sexta-feira, 11 de março de 2016

Conheça a história de Juliana, uma sobrevivente do AVC, e seu trabalho nas redes sociais

Hoje com o acesso fácil a internet a maioria das pessoas tem acesso mais fácil a vários tipos de  informações. Entre elas sobre educação, lazer, cultura e saúde. Segundo Ana Leite, nenhuma informação sobre saúde presente na Internet “[...] substitui a avaliação, prescrição e acompanhamento de um profissional. Temos que ter sim cuidado com as fontes, mas também temos que usar sim sites e blogs que trazem informações e se transformam em incentivos para tantas pessoas que pessoas que passam por situações semelhantes”. 


Além dos sites temos hoje, outras redes sociais como Facebook, Instagran, que também nos trazem informações valiosas como é o caso da página juliananovo_acessibilidade, criado por Juliana, uma advogada, que teve um acidente vascular cerebral (AVC), há 06 anos atrás, ficando sem mexer “[...] nenhuma parte do corpo, apenas piscava o olho (era como eu me comunicava – uma piscada significava sim e duas não)”.Curiosos para saber mais sobre  sobre a vida da Juliana e o sucesso que ela vem fazendo nas redes sociais? Então, vejam a entrevista abaixo.

Qual seu nome? Idade? Onde nasceu ? Profissão?
Meu nome é Juliana, tenho 31 anos, sou aqui da cidade de São Paulo e sou advogada. Trabalhava no departamento jurídico de um grande banco, mas, no momento, não estou exercendo a profissão para me dedicar somente à minha reabilitação.
Como era sua vida antes do AVC?
Tive o AVC muito jovem, tinha só 25 anos e estava criando minha independência. Estudava, trabalhava, tinha uma rotina bem corrida. Na época eu namorava, ia à praia com frequência , saía muito com meus amigos, estava sempre fazendo muitas coisas e, de repente, minha vida mudou. Me vi impossibilitada de sair de casa e realizar atividades corriqueiras. Nem sentada eu conseguia ficar... Não comia, usava sonda gástrica, traqueostomia, mexia só os olhos, usava fraldas, respirador....

Como foi o dia que você teve o AVC?
Era um dia comum. Uma quarta-feira, depois do almoço. Foi uma situação repentina e não tive nenhuma pista de que um AVC estava por vir. Fui almoçar, voltei para o trabalho e, de repente, estava sentada em frente ao computador quando, sem esperar, senti uma dor de cabeça muito forte. Comecei a ficar tonta e enxergar pontinhos, como numa crise de enxaqueca. Então uma colega foi pegar um remédio, mas logo levantei para ir ao banheiro, pois estava muito enjoada. Lá desmaiei, fui socorrida e levada em seguida por uma ambulância para um hospital. Acordei só um mês depois.
Fazia exames de rotina sempre, então sabia que estava tudo certo comigo. Depois do AVC os médicos investigaram bastante e chegaram à conclusão de que, provavelmente, foi causado pelo uso de pílula anticoncepcional.

O que você sentiu e pensou quando soube que tinha sofrido um AVC ?
Não tive um momento de choque ao saber do AVC. Fiquei em coma por um mês e, quando acordei, estava tão debilitada que não conseguia ter nenhuma reação de tristeza ou revolta. Não mexia nenhuma parte do corpo, apenas piscava o olho (era como eu me comunicava – uma piscada significava sim e duas não). Tinha consciência de que uma coisa muito grave tinha acontecido, mas soube aos poucos que tinha tido um AVC.


Foi difícil o processo de recuperação? Qual o papel da sua família e amigos durante esse processo?
Posso dizer que ainda estou em recuperação. Apesar de já fazer 5 anos, ainda faço muita fisioterapia, terapia ocupacional , fono e apresento muitas melhoras. Todos à minha volta tiveram e tem muita importância nesse processo. Ainda moro com meus pais e, aqui em casa, sempre tive todo suporte necessário para a minha recuperação. Após ter alta do hospital, durante oito meses, fui atendida em casa por um “ homecare”, pois precisava de cuidados permanentes e especializados.

Todos se comoveram muito com meu caso, tive muito apoio da família e de amigos. Nesse ponto, aconteceram coisas bem legais. Amigos que haviam se afastado voltaram e até hoje permanecem ao meu lado. A maior parte das pessoas aceitou muito bem minha nova situação e me ajudou bastante. Durante muito tempo meus amigos vinham me visitar em casa (por volta de 6 meses ainda não podia sair) e depois, foram me encorajando e auxiliando a voltar a fazer as coisas (ir ao cinema, sair para jantar, viajar). Hoje em dia, sou noiva de uma pessoa que entende e aceita muito bem as minhas limitações.
Teve alguma coisa que você se agarrou e que foi essencial para sua recuperação?
Então.... Quase morri e médicos falaram que fui um milagre, pois além de viva, meu cognitivo estava preservado. Quando uma coisa dessas acontece fica praticamente impossível não se apegar a Deus né?
Além disso, me foquei muito na minha reabilitação, pois via resultados. Me dediquei com muito empenho na fisioterapia. Fazia e conseguia perceber muitas melhoras. Posso dizer que tinha na cabeça a meta de me recuperar o máximo possível que eu conseguisse.

O que mudou na sua vida após o AVC?
Nossa.... É até difícil falar....muita coisa mudou! A minha percepção do mundo é diferente agora. Consigo enxergar o quanto nossa vida é frágil e que em apenas um segundo a situação pode mudar completamente. Antes só via as coisas acontecendo com as outras pessoas e aí quando acontece com você é diferente! O que também mudou muito foi a minha relação com a deficiência... reparava muito pouco nessa questão. Os deficientes estão em todo lugar, mas não observava tanto.
Agora vejo mais pessoas que passam por problemas parecidos e gosto muito da convivência com elas.

O que te motivou a criar a página no Facebook e o Instagram juliananovo_acessibilidade?
Depois de tudo, surgiu em mim uma vontade muito grande de lidar com questões de inclusão e de lutar por isso. Também, quando tive o AVC, eu e minha família ficamos muito perdidos. Há uma dificuldade imensa em conseguir informações, opiniões, dicas de quem já passou por isso. O juliananovo_acessibilidade é uma forma de começar a abordar essas questões e ajudar quem está passando por situações semelhantes.


Quais seus planos para o futuro?
No começo eu queria que minha vida voltasse a ser exatamente como era antes do AVC, mas agora esse deixou de ser meu grande desejo. Quero me recuperar, na medida do possível, o suficiente para conseguir ter independência (cada dia sinto que estou mais próxima disso) para poder viajar sozinha, dirigir de novo, casar, ter filhos, etc.
Como sou formada em direito, penso muito em unir essa área e a acessibilidade. Há muito a ser feito e tenho certeza que posso ajudar, seja exigindo novas leis, seja obrigando o cumprimento das normas, etc
Que mensagem você deixa para os leitores desse blog?
Nesses 5 anos, depois de muita terapia kkkk, aprendi que temos que ser otimistas e nos assumir como somos, sem medos ou vergonhas. A partir do momento que aceitamos nossos problemas, fica mais fácil os outros respeitarem. Vão olhar mesmo....e daí??? Deixa olhar!
Não deixem de sair de casa por isso.
Minha dica é: saiam, namorem, viajem, tenham amigos, não tenham vergonha de ser quem vocês são.
Obrigada, Juliana pela oportunidade de poder falar um pouco da sua vida, do seu trabalho e dos seus sonhos.

E aí gostou desse post? Então compartilhe, deixe seu comentário e não esqueçam de  me acompanhar no Instagran e Facebook.

Nenhum comentário:

Postar um comentário