sábado, 30 de abril de 2016

Sorriso: Cartão de visita do Grupo Viver em Igualdade

Gente, a Caroline Marques é dessas que não sabe ficar quieta.Na entrevista A vida é um show, diz Miss Cadeirante ela nos falou que faz  vários trabalhos com a agência: desfiles, editoriais de moda, revistas, jornais, programas tv, editorial internacional [com] vários trabalhos sociais, presença vip em muitos eventos, entrevistas [...]


E recentemente tomei conhecimento que ela criou um Grupo chamado Viver em Igualdade. Então, pedi que ela nos falasse melhor dele e vejam o que ela nos falou:

O Grupo Viver em Igualdade, foi criado no dia em que fui passear com minha filha de quatro patas, e não consegui,  devido a falta de acessibilidade . Fiquei muito chateada e inconformada com a situação, resolvi criar o Grupo com o intuito de lutar pelos diretos das pessoas com deficiência , pelo cumprimento das leis, pela inclusão na sociedade, ajudar ao próximo e lutar contra os maus tratos aos animais.





Fiquei muito contente pois vários voluntários foram  entrando em contato comigo querendo participar do Grupo e doar o seu trabalho. A cada dia que passa o Grupo vai crescendo.



O Grupo já fez várias ações nas comunidades, levando palestras, informações jurídicas, cabeleireiro, manicure, psicóloga, médicos, personal trainer, doações de roupas e brinquedos... Aulas de exercícios físicos inclusivo e a dança inclusiva. Sempre mostrando a importância da inclusão da pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida. A alegria de estarmos todos juntos e fazendo as mesmas atividades não tem explicação.




O Grupo também faz feira de doação de cães e gatos.

É maravilhosa essa feira, pois encontramos uma família para cada animalzinho que precisa de um lar e amor.

Os animais adotados demonstram uma gratidão imensa pelas pessoas que os adotam, é muito gratificante esse trabalho.
Sem falar que amor é amor em qualquer circunstância, independentemente se o pêlo é longo ou curto... Seu cachorro vai abanar o rabo enlouquecidamente quando você chegar em casa, vai amá-lo e protegê-lo sempre, seu gato será motivo de muita alegria e risadas, seja ele vira-lata ou não.
Quando você decidir ter um animal de estimação, pense na possibilidade de adotar. Pense em como você se sentirá bem sabendo que deu um lar a um cão ou gato que, sem você, estaria pelas ruas, sem alimento, sem cuidado, sem carinho, correndo vários riscos, tanto em termos de saúde, quanto ficando exposto a crueldade e aos maus tratos.
Adotando um animal abandonado, você poderá ajudar a diminuir esse problema. Convido a todos a visitarem a feira de adoção de cães e gatos que o Grupo Viver em Igualdade irá realizar no sua 01/05/2016 com o apoio do pet shop Família Pet , na Rua Wadia Jaefet Assad, 245 - Assunção - São Bernardo do Campo - SP. Das 10h às 16h.




Nossos planos futuros é fazer desse Grupo uma ONG. E que possamos ajudar cada vez mais ao próximo e incluir na sociedade as pessoas com deficiência. Queremos acessibilidade em escolas, parques, ruas, transportes, comércios... Para que as pessoas com deficiência possam sair de casa e ter uma vida com mais liberdade e independência.
O nosso maior cartão de visita é o sorriso, vamos sorrir,  ser feliz. Deus nos deu a oportunidade de vivermos novamente, de um modo diferente , tudo na vida aprendemos basta querermos.
Vamos? O Grupo Viver em Igualdade está aqui para te ajudar.

E quem desejar saber mais a respeito do Grupo Viver em Igualdade basta acessar o facebook ou enviar um e-mail para caroline@viveremigualdade.com.br

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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Vejam o que rolou na IV Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência


Geeente, como falei no post O que rolará na IV Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência?,fui e aqui estou para contar, um pouco, do que aconteceu lá.
Como bem nos lembrou o Coordenador-geral do Conade, Anderson Correia, “esta edição da Conferência se propõe a discutir a transversalidade das políticas públicas para pessoas com deficiência. [...] Antes, a discussão sempre foi setorial: saúde, educação, transporte e lazer. É preciso lembrar que a deficiência não é a única característica da pessoa. É um homem ou uma mulher; tem uma identidade de gênero e uma orientação sexual; faz parte de uma faixa etária; tem sua raça ou etnia. Todas essas características precisam ser pensadas juntas e de forma transversal’”.


Nesse sentido, a conferência contou com 3 eixos temáticos: O 1º Eixo: Gênero, raça e etnia, diversidade sexual e geracional; 2º Eixo: Órgãos gestores e instâncias de participação social; 3º Eixo: A interação entre os poderes e os entes federados.E em cada eixo havia pelo menos uma representação de cada estado. As pessoas se reuniram nesses grupos para debater e analisar as propostas , melhorar a redação e aprovar aquelas mais pertinentes e o Rio Grande do Norte obteve um número substancial de propostas aprovadas na IV Conferência e hoje dia 29/04/2016, o evento foi encerrado com muitas das propostas no âmbito das pessoas com deficiência aprovadas.
Entretanto, o evento foi marcado por alguns pontos negativos.  Um dos primeiros pontos que os participantes do RN, destacaram é que o Governo do Estado do Rio Grande do Norte  - SETHAS só deixou para informar que não poderia garantir a compra das passagens para todo o segmento governamental das Delegações das Pessoas com Deficiência, da Criança e do Adolescente e da Pessoa Idosa faltando poucas horas para o prazo final do envio de todas as informações para o Sistema das  Conferências Conjuntas de Direitos Humanos.
É importante lembrar que o prazo final para o envio dessas informações era dia 15/04/2016, até às 23h59min e a Sethas chegou a receber o ofício requerendo as passagens dos representantes das pessoas com deficiência, em dezembro de 2015. Entretanto, só deixaram para informar as Delegações da impossibilidade das compras das passagens  no finalzinho da tarde, do último dia, inviabilizando que os delegados governamentais conseguissem as passagens pelos seus municípios ou até mesmo por conta própria.   
Diante do ocorrido, a Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do RN - COEDE/RN, Márcia Maria Guedes Vasconcelos Fernandes, que também é Chefe da Delegação da Sociedade Civil expediu um ofício para a Sethas pedindo que a mesma enviasse uma justificativa para que fosse encaminhada a todos os delegados e delegadas para tomarem conhecimento do acontecido. E no dia 19/04/2016, recebemos um e-mail com a justificativa abaixo:

Um outro ponto negativo que notamos é que a capital do país, Brasília - DF, enfrenta uma série de problemas de acessibilidade e não se encontra preparada para receber pessoas com deficiência.Nesse sentido,os ônibus da organização se tornaram insuficientes para fazer o transporte de todos os passageiros  que utilizam cadeira de rodas, de forma segura, até o Centro Internacional de Convenções do Brasil, onde ocorreu o evento, gerando atrasos e muitos outros tipos de transtornos que já são do conhecimento do Ministério Público.



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sábado, 23 de abril de 2016

O que rolará na IV Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência?


Gente, vocês lembram que no ano passado participei da Conferência Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência, na cidade de Natal, e fui eleita por outros delegados como um dos membros da Delegação das Pessoas com Deficiência, do estado do RN, para participar da Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência? Para aqueles e aquelas que não lembram, clique aqui.
É galera, como diz aquela musiquinha “(...) o tempo passa, o tempo voa (...)”, e está chegando o dia de partirmos. Domingo pela manhã parte da Delegação das Pessoas com Deficiência do RN estará indo participar das Conferências Conjuntas em Brasília, no período de 24 à 27 de abril.
Confiram a programação, abaixo, e vamos nos encontrar lá?!!
Programação
Domingo, 24 de Abril de 2016
14h: Abertura do Credenciamento
17h: Solenidade conjunta de abertura das Conferências Nacionais (Pessoa com Deficiência,
Pessoa Idosa, LGBT e Criança e Adolescente)
19h: Jantar (CICB)
Segunda-feira, 25 de Abril de 2016
8h30: Palestra Magna – Palestrante: Paulo Vannuchi (Membro da Comissão Interamericana
de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos – OEA.
10h: Palestras dos Eixos Temáticos
Eixo I – Palestrante: Cláudia Grabois (Presidente da Comissão de Direitos das Pessoas
com Deficiência do Instituto Brasileiro de Direito de Família).
Debatedor: Jorge Amaro Borges (Mestre em Educação e Doutorando em Políticas Públicas)
Eixo II – Palestrante: Renato Simões (Assessor Especial para a Participação Social do
Ministro-Chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República)
Eixo III – Palestrante: Rejane Dias (Secretária de Educação e Cultura do Estado do Piauí)
12h: Almoço (CICB)
14h: Palestra “Arte, Cidadania e Espiritualidade”. Palestrante: Marcos Frota (Ator)
14h30: Aprovação do Regimento Interno da 4ª Conferência Nacional
16h30: Mesa-redonda sobre a Lei Brasileira de Inclusão (Estatuto da Pessoa com Deficiência)
18h: Encontro com Delegadas(os) da 12ª CNDH
19h: Jantar (CICB)
Terça-feira, 26 de Abril de 2016
8h30: Início dos trabalhos das miniplenárias (grupos de trabalho)
12h: Almoço (CICB)
14h: Continuação dos trabalhos das miniplenárias (grupos de trabalho)
19h: Jantar (CICB)
Quarta-feira, 27 de Abril de 2016
8h: Plenária Final
12h: Almoço (CICB)
17h: Abertura da 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos
19h: Jantar (CICB)
Quinta e sexta-feira , 28 e 29 de Abril
Conferência Nacional de Direitos Humanos

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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Governo sanciona lei que garante gratuidade no transporte intermunicipal para deficientes


O Governo do Estado sancionou nesta terça-feira (19) a Lei n° 10.054, que garante a gratuidade no transporte coletivo intermunicipal para portadores de deficiência que comprovem renda mensal inferior a um salário mínimo por pessoa. Serão consideradas pessoas com deficiência aquelas que tiverem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial.

O órgão responsável pelo cadastramento e fiscalização será o Departamento Estadual de Estradas e Rodagem do Rio Grande do Norte (DER-RN), que deverá emitir, para cada cadastrado, um Cartão de Passe Livre. O cadastramento só poderá ser feito após comprovação da deficiência e da hipossuficiência de recursos financeiros, nos termos a serem definidos pela via regulamentar. O Cartão de Passe Livre terá validade de dois anos e poderá ser renovado.

As empresas de transporte intermunicipal de passageiros deverão reservar em cada veículo destinado a serviço convencional dois assentos especiais para ocupação pelas pessoas beneficiadas. Os assentos devem estar devidamente identificados com o símbolo internacional de acesso às pessoas com deficiência e devem ser localizados, preferencialmente, próximos ao assento do condutor dos veículos.

A gratuidade também será estendida ao acompanhante do beneficiário, desde que seja comprovada por laudo médico a necessidade da sua presença a locomoção da pessoa com deficiência.

As empresas que exploram o transporte coletivo intermunicipal no Estado do Rio Grande do Norte serão obrigadas a adaptar 20% dos veículos das respectivas frotas a cada ano, excluídos para efeito dessa contagem os ônibus adaptados no ano anterior. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 120 dias da data de publicação.

*Imagens do Google

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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Governo e sociedade debatem direitos humanos a partir de sábado em Brasília


Durante dez dias, representantes da sociedade civil e de governos vão debater, em Brasília, as diretrizes do Programa Nacional dos Direitos Humanos. “São as ações relacionadas a esse plano, nas suas diferentes áreas temáticas, que nós discutiremos, e vamos pensar aquilo que temos que avançar, que já possuímos e o que temos de limites ainda”, disse nesta segunda-feira (19) a ministra das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes.
De 24 a 29 de abril, o ministério realizará as Conferências Conjuntas de Direitos Humanos. O encontro vai começar com as etapas temáticas, que culminarão na 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos. O evento inclui a 10ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, a 4ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, a 4ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência e a 3ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT.
As etapas nacionais são o resultado das diversas conferências feitas em nível local, municipal, regional, estadual/distrital e, também, das conferências livres e virtuais.
“Todas as áreas temáticas têm questões que os representantes irão nos trazer, por isso precisamos realizar as conferências conjuntas, para que possamos ver, junto com a sociedade civil e governos, quais as principais demandas e como avançar nos limites. Temos que trabalhar articulados porque, só assim, nós concretizamos uma política nacional de direitos humanos”, disse a ministra.
As resoluções que serão aprovadas na conferência nacional passarão a compor um material que subsidia ações dos conselhos de políticas públicas e de órgãos e entidades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Algumas podem virar projeto de lei, planos, políticas e diretrizes.
Segundo a ministra Nilma, as conferências conjuntas são uma novidade que estão em coerência com o novo ministério. “A ideia central que permeia a realização dessa conferência é justamente a transversalidade, em que vamos ter espaço para as discussões específicas dos grupos e ao mesmo tempo pensar as intersecções e articulações que essas diferentes áreas temáticas têm dentro da grande discussão dos direitos humanos”, explicou.
Os debates poderão ser acompanhados pela página da Secretaria de Direitos Humanos na internet.
Casos de intolerância
Para a ministra, o principal avanço nos últimos anos na área de direitos humanos foi o fato de dar voz a todos os sujeitos. “Os casos de intolerância que ainda enfrentamos muito no Brasil têm serviços para combatê-los, para que as pessoas possam fazer denúncias, como do Disque 100 e o Ligue 180, temos ouvidorias, encaminhamos as pessoas e as denúncias para os órgão responsáveis e também damos visibilidade que esses são sujeitos de direitos."
A legislação precisa ser mais amplamente divulgada, para Nilma, para que todas as pessoas possam conhecer e garantir seus direitos. “Precisamos que as pessoas se informem mais, tenham mais consciência dos direitos, porque é a forma como nós temos de uma democracia se concretizar. E também é preciso um trabalho de reeducação, por isso é muito importante a educação em direitos humanos”, afirmou.
Nilma Lino Gomes participou, nessa terça-feira (19), do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços.
*Imagens do Google
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sábado, 9 de abril de 2016

Daniel Silva fala sobre o movimento das Pessoas com Deficiência, a universidade e a política brasileira no contexto atual



Esses dias o Daniel Silva, criador do grupo “E o Aleijado sou Eu?” postou o seguinte comentário lá no facebook: “Fico pasmo com a inércia dos movimentos das pessoas com deficiência no estado do RN. Parece até que minto quando bato na tecla que temos o maior percentual proporcional em defs no Brasil, pois num momento como o que estamos vivendo não os vejo mobilizar, salvo, meia dúzia de gatos pingados, que vão as ruas e que provocam discussão no assunto. Então como podemos cobrar algo? Como queremos mais direitos e garantias se nosso movimento não se organiza? Independente de contra ou a favor deste ou daquele, deveríamos estar nas ruas, participar dos debates, nos articular e parar com essa de ser toda hora representado por outros.

Não é tempo de nos reunirmos apenas para encontros gracinhas, o tempo é de luta, pois enquanto estamos no zap, ou comendo aquele lanche em grupo, nossas cadeiras estão atrasadas, não existe a entrega de sondas, fraldas e outros para quem precisa. Não podemos ficar parados mas meia dúzia de andorinhas não faz verão.”


Curiosos para saberem mais sobre o Daniel e seu grupo no facebook?  Como ele vê o movimento das pessoas com deficiência? O que ele pensa dos políticos que se dizem representantes das pessoas com deficiência? Essas e outras perguntas fiz a Daniel.
Quem é Daniel Silva?  

Um jovem de 33 anos, natural de São Paulo, residente no RN por opção e paixão a mais de uma década, deficiente físico, estudante de Ciências Sociais em Universidade Publica Federal, Militante político, com atuação voltada na causa das pessoas com deficiência, bailarino, ator, enfim alguém que não abre mão de viver e lutar para que cada dia seja melhor que o outro.  
Me descreva um pouco a sua deficiência.  

Minha deficiência é uma má formação congênita denominada Mielomeningocele que é resumidamente: Um defeito congênito da coluna e medula espinhal resultante do fechamento incompleto durante a 4a semana de gestação, e também a hidrocefalia que é o acúmulo excessivo de líquido cefalorraquidiano dentro do crânio, que leva ao inchaço cerebral. Essas patologias, tiveram como efeito a não sensibilidade de membros inferiores, bem como o mal funcionamento da bexiga e intestino.  
O que te inspirou a fazer Sociologia?  
Sempre gostei de leituras, tentar entender os conceitos de nossa sociedade, e como ela se organiza de forma mais ampla, não me contentava com simples explicações nem tampouco com aquilo que a mídia me dava como acesso, e também por que desde cedo procurei ser atuante político, para buscar melhorias para a minha condição de pessoa com deficiência, e entendi que este curso iria então contribuir para que eu fundamentasse ainda mais a minha luta.  
Como você enxerga a Universidade hoje e como você é visto por ela?  

Posso te dizer que tive sorte, pois ingressei na Universidade Federal (UFRN) numa época de crescimento, onde existia incentivo para que de fato tenhamos um ambiente inclusivo, com políticas de incentivo ao ingresso, falo isso em relação a ter uma universidade cada vez mais diversificada e não apenas com uma classe social dominante, me arrepia ver nos corredores, pessoas de todas as classes, trabalhadores, mãe e pais de família, negros e um aumento significativo de pessoas com deficiência.   Hoje percebo que cada vez menos olhares de desaprovação, por não ser de família rica, por ter estudado em escola pública e por ser pessoa com deficiência, embora ainda se de um longo caminho até que tenhamos 100% um espaço universitário para todos, com muita luta estamos no caminho.  
Você é o criador de um grupo no Facebook, chamado “E o Aleijado sou Eu?” Por que esse nome e qual seu objetivo?   
Tenho consciência que a minha condição, em pleno século XXI choca, gera pena e desconfiança de nossas capacidades, por parte de muitos, as pessoas querem nos tratar como coitados, como indivíduos inferiores, fragilizados, com cuidados excessivos e tantas vezes nos chegam sem saber como se referir a nossa deficiência, até mesmo pessoas com deficiência ou que militam na causa tem essas cerimonias e criam nomenclaturas horríveis como “Herói” ou Especial sem deixar de falar na celeuma gerada por parte de quem decide as leis sobre qual o atual termo correto como devem falar sem magoar a nós e tal,  como se precisássemos de dizeres compensatórias para nos levantar a dignidade. Uma outra leitura sobre a escolha, é jogar para a sociedade que o deficiente (Aleijado), não sou apenas eu, pois se as cidades fossem pensadas para todos, bem adaptadas não sentiríamos tanto a diferença, mas o cumprimento dessas coisas básicas e o pensamento dos nossos gestores ainda é muito ineficiente. 

Como você vê o Movimento das Pessoas com Deficiência? Num momento tão crucial de luta pela democracia, você foi às ruas de Natal, qual a sensação de fazer parte desse momento da história do Brasil?   
O que vejo pelo menos aqui no RN, é um movimento fragilizado e entregue nas mãos de poucos representantes que se perpetuam anos após ano, numa pseudo representação, que não agrega, que não chama os deficientes a tomar parte, pois eles preferem que essas pessoas fiquem em casa como sempre fizeram e que saiam apenas quando necessário, para bater palmas para eles, sinto pois vejo que temos tantas pessoas com deficiência que poderiam ter atuações de muita força na causa, poderíamos e deveríamos ser referência, como o estado com mais participação das pessoas com deficiência nos diversos setores da sociedade mas não somos, não somos por que muitos de nós não tem oportunidade, não tem informações e formação necessárias para isso, falta estimulo, e órgãos que trabalham nesse segmento mais comprometidos com a causa do todo e não apenas com os objetivos deles.  Tantos anos que tenho no RN, conto nos dedos os deficientes com atuação na causa, e muitos deles apenas para abrilhantar e servir de número nos encontros. Claro que temos pessoas que não se submetem a isso, são minoria, mas tenho certeza que poderíamos e deveríamos ser muito mais, nosso povo tem um potencial incrível, falta apenas e nada mais que oportunidade.   
Quanto ao momento que vivemos minha posição não poderia ser diferente, o que acontece no País interfere na vida de cada um, e vejo como uma obrigação sair as ruas e em todos os espaços defender a nossa democracia contra a tentativa vil de golpe sendo deficiente ou não, seria leviano de minha parte não reconhecer os avanços que tivemos nos últimos anos, nunca se discutiu tanto em nível nacional políticas públicas para pessoas com deficiência, nunca se discutiu e se oportunizou tanto, que pessoas de classes mais baixas tivessem acesso a boa educação, a formação de qualidade, e a possibilidade real de buscar uma vida melhor para além do sonho distante, da utopia. Eu mesmo sou um beneficiado direto desses avanços, afinal um pobre, que estudou em escola pública, deficiente físico, e que hoje está a um passo de concluir um curso superior em Universidade Federal era um sonho muito distante a algumas décadas, só que agora quero mais, quero avançar, quero esse crescimento não apenas para mim mas para todos, e para isso se faz necessário defender a democracia e gritar contra um possível retrocesso. 


O que você pensa dos políticos que se dizem representantes das Pessoas com Deficiência como, por exemplo, Mara Gabrilli, Romário e Paulo Paim?   

Penso que essas pessoas quando bem-intencionadas, desenvolvem um papel muito importante na busca de uma sociedade mais igualitária, fico feliz de ver que temos nomes se destacando na causa em esfera política, de onde sai todas as leis e garantias de nossos direitos. O que me preocupa vez por outra é a forma como alguns desses parlamentares citados tem agido em poder de suas prerrogativas. Cito o caso da Deputada Federal (PSDB-SP)Mara Gabrilli, que lutou com unhas e dentes para que a Ginasta Laís Souza tivesse um benefício vitalício de R$ 4.390,24 Reais aprovado, alegando que ela teria prestado um serviço por anos a nação como atleta, e que um salário mínimo normal não seria suficiente para suas necessidades enquanto pessoa com deficiência, e para as outras 45 Milhões de pessoas com deficiência que também prestaram serviço a nação seja com trabalho, ou com pagamento de impostos ou pela luta de seus pais pela sua sobrevida, essas pessoas não mereciam então ter o mesmo tratamento e o mesmo afinco político para que seus direitos fossem garantidos de fato? Ou será que isso só seria interessante para a moça por que era atleta e que traria mídia para a parlamentar? Penso que legislar para obter mídia e não ao bem comum não é o papel de nenhum político que nos representa.   
E como os políticos do RN enxergam / tratam as Pessoas com Deficiência?   
Ainda nos veem de modo muito assistencialista, não tivemos ainda uma política pública efetiva voltada para nós em nenhumas das esferas de nosso estado ou da cidade de Natal onde moro, é enorme o descaso de nosso prefeito em relação as pessoas com deficiência, nada funciona e nada facilita em nossa vida, os ônibus adaptados são minoria, e na maioria das vezes estão quebrados ou seus funcionários não sabem operar o sistema, a via pública é um convite para que o deficiente não saia de casa devido à falta de padronização e cuidado com a via pública, nossos belíssimos pontos turísticos são inacessíveis e tudo isso se dá pela falta de gestão interessada e comprometida na causa.  
O programa Viver sem limites do Governo Federal uma potente ferramenta na garantia dos nossos direitos ainda atua de forma quase inexistente no estado, falta empenho, falta comprometimentofalta informação, falta que os nossos representantes abracem essa causa de fato, entendendo que é um direito constituído e não algo meramente assistencialista, conto nos dedos os que se comprometem. 
 Enfim não nos veem, somos invisíveis em pleno século XXI para os governantes de nosso belo estado e da cidade de Natal.  


O que você espera para o futuro de nosso país?  
Primeiramente espero que a nossa democracia seja respeitada, que sejam garantidas as condições para que o governo atual eleito pela maioria do povo, possa de fato governar, sem que haja interferência com objetivos escusos de um grupo que esteve tantos anos no poder e que não foi capaz de governar de modo a fazer o País avançar, também espero que os cidadãos e cidadãs cada vez mais se sintam no direito de participar da política do país, que enxerguem sua força, mas que também não alimentem mais o discurso da mídia e de partidos que nunca quiseram o bem comum. 
Penso que poderemos e deveremos sair desse momento difícil e continuar a crescer, mas para isso é necessário que o povo atue de forma mais incisiva e que esteja do lado acima de tudo da democracia. Nos últimos anos passei a acreditar que era possível sonhar com um país mais justo, senti o gosto disso, alcancei com meus olhos essas transformações, espero que num futuro muito próximo voltemos a crescer e a avançar, para o bem de todos, pois ainda há muito o que ser feito. 
 Que mensagem você deixa para os leitores desse blog?  
A mensagem é para que tenhamos consciência dia a dia que as coisas só vão mudar quando percebemos todos, que para avançar é necessário que tenhamos formação, informação e muita, mas muita coragem para assumir a parte que nos cabe na sociedade, e isso eu falo diretamente às pessoas com deficiência: Somos muitos, somos fortes, e não podemos mais alimentar a imagem de deficientes fragilizados, temos que arregaçar as mangas e sair a luta se quisermos que os nossos direitos sejam garantidos, cobremos mais do nossos representantes,  e que também percamos o medo e vamos atrás de ocupar efetivamente os espaços de representação, ninguém melhor que nós para sabermos as nossas reais necessidade sem que se faça necessário a figura do representante por conveniência, verdadeiros atravessadores, que anos após anos nos cobram muito caro para serem a nossa voz na luta, mas esquecem que também temos vozes, que também queremos sentir o sabor de lutar por nossa causa, e que somos os reais interessados nesses avanços, não da forma que eles julgam conveniente mas da forma que realmente nos fará avançar sem retrocessos. 
E gostaria de parabenizar a responsável por esse Blog por sua atuação na causa das pessoas com deficiência, e por sua vontade e compromisso de estar levando a cada semana um leque de informações úteis para todos nós. São espaços como estes, que nos dão mais forças para continuar a acreditar que nada está perdido e que o nosso hoje pode e tem que ser melhor. 

Obrigada, Daniel pela oportunidade de poder falar um pouco da sua vida, por refletir sobre o poder e a participação das pessoas com deficiência na política. E  se vocês quiserem trocar uma ideia com o Daniel, basta acessar o grupo E o Aleijado Sou Eu?, segui-lo no Twitter ou enviar um e-mail para danmsilva.gd@hotmail.com. 
  
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