terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Caicó, uma cidade, “mal acabada”


Gente, a exemplo, do jornalista Jairo Marques que se emociona ao se deparar com "[...] um trecho novo das surradas calçadas [...] de São Paulo sendo reformado, ganhando guias rebaixadas, honestas que permitem a travessia segura de crianças, mães empurrando carrinhos de bebês, velhos e, obviamente, o povo com o esqueleto prejudicado [...]" também tenho que contar para vocês que me alegro a cada vez que vejo as elevadas e esburacadas calçadas daqui de Caicó sendo melhoradas.



Digo isso porque, como se fala aqui em Caicó já “entropiquei” e deslizei muito  com as minhas coleguinhas (entenda aqui minhas muletas e cadeira de rodas) pelas minhas idas e vindas em Caicó, que amanhã, (16/11/2015), faz 147 anos, que foi elevada a condição de cidade.


Já contei aqui algumas das aventuras e desventuras que enfrentei para tirar minha Carteira de Motorista, ir a uma agência bancária e  frequentar a festa de  Sant’Ana. Sem falar que entre uma carona e outra, entre um espinho e outro que furam os pneus da minha cadeira, e dos meus pés na falta da carona e da cadeira, vou todos os dias chegando à escola que trabalho com a ajuda da minha mãe e das muletas.


Não posso negar que a maior cidade do Seridó possui um povo solidário, alegre, encantador e resistente ao calor, a falta d’água e a tantas outras coisas. E, por fim, ser caicoense é ser primo do menino Jesus afinal de contas, também somos netos de Sant’Ana.


Mas os caicoenses, a exemplo de muitos paulistanos, também são cara de pau, pois fingem não ouvirem os gritos de pedido para que algo se transforme e para que um bloco de pessoas com suas muletas, cadeiras de rodas, bengalas, aparelhos auditivos possam curtir as bandas Avião do Forró, Garota Safada, Chico César;o Carnaval; e transitar pelo Mercado Público, pela Ilha de Sant’Ana e pelos restaurantes e barzinhos, que servem maravilhosos pratos de galinha caipira, bifé à parmegiana, feijão verde, arroz de leite, carne de sol, pirão de queijo e para adoçar filós com mel.


Portanto, como lembra Jairo Marques, é maravilhoso quando encontramos alguma atitude em prol da inclusão. E quando isso acontece na cidade da fé, da alegria e da carne de Sol e do queijo é simplesmente esplêndido, quando um barzinho ou restaurante que ganharam um banheiro adaptado, ou uma igreja que edificou uma rampa para receber todos os filhos de Deus.



Vou confessar que durante muito tempo sonhei em deixar essa cidade “mal acabada”; marcada por uma arquitetura mal preservada, pelo seu crescimento desorganizado, por uma falta de segurança e pela insensatez de muitas pessoas. Concretizei esse sonho em 2011, quando fui morar em Natal, mas vou confessar que sentia falta do papo com os vizinhos, ao final da tarde, do barzinho da praça e das maravilhosas iguarias que eles servem.
Enfim, Caicó é hoje uma cidade “mal acabada”, mas tenho fé que ela um dia se tornará um espaço que todos os caicoenses terão seus direitos respeitados!
Post inspirado no texto “São Paulo ‘mal-acabada’, de Jairo Marques. 
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