deputado, pois ele com certeza deve pensar que este tipo de isenção pode provocar um “rombo” nos cofres públicos do RN. Diante dessa dúvida, sugiro para que esse impasse seja resolvido que a metade das mordomias e regalias dos nossos parlamentares sejam revertidas em prol dos "benefícios" das pessoas com deficiência e carentes.
E por fim, não podemos esquecer que [...] o Rio Grande do Norte é o estado do Brasil que mais registrou óbitos por microcefalia no Brasil em 2015. Daí eu deixar o seguinte questionamento: Será que os pais desses bebês que estão nascendo com microcefalia vão poder buscar tratamentos de saúde e reabilitação para seus filhos?
Então é isso, meus amores! O que vocês pensam sobre tudo isso? Deixem seus comentários.

Siga também:
Instagram @claudiacma7
Twitter De papo com Cláudinha
Facebook De papo com Cláudinha

sábado, 19 de dezembro de 2015

Um papo sobre inclusão, tetraplegia e maquiagem com Carlena Weber

Olá gente, tudo bem?
Há alguns dias atrás eu escrevi o post Beleza e Deficiência, uma relação possível? Nesse texto eu falei a respeito de um workshop que seria ministrado por Carlena Weber, o qual achei bastante interessante já que ela ia falar sobre a relação que envolve o mercado de produtos de beleza e pessoas com deficiência.

Carlena perdeu os pais, um primo, uma amiga e ficou tetraplégica (comprometimento nos membros superiores e inferiores), em decorrência de um acidente de carro. Entretanto, apesar de todas essas pedras que apareceram no seu caminho ela resolveu seguir em frente. Quer saber mais sobre Carlena e como surgiu seu livro “ A minha versão da história”, no qual ela conta que caminhos uma mulher que ficou tetraplégica escolheu trilhar  e seguir em frente? Então, vejam a entrevista abaixo.  

Quem é Carlena Weber?
Sempre acho difícil essa “auto definição”, mas vamos lá: sou assistente social, escritora iniciante, namorada, irmã, dona de casa, amiga... uma pessoa disposta a aprender e rever opiniões!  


Por que você escolheu ser assistente social?
Não escolhi, essa escolha foi da minha mãe. Sempre quis fazer psicologia, mas a mensalidade era muito cara e na minha época não tínhamos disponíveis os programas que hoje possibilitam acesso ao meio universitário em situações parecidas. Então, minha mãe disse: “tu gosta de gente, né?? Tudo resolvido, faz Serviço Social porque a mensalidade cabe no nosso bolso...” Mas aos poucos fui entendendo o quanto a escolha dela foi sábia, pois me achei no curso, principalmente depois de ter adquirido uma deficiência, com a cabeça cheia de revolta. O Serviço Social despertou meu senso crítico, me fazendo compreender o contexto social ao qual fazemos parte, bem como suas contradições.

Como é atuar na área de inclusão de pessoas com deficiência com foco no mercado de trabalho?
Não atuo mais nessa área, mas foram dois anos de muito aprendizado. Principalmente porque meu universo de convívio era bem limitado a cadeirantes e essa oportunidade me fez conhecer a realidade de outras deficiências, bem como suas possibilidades para o mercado de trabalho.


Qual sua opinião sobre a Lei de Cotas?
Tenho uma opinião bem simples: ela é necessária!


Na sua opinião, como pós-graduada em Educação Especial, por que ainda hoje as escolas e professores enfrentam dificuldade em receber alunos com deficiência?
Durante muito tempo, escutei: “desculpa, não estamos preparados!”. E agora, com a Lei Brasileira de Inclusão proibindo esse tipo de resposta/atitude, fiquei pensando que ela ainda é dita. Porém, fico me perguntando: Quanto tempo as escolas vão precisar para se adaptar, sendo que alunos com deficiência no ensino regular já é uma pauta bem antiga e legalmente um direito assegurado? Então, acredito que essa nova lei será um respaldo importante para garantir o que já deveria estar ocorrendo. Sem a Lei de Cotas estaríamos hoje com tantas pessoas com deficiência ativas no mercado de trabalho? Sabemos a resposta! Infelizmente, a educação precisou seguir por um caminho bem parecido…


Recentemente você publicou o livro "A minha versão da história", como surgiu a ideia de escrevê-lo e o que o leitor encontrará em suas páginas?
Numa fase “trevas”, logo após adquirir a tetraplegia, eu senti vontade de registrar alguns desabafos. Anos registrando meu cotidiano, conflitos, descobertas, dilemas, dificuldades. Um dia mostrei a uma amiga e ela sugeriu: “isso deveria virar um livro!” e comecei a pensar no assunto, sem muita convicção. Aos poucos ele foi acontecendo. Escrevia, mostrava para alguns amigos, perguntava o que eles achavam da minha forma de escrever, pois sou muito direta e sentia uma certa insegurança nesse sentido. E quando consegui uma editora para começar a pensar em publicá-lo, ele já estava quase pronto, só faltava finalizar. Então, acho que já disse um pouco sobre o que os leitores irão encontrar em A minha versão da história: a metamorfose na vida de uma mulher que ficou tetraplégica com 21 anos e perdeu os pais no mesmo acidente. Mas já aviso que apesar de ser uma história difícil, ela não entra naquela “vibe” apelativa de coitadinha ou de exemplo de superação. Consegui transformar as tragédias em comédias e garanto uma leitura que promove boas reflexões e gargalhadas.


Na sua opinião, porque o mercado da beleza ainda não despertou para os 45 milhões de  pessoas com deficiência?
Ele não contempla 45 milhões de pessoas com deficiência, assim como não representa pessoas negras, gordinhas ou obesas, transexuais, travestis e boa parte das pessoas que não são altas e magras. É um mercado completamente excludente de uma forma geral. Sendo assim, apesar de ser vaidosa e de curtir pra caramba maquiagem, não sou escrava desses padrões estipulados, isso me ajuda a ser livre e a encarar a vida de uma forma mais leve.


Recentemente a vlogueira Jordan Bone, que faz vídeos com tutoriais de maquiagem para o Youtube chocou seus fãs ao divulgar que é tetraplégica. Você também tem um vídeo no youtube, que  mostra as adaptações especiais (órteses) utilizadas na hora de se maquiar. Em algum momento, já pensou em ter um blog com o objetivo de dar dicas de beleza a outras meninas com deficiência?
Não tenho conhecimento suficiente para atuar nessa área. Sei me maquiar, mas não saberia indicar, por exemplo, cor certa de base para cada tipo de pele. Tenho pensado muito em fazer algo para o Youtube e acho que isso vai acontecer em breve, mas como ainda é uma ideia sendo amadurecida e pensada em parceria com uma amiga, só posso adiantar que vem muita informação por aí!

E aí, o que acharam dessa versão da história de Carlena? Gostaram?! Então, entrem em contato direto com ela através do Facebook, Instagran ou email:  carlenaweber@hotmail.com
Já em relação, ao livro custa R$ 35,00 reais e a autora envia para todo Brasil autografado com carinho. Frete super camarada! Ele também está disponível na Livraria Cultura (física e site). E aí, é ou não é, um ótimo presente de Natal?!


Se quiser conhecer outras histórias inspiradoras, já publicadas, basta clicar AQUI, nas Entrevistas

Siga também:
Instagram @claudiacma7
Twitter De papo com Cláudinha
Facebook De papo com Cláudinha


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Dicas de presentes de Natal para um amigo com deficiência ou mobilidade reduzida

Gente, as festas de fim de ano estão chegando, para mim, este é um período lindo, pois é quando enfeitamos nossa casa com guirlandas, papai noel e árvore de Natal com bolinhas douradas e pisca pisca. É também nesse momento que desejamos saúde e paz até o próximo ano e nos reunimos com nossos familiares  e melhores amigos em torno de uma mesa com pernil assado, leitão, frango e várias saladas e por fim, realizamos a clássica brincadeira de “Amigo Secreto”.

E se seu “Amigo Secreto” for uma Pessoa com Deficiência, você sabe o que oferecer? Não! Pensando nisso resolvi  fazer um post com dicas de presentes de Natal para Pessoas com Deficiência e que servem tanto para este período do ano como para qualquer outro. Nós amamos receber presentes, tanto quanto todas as outras pessoas, então veja as sugestões abaixo:
Roupas Adaptadas
Se seu “Amigo Secreto” for cadeirante o ideal  é presenteá-lo com roupas elegantes e fácil de vestir.



Itens para ajudar pessoas com alguma limitação a executar tarefas cotidianas.
Presentes que proporcionarão maior independência como:
tábua de transferência; pode ser utilizada para entrar e sair do carro,  passar para a cama,  cadeira de banho, vaso sanitário.
porta copos; ideal para acoplar em andador, cadeiras de rodas, camas.

engrossadores; ideal para quem possui pouca motricidade fina. 


calçador de meias; ótimo para pessoas obesas, idosas e com pouca mobilidade

Brinquedos adaptados
Para as crianças com deficiência, brinquedos adaptados é uma ótima pedida. Conforme o site http://assistiva.mct.gov.br/muitos fabricantes apresentam várias alternativas como:
Dominó de Textura - E.V.A; Estimula percepção e discriminação tátil, conceitos igual/diferente, raciocinio, memória, linguagem; socialização, atividades lúdicas para inclusão.
Boneco Braillin; Boneco com diferentes texturas e célula Braille, para favorecer atividades e experiências que permitam o desenvolvimento educativo, afetivo e social de crianças com necessidades educativas especiais por deficiência da visão. Contribui para a familiarização com o alfabeto Braille e aprender também o esquema do corpo, as noções espaciais, a configuração e estrutura da roupa e pequenas tarefas como pentear e atar os sapatos.

Caixa Tátil; Caixa com texturas diferentes em peças para atividades lúdicas inclusivas.
Livros
Sugiro livros escritos por pessoas com deficiência ou por pais de crianças com deficiência, para uma pessoa que recebeu a pouco tempo a noticia que seu filho tem autismo, paralisia cerebral, mielomeningocele, hidrocefalia, microcefalia ou para uma pessoa que sofreu um acidente e ficou paraplégica ou tetraplégica. Com certeza, esse tipo de presente será bastante útil nesse momento.


Maquiagem
Base com protetor solar; gosto da racco;



2)Estojo de Maquiagem Natura Faces; prático, leve e super compacto.Ótimo para quem precisa carregar produtos de beleza na bolsa. Possui 7,5 g, cabe na palma da mão, e possui três andares, sendo dois compostos por sombras nas cores preto, chumbo, azul,  cores rosa, rosa claro e pérola e por fim, um blush compacto rosa escuro e um rosa claro para iluminar.

3) Rímel, delineador e batom;




Bijuterias e jóias
Para nos sentirmos mais femininas



Enfim, seja um dos presentes acima ou outro, pode acreditar a pessoa vai amar receber. Pois, o que importa mesmo é o amor dos amigos, da família e as boas risadas juntos. Acredite!


Então é isso, meus amores! Espero que tenham gostado das sugestões.Um SUPER beijo da Claudinha e fiquem com Deus.


Siga também:
Instagram @claudiacma7
Twitter De papo com Cláudinha
Facebook De papo com Cláudinha