segunda-feira, 6 de junho de 2016

O consumo das PcD e as oportunidades de negócios que muitos empresários (ainda) desconhecem

Nos dias atuais, toda empresa gostaria de um público de 45 milhões de pessoas para seus produtos e/ou serviços, né?! Mas, essa semana a Agência de Publicidade Razões para Acreditar anunciou que se deparou com uma empresa que se recusa a falar com esse público. Mas, que público é esse? E qual a reação da Agência diante dessa recusa?


Gente a empresa se recusou a falar com as pessoas com deficiência. E aí me vem a pergunta: “Que século esse empresário vive?!” “Que empresário é esse que não sabe que as pessoas com deficiência são consumidores plenos? Por favor, alguém informa a ele que cada vez mais PcD tornam-se consumidores ativos, viajam, praticam atividades físicas e de lazer, e com o envelhecimento da população brasileira, o setor tende a crescer ainda mais nos próximos anos, o potencial de novos negócios é enorme.  
No Brasil, somos cerca de 24 milhões de mulheres com deficiência dos 45,6 milhões de brasileiros com alguma deficiência. E o Rio Grande do Norte é o estado que possui o maior número de pessoas com deficiência, cerca de 27,86% da população apresenta algum tipo de deficiência.
Mas, apesar das adversidades cada vez mais encontramos pessoas com deficiência estudando, se divertindo, namorando, viajando, trabalhando, sendo pais. Ou seja, para essas pessoas as “limitações” não se constituem em razão para elas ficarem paradas no tempo e no espaço.
Além do mais,  de uma forma direta, ou indireta, todos convivemos com uma pessoa com deficiência e essa convivência  faz o capital circular e alimentar a economia. Não podemos esquecer, que vivemos espalhados, em sociedade, e se contarmos apenas a família mais próxima de uma pessoa com deficiência (mãe, pai, irmãos, tios e avós), deve existir cerca de 10 pessoas.  
Agora, imagine no Natal se cada pessoa dessa comprar, no mesmo shopping, um presente para o parente que tem deficiência. Já trazendo para uma esfera nacional, se multiplicarmos os 45 milhões de pessoas com deficiência por 10 teremos 450 milhões de pessoas/presentes.
Mas, nós não vivemos apenas com nossas famílias, temos vizinhos, amigos, colegas de trabalho. É muita gente, né não?Por exemplo, eu tenho uma  colega de trabalho que o marido possui uma lanchonete de sanduíches que funciona a noite. E ela as vezes comentava como é a rotina de uma lanchonete começando de manhã muito cedo comprando, cozinhando e desfiando frango; limpando tudo e por fim sempre falava de uma maionese que eles fazem e que os clientes adoram.
Um dia, durante a noite, me bateu uma vontade de comer um sanduíche. Liguei para ela e perguntei se faziam entrega em domicílio e em pouco tempo chegou o moto táxi fazendo a entrega. E depois desse dia eu e minha mãe nos tornamos as mais novas clientes da Lanchonete.


Também recentemente minha vizinha falou que abriu uma creperia aqui na minha cidade e que tinha gostado do crepe de carne de sol. Quem sabe o crepe, juntamente com o sanduíche, não entrará na minha dieta de gulosice?!
Nesse sentido, fazemos coro  com Juliana Jobim Navarro quando a mesma afirma  que as pessoas com deficiência “(...) parece[m] de fato, estar se inserindo  mais intensamente na sociedade e se tornando um consumidor relevante, com cada vez mais  conhecimento, informação, maior poder aquisitivo e independência para atender não só suas  necessidades básicas mas também buscando e querendo obter objetos que tragam satisfação  emocional e autorrealização”.  
E sabendo dessa realidade a Agência de Publicidade Razões para Acreditar, recentemente fechou “(...) o patrocínio de um vídeo com uma marca para o Dia dos Namorados, onde a proposta era levar o maior número de casais (reais) possíveis compartilhando suas histórias de AMOR. Dentre os casais, chamamos héteros, gays, lésbicas, pessoas altas que namoram baixinhos (vice-versa), pessoas com idades muito diferentes, deficientes auditivos, motoqueiros, cadeirantes, adolescentes, enfim, o maior espectro possível de pessoas diversas com uma coisa em comum: o amor. Gravamos durante um dia inteiro, ficamos exaustos pela loucura e logística de produção, nenhum dos casais ganharam cachê, pois chamamos pessoas reais, e que topassem vir falar sobre seu amor de coração aberto e não pensando no bolso.
Pois bem, depois de aprovado e filmado, a marca nos posicionou (e impôs) que tirássemos os casais de cadeirantes do filme. A justificativa da empresa foi que o filme, onde temos gays e cadeirantes juntos, poderia sugerir que gays são deficientes. (WTF???)”Vocês entenderam algo? Querem saber qual foi a resposta dada pelos publicitários? Vejam o vídeo abaixo:
Ao tomarem essa decisão os publicitários da Agência além de terem exercido a cidadania, diferente do empresário, demonstraram que vivem no século XXI e sabem que falar com pessoas com deficiência é fazer um bom negócio.
Enfim, parabenizo a Agência de Publicidade Razões para Acreditar  e espero que surjam mais e mais comerciais expondo a imagem de pessoas com deficiência em situações da vida cotidiana, as quais ajudarão a destruir velhas ideias, que tanto os projetos pró-inclusão tentam extinguir.

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NAVARRO, Juliana Jobim. A inclusão social dos deficientes visuais e a publicidade brasileira: Um breve panorama. Brasília : Universidade de Brasília Faculdade de Comunicação Social Departamento de Audiovisuais e Publicidade Juliana Jobim Navarro, 2012. (Monografia) Extraída de: <http://bdm.unb.br/bitstream/10483/4259/1/2012_JulianaJobimNavarro.pdf >

Imagens do Google*

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