sábado, 19 de dezembro de 2015

Um papo sobre inclusão, tetraplegia e maquiagem com Carlena Weber

Olá gente, tudo bem?
Há alguns dias atrás eu escrevi o post Beleza e Deficiência, uma relação possível? Nesse texto eu falei a respeito de um workshop que seria ministrado por Carlena Weber, o qual achei bastante interessante já que ela ia falar sobre a relação que envolve o mercado de produtos de beleza e pessoas com deficiência.

Carlena perdeu os pais, um primo, uma amiga e ficou tetraplégica (comprometimento nos membros superiores e inferiores), em decorrência de um acidente de carro. Entretanto, apesar de todas essas pedras que apareceram no seu caminho ela resolveu seguir em frente. Quer saber mais sobre Carlena e como surgiu seu livro “ A minha versão da história”, no qual ela conta que caminhos uma mulher que ficou tetraplégica escolheu trilhar  e seguir em frente? Então, vejam a entrevista abaixo.  

Quem é Carlena Weber?
Sempre acho difícil essa “auto definição”, mas vamos lá: sou assistente social, escritora iniciante, namorada, irmã, dona de casa, amiga... uma pessoa disposta a aprender e rever opiniões!  


Por que você escolheu ser assistente social?
Não escolhi, essa escolha foi da minha mãe. Sempre quis fazer psicologia, mas a mensalidade era muito cara e na minha época não tínhamos disponíveis os programas que hoje possibilitam acesso ao meio universitário em situações parecidas. Então, minha mãe disse: “tu gosta de gente, né?? Tudo resolvido, faz Serviço Social porque a mensalidade cabe no nosso bolso...” Mas aos poucos fui entendendo o quanto a escolha dela foi sábia, pois me achei no curso, principalmente depois de ter adquirido uma deficiência, com a cabeça cheia de revolta. O Serviço Social despertou meu senso crítico, me fazendo compreender o contexto social ao qual fazemos parte, bem como suas contradições.

Como é atuar na área de inclusão de pessoas com deficiência com foco no mercado de trabalho?
Não atuo mais nessa área, mas foram dois anos de muito aprendizado. Principalmente porque meu universo de convívio era bem limitado a cadeirantes e essa oportunidade me fez conhecer a realidade de outras deficiências, bem como suas possibilidades para o mercado de trabalho.


Qual sua opinião sobre a Lei de Cotas?
Tenho uma opinião bem simples: ela é necessária!


Na sua opinião, como pós-graduada em Educação Especial, por que ainda hoje as escolas e professores enfrentam dificuldade em receber alunos com deficiência?
Durante muito tempo, escutei: “desculpa, não estamos preparados!”. E agora, com a Lei Brasileira de Inclusão proibindo esse tipo de resposta/atitude, fiquei pensando que ela ainda é dita. Porém, fico me perguntando: Quanto tempo as escolas vão precisar para se adaptar, sendo que alunos com deficiência no ensino regular já é uma pauta bem antiga e legalmente um direito assegurado? Então, acredito que essa nova lei será um respaldo importante para garantir o que já deveria estar ocorrendo. Sem a Lei de Cotas estaríamos hoje com tantas pessoas com deficiência ativas no mercado de trabalho? Sabemos a resposta! Infelizmente, a educação precisou seguir por um caminho bem parecido…


Recentemente você publicou o livro "A minha versão da história", como surgiu a ideia de escrevê-lo e o que o leitor encontrará em suas páginas?
Numa fase “trevas”, logo após adquirir a tetraplegia, eu senti vontade de registrar alguns desabafos. Anos registrando meu cotidiano, conflitos, descobertas, dilemas, dificuldades. Um dia mostrei a uma amiga e ela sugeriu: “isso deveria virar um livro!” e comecei a pensar no assunto, sem muita convicção. Aos poucos ele foi acontecendo. Escrevia, mostrava para alguns amigos, perguntava o que eles achavam da minha forma de escrever, pois sou muito direta e sentia uma certa insegurança nesse sentido. E quando consegui uma editora para começar a pensar em publicá-lo, ele já estava quase pronto, só faltava finalizar. Então, acho que já disse um pouco sobre o que os leitores irão encontrar em A minha versão da história: a metamorfose na vida de uma mulher que ficou tetraplégica com 21 anos e perdeu os pais no mesmo acidente. Mas já aviso que apesar de ser uma história difícil, ela não entra naquela “vibe” apelativa de coitadinha ou de exemplo de superação. Consegui transformar as tragédias em comédias e garanto uma leitura que promove boas reflexões e gargalhadas.


Na sua opinião, porque o mercado da beleza ainda não despertou para os 45 milhões de  pessoas com deficiência?
Ele não contempla 45 milhões de pessoas com deficiência, assim como não representa pessoas negras, gordinhas ou obesas, transexuais, travestis e boa parte das pessoas que não são altas e magras. É um mercado completamente excludente de uma forma geral. Sendo assim, apesar de ser vaidosa e de curtir pra caramba maquiagem, não sou escrava desses padrões estipulados, isso me ajuda a ser livre e a encarar a vida de uma forma mais leve.


Recentemente a vlogueira Jordan Bone, que faz vídeos com tutoriais de maquiagem para o Youtube chocou seus fãs ao divulgar que é tetraplégica. Você também tem um vídeo no youtube, que  mostra as adaptações especiais (órteses) utilizadas na hora de se maquiar. Em algum momento, já pensou em ter um blog com o objetivo de dar dicas de beleza a outras meninas com deficiência?
Não tenho conhecimento suficiente para atuar nessa área. Sei me maquiar, mas não saberia indicar, por exemplo, cor certa de base para cada tipo de pele. Tenho pensado muito em fazer algo para o Youtube e acho que isso vai acontecer em breve, mas como ainda é uma ideia sendo amadurecida e pensada em parceria com uma amiga, só posso adiantar que vem muita informação por aí!

E aí, o que acharam dessa versão da história de Carlena? Gostaram?! Então, entrem em contato direto com ela através do Facebook, Instagran ou email:  carlenaweber@hotmail.com
Já em relação, ao livro custa R$ 35,00 reais e a autora envia para todo Brasil autografado com carinho. Frete super camarada! Ele também está disponível na Livraria Cultura (física e site). E aí, é ou não é, um ótimo presente de Natal?!


Se quiser conhecer outras histórias inspiradoras, já publicadas, basta clicar AQUI, nas Entrevistas

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