segunda-feira, 30 de maio de 2016

A corrupção e o banheiro adaptado


Gente, todos os dias os jornais e a TV apresentam notícias da Lava Jato, de desvios de dinheiro da merenda escolar, etc. E todas essas denúncias geram uma revolta tremenda em toda a população, inclusive em mim.



Entretanto, o que é mais espantoso é que, apesar dessa compreensão generalizada a respeito da corrupção, o debate sobre os motivos e as possíveis soluções ainda são poucos e deficientes. Daí vem algumas perguntas como:


1) O que é corrupção? 

2) Será que ela é uma exclusividade dos deputados, senadores, vereadores, prefeitos etc?

3) Será que também não somos corruptos?

4) E como as pessoas com deficiência (con)vivem com a corrupção? 

 

Maiko Rafael Spiess, nos informa que segundo “(...) a ONG Transparência Internacional, a corrupção pode ser definida como ‘o abuso de poder político para fins privados’ Essa é a definição mais aceita e conhecida do termo e pode ser aplicada à maior parte das notícias sobre a corrupção que vemos diariamente”. Ou seja, as práticas de corrupção são formas de obter vantagens (financeiras ou não), apesar das leis. E falando em regras e/ou leis como você reage diante de um proibido estacionar na vaga destinada às pessoas com deficiência? Diante de um é proibido atravessar a rua fora da faixa ou com o semáforo fechado para pedestres? Ou é proibido fumar no restaurante, no barzinho, etc ?
Roberto DaMatta em sua obra O que faz o brasil; Brasil?, nos lembra que ingleses, franceses e norte-americanos obedecem às leis, pois nesses países “(...) a lei é um instrumento que faz a sociedade funcionar bem(...)”  Já  no nosso país “(...) a lei sempre significa o ‘não pode’(...) que submete o cidadão ao Estado de forma geral e constante.”
E entre o “pode” e o “não pode” o brasileiro escolheu juntar o “pode” com o “não pode” e dessa junção surgiu o “jeitinho brasileiro,” que segundo Roberto DaMatta “(...)  é um modo simpático, desesperado ou humano de relacionar o impessoal com o pessoal; nos casos - ou no caso- de permitir juntar um problema pessoal (...)  com um problema impessoal. Em geral, o jeito é um modo pacífico e até mesmo legítimo de resolver tais problemas, provocando essa junção inteiramente casuística da lei com a pessoa que a está utilizando.”
Roberto Da Matta ainda nos lembra que o “jeitinho brasileiro” tem toda uma malevolência, uma ginga, uma simpatia. Características do malandro e que todos os brasileiros possuem  a possibilidade  de agir como tal em todos os lugares. Nesse sentido, o malandro “é um papel social que está a nossa disposição  para ser vivido no momento em que achamos que a lei pode ser esquecida ou até mesmo burlada com certa classe ou jeito.”
Daí quando eu fui a Brasília encontrei muitas pessoas malandras nos banheiros adaptados passando a perna nas pessoas com deficiência e cometendo um ato de corrupção. O meu vôo fez uma escala no Rio de Janeiro e ao descer lá precisei ir ao banheiro, detalhe é que ao chegar o mesmo estava ocupado. 
E eu fiquei ali rezando para minha bexiga suportar, para o avião não sair sem mim e que saísse de dentro daquele banheiro uma outra mulher com deficiência.Deus apenas ouviu minhas preces em relação a bexiga e ao avião pois,do banheiro acessível saiu uma mulher, sem nenhuma deficiência aparente, arrastando um bocado de malas e ao me encontrar na porta abriu um sorriso amarelado. Todavia, minha bexiga não permitiu que eu explicasse a ela que aquele banheiro é reservado às pessoas com deficiência.

Já em Brasília, durante a Conferência de Políticas Públicas para as Mulheres, após uma manhã de trabalhos, precisei ir ao banheiro e para minha surpresa a mulherada sem deficiência estava usando o banheiro adaptado. Aproveitei para explicar as mesmas as seguintes questões:

1)Que aquele banheiro é nossa única opção e que ele é mais espaçoso pois, a cadeira para as pessoas com deficiência  tem que caber lá dentro. Já para as pessoas cegas que precisam da ajuda do cão-guia também necessitam de um espaço maior porque não cabe o cachorro e seu dono naqueles cubículos.


2) Já as barras de apoio servem para os cadeirantes fazerem a transferência da cadeira para o vaso sanitário e se manterem firmes.
3) Também é muito ruim sentar num vaso sanitário todo imundo por outras pessoas sem deficiência e sem educação. Imagine você ter que utilizar um vaso, no qual outras mulheres subiram nele e deixaram as marcas de seus sapatos de grifes lá. E a situação complica para as meninas que fazem cateterismo e que  ficam mais propensas a contrair infecções urinárias. Já num banheiro com menos uso, o risco de contaminação é bem menor.  Vejam,  no vídeo abaixo, uma forma das mulheres fazerem o cateterismo vesical.

Conversei com outras mulheres com deficiência sobre o assunto e essa questão foi levada a Coordenação do evento. Essa última pediu a Plenária que as mulheres sem deficiência tivessem bom senso e não usassem o banheiro adaptado. Todavia, para meu espanto no outro dia quando fui entrando no banheiro vi uma mulher sem deficiência entrando no banheiro reservado para as mulheres com deficiência.
Aí falei para as demais que estavam na fila que era vergonhoso uma pessoa está numa Conferência, que é um espaço democrático que surgiu com o objetivo de discutir, trocar conhecimentos e elaborar propostas, entre a sociedade civil e representantes do governo, para demonstrar prioridades aos nossos gestores públicos quanto ao desempenho de Políticas Públicas para os próximos anos.E ao mesmo tempo a pessoa está ali desrespeitando o direito de uma outra pessoa.
A mulher então saiu fingindo que não tinha ouvido a conversa e eu entrei no banheiro. E para minha surpresa assim que eu sai outra mulher entrou, no banheiro, alegando que se estava desocupado  ela poderia usá-lo. Depois de tudo isso fiquei me perguntando, qual a diferença entre as atitudes dessas pessoas que usaram o banheiro adaptado e os políticos envolvidos em escândalos de corrupção?
A diferença é que existe uma corrupção aceitável e uma corrupção não aceitável socialmente. Ou seja, o povo brasileiro reclama e censura o uso do “jeitinho brasileiro” por parte de políticos e empresários, mas eles não dispensam seu próprio “jeitinho” de fazer as coisas.

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DAMATTA, Roberto.O que faz o brasil, Brasil?. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1986

Imagens do Google*

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Gyan fala como é ser um atleta paralímpico


Gente,  no dia-a-dia, as pessoas com deficiência ainda são vistas como incapazes de praticar esportes, daí muitos espaços públicos voltados para a prática do esporte e do lazer não possuírem equipamentos adaptados.


E esse preconceito e consequente exclusão das pessoas com deficiência é gerada pela falta de informações e pelo receio de lidar com pessoas que não se enquadram nos padrões estabelecidos. Mas, as Paralimpíadas estão aí para desfazer essas ideias preconcebidas e provar que as pessoas com deficiência estão decididas a encarar qualquer desafio e provar todo seu potencial.
Daí resolvemos conversar com o Gyan, um jovem de 20 anos, que apesar de possuir limitações nos braços  é atleta profissional de Tênis de Mesa Paralímpico desde 2010 e vem trazendo muitas medalhas e troféus para casa. Então, vejam o que Gyan nos falou.


Quem é Gyan?
Sou do Rio de Janeiro, Atleta Profissional de Tênis de Mesa Paralímpico desde 2010, tenho 20 anos e desenhista! Portador de Hemimelia em Antebraços, Ectrodactilia Bilateral, Anquilose Congênita de C1-C2, Escoliose Dorso Lombar!
Em questão de ser desenhista, levo isso como um hobby! Comecei a fazer desenhos mais ou menos quando tinha 7 anos de idade, no começo de tudo fazia desenhos livres como toda criança faz quando cria um desenho na escola ou em casa mas antes dessa idade nunca tinha pego uma folha com lápis/caneta pra tentar escrever. Na verdade foi uma surpresa para todos aqui de casa pois eu e nem meus pais sabiam se eu futuramente conseguiria pelo menos escrever por causa da minha deficiência nas mãos mas graças a Deus além de escrever (Obs: Eu recebo muitos elogios por causa da letras e desenhos - Risos) Ele me deu o dom de desenhar, e agradeço a ele por tudo que fez e irá fazer de bom na minha vida!
Muitos me perguntam: como você escreve? como você desenha? Então, em escrever eu sou Ambidestro! Para quem não sabe, Ambidestro são pessoas que tem habilidade com as duas mãos... ex: escrevem com as duas...
Já em questão de desenhos hoje faço diversos desenhos, sendo eles caricaturas e desenhos animados como o Mickey, Frajola, Pernalonga etc...
Mas o que eu escuto muito também é: Você coloca a folha em cima da outra folha que está no desenho e copia por cima? Na verdade, não! Eu olho a figura onde está sendo ela no computador, no papel ou as vezes só imagino a imagem e reproduzo no papel, vale lembrar que também consigo assistir um desenho na tv (em movimento) e fazer ele igualzinho no papel.
Em questão de ser atleta de tênis de mesa, eu nunca pensei em jogar... Antes eu praticava Futebol e Atletismo, mas não levava a sério nenhum dos dois, já atualmente o tênis de mesa sim!

Como foi sua infância e adolescência?

Posso dizer que dos 7 anos pra cá foi mais tranquilo, desde quando era bebê até os 7 só parava no hospital doente e com febre super alta, mas nunca meus pais sabia o motivo disso até no momento que uma médica disse que quando completasse 7 anos tudo isso iria parar, e não é que
ela estava certa? Nunca mais passei por isso, e também quando cheguei nessa idade fui operar a coluna por causa da escoliose e por causa disso tudo acabei repetindo no colégio no C.A, mas depois não repeti nenhuma série e terminei os estudos em 2014. Fora isso não tive nenhum problema na infância, na adolescência foi a melhor, fiz muitas amizades no colégio, onde treino, academia, lugares onde viajei para disputar campeonatos e etc, sou super bem recebido em todos os lugares e ainda continua assim!!!
Como o tênis de mesa entrou na sua vida?
Em setembro de 2010 foi quando tudo começou na minha carreira de tênis de mesa com 14 anos de idade, como eu disse antes eu praticava outros esportes mas nunca veio em mente jogar tênis de mesa, apesar que nem nos lugares que eu frequentava não jogava o "Ping Pong"pois, por causa da deficiência nas mãos não tinha firmeza para segurar a raquete.
Certo dia andando na rua com minha mãe e irmã para alguns problemas do dia-dia resolvi entrar numa loja de biscoito mais conhecida aqui do Bairro, e em seguida sai um senhor com uma bolsa esportiva e passa pela gente e depois ele volta e vem em minha direção e começa tentar puxar assunto comigo, eu imediatamente chamei minha irmã que estava bem próximo a mim pois não sabia qual era a intenção dele em relação a minha pessoa... Mas ele começou a falar sobre o Centro de Treinamento que ele tinha próximo ao local que estávamos, mas no dia estávamos tão enrolado que não podia ir mas marquei outro dia.
Em seguida ele relatou que o projeto em qual ele trabalhava era voltado para pessoas com deficiência física e me perguntou se eu já tentei jogar "Ping Pong" Eu disse que não e por causa da minha deficiência achava quase impossível jogar e ele disse que eu indo lá no treino arrumaria um jeito para eu jogar não o "Ping Pong" e sim o "Tênis de Mesa".
Confesso que fiquei um pouco com um pé atrás nessa história achando que o cara queria passar a perna em mim mas chegando ao clube que não era nada disso... Ao entrar lá vi já algumas mesas montadas e conheci um outro técnico, e começamos a conversar e eles bolaram um jeito de como adaptar a raquete no meu braço.
Na verdade uso uma raquete normal igual como os outros jogadores, só que no começo usava duas munhequeiras de punho para segurar a raquete em minha mão, já hoje uso uma munhequeira de punho e outra dedal.
O que o esporte representa para você?
Melhor condicionamento físico, alimentação regular, aprender a trabalhar em equipe, enfrentar medos e limitações e fazer amigos

Quais as maiores dificuldades enfrentadas por você no início da carreira?

Minha primeira dificuldade no início da carreira foi só tendo mais ou menos 45 dias de treino já tinha um torneio oficial em São Paulo, as Paralimpíadas Escolares de 2010... Só esse 45 dias de treino eu não sabia muita coisa, vamos dizer que sabia o "Feijão com Arroz" Mas resolvi encarar esse desafio e fui muito bem, conseguindo a segunda colocação nos jogos escolares.
Outra grande dificuldade que tive no início da carreira e ainda estou tendo é a falta de patrocínio, até que no começo nem tanto pois o evento das Paralimpíadas Escolares era tudo bancado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, mas agora não posso mais disputar esse torneio pois terminei os estudos e fora que já passei da idade que era só até os 18 anos na época... Agora tenho que disputar torneios mais elevados como o Brasileiro e a Copa Brasil e o Estadual e é por nossa conta e fica super puxado bancar tudo pois o Brasileiro e a Copa Brasil são várias etapas em estados diferente e o Estadual é o que menos gasto.
Na sua opinião, que benefícios as Paralimpíadas trarão para nosso país?

Incentivar ao público voltado a portador de deficiência física a praticar algum esporte pois aprática de atividade físicas é essencial para que essas pessoas melhorem sua condições cardiovasculares, aprimorem a coordenação motora, o equilíbrio, aumentem a autoestima e se tornem mais independentes, também é fundamental para o aspecto social, para interação do cego com pessoas que possuem ou não alguma deficiência.

Quais seus planos para o futuro?

Minha primeira meta é conseguir uma vaga nas Paralimpíadas de 2020, já que de 2016 não consegui realizar esse plano, fora do esporte é fazer Faculdade de Ed. Física.. Poderia está fazendo, mas fica puxado pra mim por causa dos treinos e questão financeira.

Obrigada, Gyan pela oportunidade de poder falar um pouco da sua vida e de sua experiência como atleta.

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• CONTATOS

PARTICIPAÇÕES E RESULTADOS:

Campeão – V Circuito de Tênis de Mesa FTMERJ – Park Shopping (Campo Grande)/RJ - 2016

Campeão - VII Etapa Estadual de Tênis de Mesa Paraolímpico - SESC S.J. Meriti/RJ – 2015

Vice-campeão – Olimpede Nacional – Volta Redonda/RJ – 2015

Vice-campeão – IV Circuito de Tênis de Mesa FTMERJ – Park Shopping (Campo Grande)/RJ - 2015

3º colocado – Copa Zona Oeste – Casino Bangu/RJ - 2015

3º colocado – Paraolimpíadas Escolares – São Paulo/SP – 2013

Campeão – Olimpede Nacional – Volta Redonda/RJ – 2013

Vice-campeão - II Etapa Estadual de Tênis de Mesa Paraolímpico - SESC S.J. Meriti/RJ – 2013

Vice-campeão - I Etapa Estadual de Tênis de Mesa Paraolímpico - SESC S.J. Meriti/RJ – 2013

Atleta aprovado na 1ª Detecção de Talentos Paraolímpicos 2012 - São Paulo-SP - CBTM

Vice-campeão – Paraolimpíadas Escolares – São Paulo/SP – 2012

2ª Colocado – Ranking Estadual 2012 - FTMRJ

Campeão – 1º Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro – SMEL – Jacarepaguá/RJ - 2012

Vice-campeão - III Etapa Estadual de Tênis de Mesa Paraolímpico - SESC S.J. Meriti/RJ – 2012;

Vice-campeão - II Etapa Estadual de Tênis de Mesa Paraolímpico - SESC S.J. Meriti/RJ – 2012;

Vice-campeão - I Etapa Estadual de Tênis de Mesa Paraolímpico - SESC S.J. Meriti/RJ – 2012;

1ª Colocado – Ranking Estadual 2011 - FTMRJ

Vice-campeão - III Etapa Estadual de Tênis de Mesa Paraolímpico. - SESC S.J.Meriti/RJ – 2011;

Campeão - II Etapa Estadual de Tênis de Mesa Paraolímpico. - SESC S.J.Meriti/RJ – 2011;

Vice-campeão - I Etapa Estadual de Tênis de Mesa Paraolímpico. - SESC S.J.Meriti/RJ – 2011;

Campeão – Olimpede Nacional – Volta Redonda/RJ – 2011

Campeão – Paraolimpíadas Escolares – São Paulo/SP – 2011

Vice-campeão – Paraolimpíadas Escolares – São Paulo/SP – 2010.

terça-feira, 17 de maio de 2016

O governo de Michel Temer e as Pessoas com Deficiência


Gente, é impressão minha ou esse novo governo começou pondo fim em tudo?! Fiquei na frente da TV, navegando na Internet procurando um ministro negro, uma mulher e se não fosse pedir demais algum ministro ou ministra cadeirante, surda ou deficiente visual. E nada!

Mas, domingo, o Presidente Interino Michel Temer explicou tudinho e eu entendi direitinho. Ele disse, em bom português, que agora vai ter que governar para poucos. Entenderam?! Não?!

Sabe essa história de políticas direcionadas para pobres, negros, mulheres, idosos, indígenas, pessoas com deficiência etc?! É isso aí, com o fim do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos essas pessoas, começaram a temer que o governo de Michel Temer reduza todos os direitos conquistados nos últimos anos.  

E diante desse clima de incertezas com o futuro, está circulando um abaixo assinado organizado pelas entidades da sociedade civil, que compõem o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência - CONADE, em defesa da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD).

É importante frisar que a SNPD era um “[...] órgão integrante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, criada pela Lei nº 11.958/2009 e Decretos Nº 6.980/2009 e Nº 7.256/10”. E a  SDH/PR era um órgão que dedicava-se a efetivar, fomentar e garantir os direitos humanos  e a Presidente Dilma Rousseff, no dia 05 de abril de 2016, a extinguiu juntamente com outras secretarias, a exemplo, da  Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República e da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República .
Todavia, ela criou o "Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos" e atrelou as responsabilidades do CONADE a este Ministério. O CONADE “ [...]é um órgão superior de deliberação colegiada, criado para acompanhar e avaliar o desenvolvimento de uma política nacional para inclusão da pessoa com deficiência e das políticas setoriais de educação, saúde, trabalho, assistência social, transporte, cultura, turismo, desporto, lazer e política urbana dirigidos a esse grupo social. O Conade faz[ia] parte da estrutura básica da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR)”.
O problema foi que o Presidente Interino  Michel  Temer, no dia 12 de maio,  extinguiu o "Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos". No lugar dele criar uma secretaria/ministério de natureza social, ele decidiu unir  o"Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos" com o "Ministério da Justiça".
Entenderam agora o motivo das  entidades da sociedade civil, terem organizado um abaixo assinado, defendendo  a  Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência? É isso aí, gente se você acha que o novo governo não pode retirar nenhum direito das pessoas com deficiência leia o texto abaixo, assine e compartilhe com seus amigos.  

Nota das Entidades da Sociedade Civil que compõem o CONADE em defesa dos direitos da Pessoa com Deficiência.
As entidades da sociedade civil, abaixo assinadas, que compõem o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência - CONADE, considerando que o atual momento do Pais exige que as instituições e sujeitos se posicionem no sentido de contribuir com a democracia e, especialmente, na garantia de conquistas para que não ocorram retrocessos sociais.
E considerando os avanços produzidos na área da pessoa com deficiência no contexto brasileiro nos últimos anos, onde as ações do governo federal são de substancial relevância para continuidade desse avanço.
E considerando que um dos fatores que julgamos de grande importância é a existência de ações da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD) e do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), como instâncias legítimas da expressão e garantia de direitos da pessoa com deficiência.
E ainda considerando que a Medida Provisória nº 726, de 12 de maio de 2016 editada pelo Exmo. Sr. Presidente da República em exercício Michel Temer, não previu na estrutura do novo Ministério Da Justiça e Cidadania a continuidade da existência da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência .
Nesta perspectiva, as entidades subscritoras manifestam sua preocupação com a extinção do órgão, e reivindicam que a nova estrutura mantenha o espaço legitimamente conquistado, garantindo o protagonismo dos direitos da pessoa com deficiência, não se perdendo recursos humanos ou financeiros, para que possa levar adiante a sua importante missão de efetivação dos direitos assegurados na legislação nacional de promoção e proteção desses direitos, especialmente, aqueles garantidos na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, que foi ratificada no Brasil com equivalência constitucional, por meio do Decreto Legislativo no 186, de 9 de julho de 2008, conforme o procedimento do § 3º do art. 5º da Constituição. E promulgada pelo poder executivo, através do Decreto Nº 6949 de 25 de agosto de 2009 e no Estatuto da Pessoa com Deficiência, Lei Brasileira de Inclusão, Lei n.13.146, de 6 de julho de 2015.
As pessoas com deficiência representam mais de 45 milhões de homens e mulheres que ao longo da história foram marginalizadas, e tiveram seus direitos cerceados. É fundamental que o governo brasileiro continue com políticas voltadas a esse segmento como foi com o Plano Viver Sem Limite, e tenha a acessibilidade na centralidade de suas ações para garantir a igualdade de oportunidades como um princípio de suas atitudes e práticas.
Subscrevem a Nota:
OAB
AMPID
FSDOWN
FENAPESTALOZZI
ONCB
ABRA
FENEIS
APABB
ONEDEF
CNC
CONFEA
ABRC
FARBRA
CBDV
FENAPAES
Representação dos Conselhos Municipais dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Brasil
Representação dos Conselhos Estaduais dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Brasil
APNEN (Associação dos Portadores de Necessidades Especiais de Nova Odessa)
Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas
Federação Brasileira de Associações de Síndrome de Down – FBASD
Fórum Permanente de Educação Inclusiva
Grupo Maricá
Inclusive – Inclusão e Cidadania
Movimento Down
Blog Inclusão Diferente
Blog De Papo com Claudinha

E aí, vai assinar o manifesto?  Então clique aqui, e depois compartilhe o máximo que puder.

Basquete em Cadeiras de Rodas e Jogos Paralímpicos serão temas de debate online

Treinador da Seleção Brasileira e o criador do primeiro portal no Brasil de notícias paralímpicas participarão do bate-papo que acontece no site do projeto Diversidade na Rua da Mercur



De 07 a 18 de setembro de 2016 serão realizados os Jogos Paralímpicos na cidade do Rio de Janeiro. Participarão do evento 4.350 atletas, de 176 países, disputando em 23 modalidades esportivas. Aproveitando a importância desse assunto em todo o Brasil, na próxima quarta-feira, dia 18 de maio, às 19h30, o site do projeto Diversidade na Rua (www.diversidadenarua.cc) da empresa Mercur realizará um Debate Aberto ao público sobre os Jogos Paralímpicos e a equipe brasileira de Basquete em Cadeiras de Rodas.


A conversa contará com a participação de Tiago Frank, técnico da Seleção Brasileira Masculina de Basquete em Cadeira de Rodas, e do estudante que criou o primeiro portal de notícias sobre os Jogos Paralímpicos, Noticiário Paralímpico, Nataniel Souza.  


“Conversar sobre o esporte paralímpico é, na verdade, incluir as pessoas que não tem deficiência no ambiente vivido por esta parcela da população. Faltam um pouco mais de 100 dias para as Paralimpíadas, este é o momento de reforçar o valor das pessoas com deficiência e de quebrar paradigmas. Muitos ainda têm uma ideia de que as pessoas com deficiência são, de alguma maneira, inferiores, o que não é verdade”, afirma o estudante.


“O time de basquete está em pleno desenvolvimento para atingir um nível de excelência e competitividade contra grandes potências no cenário internacional. Será um prazer compartilhar a experiência na liderança desta equipe neste fórum online”, declara o técnico da Seleção Brasileira Masculina de Basquete em Cadeira de Rodas, Tiago Frank.


Para participar do bate-papo, basta acessar o site do Diversidade na Rua (http://www.diversidadenarua.cc/debate).

SERVIÇO
Debate aberto Diversidade na Rua
Tema: Jogos Paralímpicos e a Seleção Brasileira de Basquete em Cadeiras de Roda
Data: 18 de maio 2016
Horário: 19h30
Para participar acesse: http://www.diversidadenarua.cc/debate

http://pioneiro.rbsdirect.com.br/imagesrc/17686839.jpg?w=620
Sobre Tiago: Tiago José Frank, 32 anos, tornou-se educador físico pela influência do pai, José Carlos. Seguiu esse caminho ao ingressar no curso de Educação Física da Universidade de Caxias do Sul, em 2001. Seis anos e um intercâmbio depois, Tiago já visualizava a base de sua vida profissional: a educação para pessoas com deficiência.
Em 2008, a experiência como técnico das categorias de base da UCS levou Tiago a ser convidado para o Centro Integrado das Pessoas com Deficiência de Caxias do Sul, CIDEF. O projeto, mantido dentro da Universidade, promove atividades físicas para pessoas com deficiência.
Desde 1996, o CIDEF trabalhava para aprimorar a capacidade técnica de sua equipe de basquete de cadeira de rodas e, com isso, alcançar uma vaga entre os principais grupos do país. Como técnico da equipe, Tiago se integrava a esse objetivo.
Atualmente, Tiago atua como coordenador do Setor de Paradesporto e Lazer Inclusivo da Secretaria Municipal do Esporte e Lazer de Caxias do Sul. O cargo possibilita atuar de forma mais ampla no segmento para pessoas com deficiência.
http://noticiarioparalimpico.com.br/wp-content/uploads/2016/01/Sele%C3%A7%C3%A3o-brasileira-principal-branco-jogou-contra-a-sele%C3%A7%C3%A3o-de-base.-Foto-Daniel-Zappe-MPIX-CPB-563x353.jpg 
Sobre Nataniel: Nataniel Souza, 25 anos, nasceu e cresceu no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro. Estudante de Jornalismo, Nataniel criou em junho de 2015 o Noticiário Paralímpico, primeiro Portal no Brasil de notícias paralímpicas da internet.
Decidiu criar o portal, a partir de uma disciplina na faculdade, ele observou que inexistia informações sobre jogos paralímpicos na mídia. O que era para ser apenas um projeto de faculdade, se tornou o primeiro site paralímpico do país.
Nataniel recebeu o prêmio de Cidadão Socialmente Responsável, da faculdade UNISUAM, em 2015, pelo seu trabalho a frente do Noticiário Paralímpico.
O Portal cobre as 23 modalidades esportivas que serão disputadas nos Jogos Paralímpicos do Rio-2016.

Sobre a Mercur
A Mercur é uma empresa brasileira, fundada em 1924 na cidade de Santa Cruz do Sul (RS) e começou sua trajetória com produtos derivados da borracha. Com o passar dos anos e o repensar constante das suas atividades, a empresa entende que tudo que é produzido para atender as necessidades humanas tem um impacto no ambiente, indivíduos e na sociedade. A Mercur assume publicamente o compromisso de participar com pessoas e organizações na criação de soluções sustentáveis e que indiquem novos patamares de uso, criando facilidade que possam se traduzir em produtos, serviços ou novos modelos de comercialização. Atualmente a empresa conta com cerca de 650 colaboradores, com um portfólio de produtos voltados aos segmentos de educação e saúde, como borrachas de apagar, bolas de exercício, bolsas térmicas, muletas e etc. A companhia também atua na área industrial com soluções customizadas, disponibilizando lençóis de borracha e peças técnicas, bem como pisos especiais e revestimentos.

Mercur na Web:
Site da Mercur: www.mercur.com.br
Mercur no Facebook: Mercur Oficial
Mercur no Twitter: @mercuroficial
Mercur no Youtube: Mercur S/A
Nas redes sociais, utilize a hashtag: #deumjeitobompratodomundo

Informações para a Imprensa:
Luiz Valloto, Janaina Leme, Tatiane Dantas e Melissa Sayon
Fone: (11) 5091-7838


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segunda-feira, 16 de maio de 2016

Vejam o que rolou na IV Conferência Nacional de Políticas para Mulheres


Gente, quem me acompanha pelo Instagran viu que eu participei da 4ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, no período de 10 à 12 de maio de 2016, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. A Conferência foi realizada pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do  Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos, e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) e reuniu cerca de três mil mulheres de todos os estados do país.

O processo conferencial, começou em junho de 2015 quando foram realizadas conferências municipais e estaduais que envolveram mais de 2200 municípios brasileiros  e 150 mil pessoas em torno do debate. Daí a Secretária Especial de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos, responsável pela 4ª CNPM, ter afirmado que “essa conferência é fruto da garra e da coragem das mulheres. Daqui, tiraremos vários encaminhamentos, com as demandas e prioridades para as mulheres brasileiras, e tenho certeza que nós iremos lutar com valentia para implementá-las”.

Durante a abertura da IV Conferência Nacional de Políticas para Mulheres (4ªCNPM) Dilma Rousseff ressaltou “[...] o poder de luta e de resistência das mulheres brasileiras na defesa dos seus direitos. Defendeu ainda que as políticas de gênero no Brasil não podem sofrer retrocesso”. Daí ela ter destacado que “nenhum fundamentalismo vai impedir que nossa perspectiva de gênero se afirme cada vez mais”’.

E a inovação desta Conferência foi a realização de consultas nacionais com grupos que apresentam maior dificuldade de acesso e expressão nos processos convencionais de participação social. Assim, nessa Conferência ganharam voz e voto mulheres transexuais, ciganas, mulheres com deficiência, indígenas, quilombolas e de religião de matriz africana.


No tocante, as  mulheres com deficiência, Camila Indalécio frisou que ela foi “[...] a primeira surdocega a participar de uma Conferência Nacional (...)” E ainda destacou que  teve “ a acessibilidade que precisava: o material em braile, a intérprete e, assim, a compreensão das outras mulheres [...]" 
Todavia, outras mulheres com deficiência enfrentaram problemas com atrasos nos transportes (que pelo fato de serem vãs adaptadas só podiam levar no máximo três cadeirantes e as mesmas estavam hospedadas em hotéis diferentes).
Mas, mesmo com problemas  houve os trabalhos e aprovação de temas importantes para o avanço em politicas públicas para a cidadania das mulheres, tais como o fortalecimento do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher; desenvolver debates e ações sobre a questão das mídias e meios de comunicação na representação da imagem da mulher; garantir e fortalecer a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres-SPM; com status de Ministério e autonomia financeira e orçamentária, criar e implementar um Programa Nacional de Capacitação e Formação Política para as mulheres nos espaços de poder e decisão;  criar o Sistema Nacional de Políticas para Mulheres; vinculado ao Sistema Nacional de Políticas para as Mulheres, que deve reunir recursos de diferentes fontes com o objetivo de financiar as políticas, ações e atividades dirigidas as mulheres no país.
Para o segmento da mulher com deficiência houve algumas dificuldades em certos grupos temáticos, todavia a maioria apresentaram avanços, a exemplo, dessas duas propostas: 
1) Garantir acessibilidade e material inclusivo a todas as mulheres com deficiência e mobilidade reduzida e a toda a rede de atendimento à mulher vítima de violência e na assistência à saúde integral da mulher; 
2) Considerar como origem de recursos para o Fundo Nacional de Políticas para as Mulheres as isenções fiscais, doações, quebra de fianças e multas, entre outras, a saber:a)incentivos fiscais para empresas que contratem em seus quadros mulheres em situação de violência de todas as faixas etárias e mulheres com deficiência leve, moderada e severa, respeitando a proporcionalidade total de funcionários da empresa em um patamar de 10%,no mínimo.
Enfim, a 4ª CNPM terminou com a presença de  Eleonora Menicucci. A mesma apesar de já ter sido exonerada “compareceu ao encerramento do processo conferencial que ela conduzira desde o seu início em 30 de março de 2015, então nos papéis de ministra e de presidenta do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.” E em seu discurso ela destacou que “a Conferência mostrou que temos uma capacidade de lutar e garantir políticas públicas de gênero. Agora sabemos que podemos eleger mulheres vereadoras, deputadas, governadoras e presidentas, porque nós somos guerreiras e podemos.”

Então, é isso meus amores em breve volto aqui para falar mais a respeito dessa viagem e da Conferência.


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