quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Jovem que perdeu braços e pernas faz vídeos se maquiando sozinha

Oi meninas, tudo bem?
Hoje o papo é com vocês meninas que gostam de se maquiar.Já falei aqui, que mulheres que apresentam dificuldades motoras nas mãos conseguem com algumas adaptações realçarem sua beleza de forma autônoma.Todavia, eu tinha uma curiosidade imensa para saber se mulheres que não tinham braços conseguiam se maquiar.
Carolina Tanaka
Até o dia que vi um vídeo no qual mostrava a Carolina Tanaka, que nasceu sem os braços se maquiando, lavando louças, penteando os cabelos e dirigindo com os pés.  Mas, quem me deixou boquiaberta foi a jovem Kaitlyn.
Katlyn
Ela após ser diagnosticada com meningite, teve que passar por uma prova de superação: 04 meses na UTI, fazer mais de 20 cirurgias, amputar os braços e as pernas e ficar com a pele bastante sequelada.
Para qualquer pessoa seria motivo suficiente para desabar, chorar, se revoltar. Mas, para ela,“os desafios da vida nos impõe muita coragem para enfrentar cada passo que nos alcança.Tudo parece acabar, mas é apenas o começo de algo novo.Uma transformação no corpo físico que faz nossa alma crescer e irradiar a alegria de Deus!” (Jane Peralta)
Assim sendo, Kaitlyn vem postando recentemente vídeos mostrando como ela está se adaptando as próteses. Abaixo um vídeo mostrando como ela se maquia com independência e autonomia.
Eu achei sensacional esse jeito dela se maquiar. E vocês o que acharam?E vocês leitoras usam alguma adaptação quando vão se maquiar? Então conte para mim, conte para nós, deixem fotos lá na fanpage e quem sabe vocês poderão ajudar outras meninas.E não esqueçam de me acompanhar no Facebook// Instagram// Twitter
*Caso queiram assistir outro vídeo dela no qual ela segura o celular, organiza seus cosméticos, anda, come e começa a usar a outra prótese basta irem lá na fanpage do blog


sábado, 27 de agosto de 2016

Sabonete para cadeirantes e pessoas com limitações nas mãos


Gente, tem coisa melhor que entrar no banho e relaxar curtindo aqueles aromas maravilhosos do xampu, do sabonete, do condicionador? Entretanto, para muitos cadeirantes e pessoas com limitações nas mãos o banho é uma ação de alto risco necessitando de muita atenção pois, um simples descuido a pessoa pode sofrer uma queda séria. 
Apesar de eu ser capaz de ficar em pé, faz tempo que optei tomar por banho sentada. Todavia, uma coisa tenho em comum com os cadeirantes e as pessoas com algum tipo de limitação nas mãos é quando ocorre do sabonete ou do xampu cair no chão. Você  sabe qual o melhor tipo de sabonete para os cadeirantes e para as pessoas com algum tipo de limitação nas mãos?E como um cadeirante apanha um sabonete que caiu no chão?
Durante muitos anos eu utilizei os sabonetes em barra da Natura.Eles são demais pois, tem um perfume suave e delicado, hidratam a pele e a deixam macia e preparada para receber o creme hidratante. 
Mas, como tenho a motricidade fina bem prejudicada pegar coisas leves é bem mais difícil que pegar coisas pesadas.Daí os sabonetes sofriam nas minhas mãos ora indo ao chão, ora vindo pedaços nas minhas unhas e assim eu desperdiçava muito sabonete.
Sem falar que quando o sabonete caia eu acabava tendo que chamar alguém para pegá-lo para mim pois, como não há boxe no meu banheiro muitas vezes o sabonete caia longe e eu toda molhada ficava receosa de sofrer um escorregão.E, ao mesmo tempo, eu me sentia desconfortável por estar pedindo auxílio toda vez que isso acontecia.
Então uma boa dica para quem não dispensa o sabonete em barra e/ou possui muita dificuldade para segurar o sabonete é ter mais de um sabonete dentro do boxe ou utilizar uma bucha de banho. Já em casos de crianças com paralisia cerebral ou mesmo adultos com pouca coordenação motora uma sugestão é fazer uso dessa bucha adaptada.

Segundo a Terapeuta Ocupacional Johanna Cordeiro Melo Franco,autora do blog Terapia Ocupacional e Paralisia Cerebral para fazer a bucha basta você pegar um saquinho ou uma meia calça, colocar o sabonete dentro e amarrar com um elástico ou corda.
Como eu desconhecia essa invenção e tenho a pele muito sensível acabei adotando o sabonete líquido. Lembro de alguns que usei entre eles o sabonete líquido da linha Natura  Sou, que apesar de ser cremoso, cheiroso, deixar a pele macia e lisinha, tinha uma embalagem feita de um plástico molinho.
Daí como eu não tenho muita “destreza”, eu acabava apertando com muita força e como ele é bastante líquido acabava saindo uma grande quantidade.Também achei complicado fechar a embalagem pois, é difícil deixá-lo sobre uma superfície e apertar a tampa.  
Um outro sabonete que eu também já usei foi o Jonhson’s Baby. Ele é levinho, deixa a pele hidratada e macia, tem uma fragrância bem suave e não espuma muito.Também a sua tampa flip-top, facilita muito o manuseio do frasco e você encontra facilmente nas farmácias e supermercados.
Atualmente estou utilizando o Sabonete Líquido Glicerina Granado Bebê ele tem um cheiro maravilhoso, de glicerina mesmo, hipoalergênico, não contém ingredientes de origem animal e é indicado para peles sensíveis.Vem em embalagem de 250 ml e depois que ele acabar podemos comprar o refil, com a mesma quantidade que vem no frasco e com um preço mais acessível.


Já a tampa tem uma trava de segurança, que impedi que o mesmo se derrame quando se quer levá-lo na mala.A desvantagem dessa tampa é que o sabonete sempre necessita estar apoiado em algum local. Como eu o apoio num banquinho de plástico não enfrento dificuldades para manuseá-lo.Além do mais ao apertar o frasco, posso controlar direitinho a quantidade que sai.
Enfim, deu para perceber que eu gosto de ir revezando os sabonetes e alternando o cheiro pois, se eu utilizar demais o mesmo produto acabo enjoando.Inclusive já estou de olho em outro sabonete que parece ter uma embalagem de fácil manuseio.
E aí, como vocês escolhem o tipo de sabonete de vocês? Preferem os de barra ou líquido? E os cadeirantes que moram sozinhos como pegam o sabonete quando cai no chão? Conta pra gente, a nação cadeirante agradece! Ah, e não esqueçam de me acompanhar no Facebook// Instagran// Twitter

*Imagens do Google
*Esse post não é um publieditorial

sábado, 20 de agosto de 2016

Quem é o autor que chama as pessoas com deficiência de “malacabadas”?


Gente, o Programa Viver Eficiente foi bater um papo com o jornalista Jairo Marques. Ele que é jornalista da Folha de São Paulo, autor do Blog Assim como Você e recentemente lançou o livro “Malacabado- A história de um jornalista sobre rodas”.
Seus textos chamam atenção pela leveza e especialmente por utilizar expressões como “malacabados”, “prejudicado do escutador de novela”, “puxador de cachorro”, “time dos que não tem perna” etc. para se referir as pessoas com deficiência.
Ou seja, ele faz uso da escrita que, conforme Michel Foucault (2000), em sua obra “O que é um autor” se constitui num jogo de representações as quais, organizam uma determinada imagem do autor, já que:  
“O papel da escrita é construir, com tudo o que a leitura constitui um ‘corpo’ [...] como o próprio corpo daquele que, ao transcrever as suas leituras  se apossou delas e fez sua a respectiva verdade: a escrita transforma a  coisa vista ou ouvida ‘em forças e em sangue’ [...]. Ela transforma-se no próprio escritor, num principio de acção racional”.   
Nesse sentido, a Kica de Castro foi saber mais sobre o Jairo Marques. Ou seja, ela foi saber como ele transforma as coisas que ele vê, ouve e senti “em forças e sangue”? Por que ele usa os termos “malacabados”, “prejudicado do escutador de novela”, “puxador de cachorro”, “time dos que não tem perna” etc. para se referir as pessoas com deficiência?Quem é o publico leitor de seus textos e o que eles acham desses termos?
Eles também falaram do livro que ainda não consegui comprar. Infelizmente o livro ainda não é acessível para os deficientes visuais e nem para quem mora no interiorzão do Brasil sil, sil, sil, como eu, que enfrenta dificuldades na hora de comprar livros. Só nos resta duas opções ou fazer a compra pela internet cujo frete muitas vezes é mais caro que o livro, ou esperar que um dia a livraria de sua cidade venda o livro.
E aí, curiosos para saberem o que ele falou para a Kica de Castro? Querem saber mais sobre esse livro? Então, vejam os vídeos abaixo:


E aí, gostaram da entrevista?Alguém aí já leu o livro? O que acharam dele? Contem para mim, aqui e matem um pouco da minha curiosidade. E caso queiram ver, na íntegra, a entrevista que fiz com Jairo Marques, no ano passado, é só clicar aqui.
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Bibliografia:
FOUCAULT, Michel. O que é um autor? . 4ª edição. Tradução Antônio Fernando Castais; Eduardo Cordeiro Alpiarça: Vargas, 2000. p.143



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Como mulheres com deficiência e limitações nas mãos podem arrumar os cabelos?


Olá meninas! Hoje vou contar para vocês a minha experiência com a escova alisadora. No que se refere ao meu cabelo ele é fino, liso na raiz e um pouco ondulado no comprimento. Entretanto, eu gosto dele sempre liso.
Cabelado escovado e cabelo não escovado

As mulheres que gostam dos cabelos sempre lisos e arrumados recorrem normalmente as seguintes técnicas:
1-Vão ao salão de beleza no mínimo duas vezes por semana;
Quando vou ao Salão Gorete Hair Stylist
2-Arrumam as madeixas em casa mesmo, utilizando o secador e a prancha;
Cabelo arrumado em casa pela minha irmã
3-Optam por soluções mais efetivas, como escova progressiva, inteligente, alisamento, relaxamento, etc.

Quando fazia progressiva
Eu em razão das minhas dificuldades motoras acabei optando, durante anos, por essa terceira solução.Todavia, faz um tempinho que venho sofrendo com uma descamação no couro cabeludo e o dermatologista recomendou uma pausa com esses procedimentos.
Bem, eu entendi mas meu cabelo não. Daí comecei a lutar com as pontas bagunçadas, os fios arrepiados, nós por todos os lados, franja esquisita. Atropelos visuais que somem facilmente quanto vou ao salão, ou quando peço para minha irmã alisá-los com o uso do secador e da prancha.
Ou seja, como eu não tenho habilidade para modelá-lo com a escova, nem alisar com a chapinha sempre fico dependendo de outras pessoas. E por isso, muitas vezes acabo saindo com o cabelo parecido com o da boneca abaixo.
E quando vi a Evelyn Regly apresentando a escova alisadora eu pensei será que meus problemas acabaram?Será possível alisar o cabelo enquanto penteia e com a mesma eficiência de uma chapinha?Bem, apesar dela parecer com uma escova comum de desembaraçar cabelos, ela é bem resistente, bonita, mais leve que esse tipo de secador e bivolt.
Ela também possui um termostato na parte de trás que vai mostrando a temperatura, o máximo que ela esquenta é 230 ºC. Já na lateral se localizam os botões de liga/desliga, aumenta e diminui a temperatura.Eu particularmente achei ruim os botões nesse local pois, quando seguro no cabo as vezes, diminuo a temperatura sem perceber.
No que diz respeito a forma de utilizá-la com o cabelo totalmente seco, separo mecha por mecha e repito em cada uma o movimento de pentear duas ou três vezes.Entretanto, a raiz não alisa de modo satisfatório porque a escova tem o corpo grande e não chega perto da mesma.
Antes de utilizar a escova alisadora
Também a escova não é maleável, daí fica complicado dar algum acabamento nas pontas e obter o mesmo efeito de uma chapinha. Mas, particularmente estou gostando dela pois, deixa meu cabelo sem frizz e eu estou conseguindo deixar meu cabelo arrumado de forma autônoma e independente.
Após terminar de usar a escova 
Assim, para as pessoas que tem a mão ou um dos braços amputados; ou para uma pessoa com tetraplegia incompleta ou que teve AVC e que apresenta limitações nos braços essa escova pode ser uma boa opção.

Alguém mais já usou essa escova? Está gostando?Então conte para mim, conte para nós.E não esqueçam de me acompanhar no Facebook// Instagran// Twitter

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Loja Extra, eu sou deficiente e não otária- Parte 2


Hoje vim aqui para contar a segunda parte da minha história com a Loja Extra, para quem não leu a primeira parte clique aqui. Bem gente depois de muitas dores de cabeça, muitas trocas de e-mail e muita enrolação foi possível tirar as seguintes lições.

1ª Lição
O site Reclame Aqui,é uma ótima referência para saber se uma empresa é confiável e possivelmente uma das estratégias de você deixar de ser apenas um número de protocolo.Para você saber melhor o que é o Reclame Aqui e como ele funciona clique nos vídeos abaixo.
Veja aqui minha reclamação no site e a resposta da Empresa Extra. Mas, o que acho estranho é que desde o primeiro e-mail trocado com eles era informado meus telefones e inclusive cheguei a informá-los que caso me ligassem fizessem isso no turno vespertino. E para minha surpresa essa ligação foi realizada na mesma data em que a Empresa deixou a resposta, no site Reclame Aqui.  Além do mais como eu estava no trabalho no momento em que recebi a ligação não foi possível explicar algumas questões como:
  1. A falta de acessibilidade nas formas de atendimento. Fico imaginando que se, por algum motivo, eu não pudesse digitar o quanto eu teria gastado em ligações interurbanas, para solucionar o meu problema. Já que fiz uso do chat de atendimento cerca de 15 vezes, com todos os problemas que já mencionei no texto 1.
  2. Muitas vezes solicitei o código de rastreamento dos objetos e só foi informado depois de vários e-mail.Acredito que se desde o início tivéssemos acesso a essa informação, muitas dores de cabeça seriam evitadas.
2ª Lição
Cheguei a conclusão após pesquisas no site Reclame Aqui e alguns vídeos na Internet  que o comércio eletrônico brasileiro  ainda tem muito o que melhorar. Como explicou o advogado, Dr. Luis Felipe Silva Freire nos vídeos abaixo.
E como afirmou o advogado as  empresas dão valor as reclamações que chegam as redes sociais. Fiquei aqui imaginando que 1079 pessoas leram meu texto no blog, muitas dessas pessoas com algum tipo de deficiência, parente ou amigo de alguém com deficiência com certeza vão repensar duas vezes antes de comprar algo nessa empresa.
Vão lembrar que várias vezes busquei simples informações como um código de rastreio e foi negada, vão lembrar que meus dois produtos chegaram com atrasos, o primeiro produto que estava previsto para chegar no dia 11/07/2016, chegou com dois dias de atraso. Já o segundo produto que devia chegar no dia 28/07/2016, chegou no dia 03/08/2016.
Será que essas pessoas vão querer passar por situação parecida? Querem saber mais a respeito do consumo das pessoas com deficiência e as oportunidades de negócios que muitos empresários (ainda) desconhecem? Então, clique aqui.

E aí gostou desse post? Então compartilhe, deixe seu comentário e não esqueçam de me acompanhar no Facebook// Instagran// Twitter

E em breve, vou contar com maiores detalhes o que estou achando da escova alisadora.  

sábado, 13 de agosto de 2016

05 Ideias de Presentes para o Dia dos Pais

Dia dos pais chegando e nada mais justo do que homenagear essas pessoas tão especiais nas nossas vidas. E você já sabe o que dar para seu papi? Não? Então, vou te ajudar! Tenham em mente uma coisa, o valor do presente não é o importante e sim a intenção de agradá-lo. Concordam?Pensando nisso organizei uma lista com opções de presentes para os mais diversos gostos e estilos de pais. Vamos conferir?!
1-Cosméticos
Uma ótima opção são os perfumes, colônias, loções pós barbas, sabonetes, etc. Várias marcas fazem kits promocionais como Natura, Boticário, Mahogany, Eudora, Avon. Se seu pai for mais refinado e você estiver com um dindin sobrando nada melhor que presenteá-lo com perfumes importados.

2-Livros, filmes, CDs e DVDs
Seu pai é do tipo intelectual e gosta de ler? Então, a escolha perfeita para ele são os livros. Esse tipo de presente levará seu pai a percorrer novos caminhos, novos mundos sem precisar sair de casa.Agora se seu pai é apaixonado por seriados ou por uma boa música, o presente ideal são os filmes, CDs e DVDs. Vale a pena procurar na Livraria da Folha, na Saraiva, nas Americanas.
3-Vestuário e calçados
Apesar de serem considerados presentes clichês, esses itens podem agradar seu pai, se escolhidos do modo correto.Se seu pai é um homem charmoso, e você está com pouco dindin, uma boa opção são as camisas gola pólo.Já para os que curtem o estilo mais básico, o mocassim é o calçado ideal para o pai que curte utilizar jeans.
Agora se seu pai adora aos domingos jogar aquela peladinha com os amigos ele amará ganhar uma chuteira nova. Já para os que preferem ir à praia, nos finais de semana, uma sunga nova é uma ótima escolha.
4- Cesta
Você pode escolher uma cesta repleta das coisas que ele mais gosta de comer.Se ele gosta de doces, por exemplo, vale a pena apostar numa cesta cheia de chocolates e dos doces favoritos dele.
5-Smartphones
Seu pai é aficcionado por tecnologia? Você está com o orçamento folgado?Então, uma sugestão é surpreendê-lo com um smartphone novo. Mas, se o dinheiro está pouco você pode presenteá-lo com uma capa de celular personalizada com uma foto sua quando era criança.
E aí, que presente você dará para seu paizão, tiozão, avozão? Já para os que acompanham o blog e possuem uma loja virtual,vendem cosméticos,fazem docinhos... Anuncie suas promoções para o dia dos pais aqui.
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*Esse post não é um publieditorial


terça-feira, 9 de agosto de 2016

Na Semana dos Pais, um papo com pais cadeirantes e de primeira viagem



Gente quando fiz a entrevista Conheça a história do  pai de gêmeos, blogueiro e cadeirante uma das perguntas que fiz ao  Alessandro foi quais os desafios enfrentados por um pai, de gêmeos, cadeirante? E ele respondeu:
“Muitos! Como lesado medular, tenho pouco controle de tronco e preciso fazer um esforço maior para segurá-los, além da dificuldade natural de transferência e “velocidade” para atender às demandas deles. Isto não seria problema se eu não sofresse de dor crônica, é esse meu maior desafio, lidar com ela diariamente para não atrapalhar minha relação com eles. Se conseguir minimizar estas dores, o único desafio será mostrar para eles que a diversidade pode conviver tranquilamente com a felicidade!”
Agora imagine os desafios enfrentados por um casal de cadeirantes para cuidar de um bebê. Como será levar duas cadeiras de rodas, um bebê conforto, um carrinho e a bolsa repleta de fraldas, lencinhos umedecidos, chupetas etc?Enfrentaram alguma espécie de desconfiança dos outros sobre a capacidade de terem,  cuidarem e educarem uma criança? Curiosos para saber as respostas dessas perguntas então curtam o papo que bati com o Marcos Zufelato, pai de primeira viagem de uma princesa.
Quem é Marcos Zufelato?
Bem, Marcos Zufelato, é um Corinthiano nascido em Santa Rita do Passa Quatro, SP, interior de São Paulo, que no 4º ano de faculdade sofreu um acidente automobilístico, mais precisamente em 07/06/1997, o qual deixou como resultado uma paraplegia em nível T12/L1. Fiquei um tempinho afastado, 7 meses ao todo, e consegui voltar as minhas antigas rotinas, tanto de trabalho, tanto de estudo. Conclui meu curso em 1998 e desde então sigo uma vida como a de qualquer brasileiro que trabalha, estuda, acerta, erra, etc.
Fale-nos sobre sua deficiência e como você, seus pais, familiares e amigos “digeriram” tudo isso?
Em virtude do acidente relatado fiquei com lesão completa na medula, o que me deixou usuário de cadeira de rodas, desde o dia seguinte após minha cirurgia no HC de Ribeirão Preto já fiquei pensando em como eu iria voltar as minhas atividade numa cadeira de rodas. Claro que eu não queria isso, mas eu tinha que ter um plano A e um B. O A, óbvio, voltar a andar, e o B, retornar a minha vida. Uma coisa que sempre se passou na minha cabeça foi que seu eu caísse, iria levar junto minha família, e isso eu não poderia deixar acontecer. Na época a família de meu pai, a qual eu era mais apegado, só tinham como netos/sobrinhos, eu e meu irmão, e foi um baque muito grande para todos, claro que também aos meus pais. Então, decidi adaptar a minha vida na nova realidade. Para isso tive que provar a todos os familiares que eu tinha condições de ter uma vida normal novamente, e foi o que eu fiz, após 7 meses voltei para Bragança Paulista, cidade onde morava na época do acidente, e de quebra morando sozinho, na verdade com uns amigos, num tipo de república.
Como você conheceu sua esposa?
Minha vida daria um livro de tantas histórias que eu poderia contar, mas de maneira breve.... Após vários anos de cadeirante, minha vida deu uma mudada bastante grande e fui morar em Ribeirão Preto, lá na época vi o anúncio de um novo blog sobre cadeirantes/deficientes, e desde minha deficiência nunca tinha tido contato com outros deficientes, nem por internet. Lendo este blog vi relatos de pessoas que levavam a vida como eu, como qualquer pessoa sem deficiência e isso me atraiu. Pois bem, num certo dia, eu tinha que levar minha avó para São Paulo para fazer uns exames e coincidentemente haveria no mesmo final de semana um encontro presencial de leitores desse blog.
Fui lá ver o que iria acontecer.... Conheci várias pessoas e fiz uma grande amizade com dois em especial, o Zé e o Lúcio. Pois bem, quando após diversas cervejas e grandes risadas eu noto a presença de uma cadeirante linda, toda poderosa, é uma coisa que nunca tinha acontecido antes... Senti uma atração enorme.. Por uma cadeirante!!!! Aí, pergunto aos amigos de copo quem era aquela mulher!!!???
“Vc não conhece? É a Natalia, de Brasília!!! Vc não leu a história dela no blog??”
Claro que eu tinha lido, mas não associei o nome a pessoa.
Cerveja vai, cerveja vem, e fui um dos últimos a ficar e sempre no final de festa as pessoas se aproximam e começam a conversar. Foi a minha deixa!!! Ela se aproximou da roda e como eu já não estava com a língua presa, comecei a tecer elogios para ela, mas os mais ridículos que você possa imaginar....
Até que o povo começou a juntar as mesas e fomos embora. Pedi seu telefone e ela, maldosamente, me deu errado.
Naquele dia fiquei também com o contato da Cybele, salvadora da pátria, que era amigona da Natalia e me passou o contato dela.
Começamos a conversar, muito, até que um dia ela me disse que iria para minha cidade fazer uma prova. Prontamente me disponibilizei para acomodá-la em casa e também em ir buscá-la no aeroporto. Ela aceitou a última. Pois bem, eu tinha apenas uma chance. Sugeri a ela de irmos tomar um chope, em Ribeirão faz um calor danado!!!, e ela topou. O desafio era eu me virar com duas cadeiras de rodas, até então eu usava aquelas cadeiras em X da Ortobras e sempre alguém tirava e colocava para mim no porta-malas.Vencido o primeiro desafio, a noite foi muito divertida e conversamos por horas... Até alguém pedir para irmos embora... Feito isso, no caminho para o hotel ofereci um tour pela cidade e em determinado lugar, fazendo uma curva, de maneira bastante corajosa, dei-lhe um beijo, o qual foi prontamente retribuído. De lá para cá já são mais de 6 anos e muitos outros beijos!!!
Pelo fato de você e sua esposa serem cadeirantes, vocês enfrentaram alguma espécie de desconfiança dos outros sobre a capacidade de terem,  cuidarem e educarem uma criança?
Nunca me disseram nada e também não percebi muito claramente esse tipo de desconfiança, mas isso é implícito quando veem dois cadeirantes e um bebê. A sociedade desconhece a realidade de um deficiente, muito mais ainda de um casal de cadeirantes. Mas no início eu sempre reparava quando as pessoas ficavam olhando nós dois, agora essa “olhada” aumentou exponencialmente. Mas isso não me incomoda, aliás, acho até que serve para mostrarmos que levamos a vida como qualquer outra pessoa.
E como é a sensação de ficar “grávido”?
Inexplicável. Mas posso lhe garantir que é uma sensação incrível. Você ver aquele “serzinho” ir crescendo aos poucos, ir acompanhando cada nova etapa desse desenvolvimento, realmente é magnífico!!! O dom da vida realmente é divino e não tem como não acreditar em Deus, pois a perfeição é incrível!!
E como vocês fazem para levar duas cadeiras de rodas, um bebê conforto, um carrinho e a bolsa repleta de fraldas, lencinhos umedecidos, chupetas etc?
Somos um casal que planeja tudo, sempre fomos assim e isso sempre foi uma marca do nosso relacionamento. Quando decidimos ter um filho planejamos tudo o que você possa imaginar, desde a troca de apartamento, até qual carrinho de bebê comprarmos. Tudo tem seu motivo e sua necessidade. Um exemplo é o carrinho de bebê. Note que a grande maioria dos carrinhos são baixos, mesmo com o bebê conforto. Como não temos equilíbrio de tronco suficiente para pegar algo baixo e subir sem precisar de apoio, precisaríamos de um carrinho alto suficientemente para que tanto eu, quanto a Natalia, pegássemos o bebê com as duas mãos sem o perigo de perder o equilíbrio.Procuramos e achamos, e posso lhe garantir que foi perfeito!!! De uma maneira geral, eu coloco o carrinho e a cadeira da Natalia no porta-malas, o bebê conforto fica atrás do banco passageiro, a Natalia vai também no banco de trás, para eventualmente auxiliar o bebê em alguma coisa e eu coloco minha cadeira no banco do passageiro na frente e as rodas atrás do banco. Tudo o que planejamos em termos de cadeiras, bebê, carrinho, etc. Esta dando certo, mas foi muito bem pensado antes, mas cada caso é um caso, né. Outro casal pode ter outras necessidades ou outras facilidades.

E como é o quarto de um bebê cujos pais são cadeirantes?Vocês precisaram fazer alguma adaptação? E como são essas adaptações?
É um quarto comum, não precisamos fazer nada de adaptação, a única coisa que não é o convencional é  trocador da Rafaela que não fica numa cômoda, pois fizemos uma mesa para entrarmos com as pernas embaixo dela, como uma mesa de escritório. O resto é tudo exatamente como um quarto de bebê cujos pais são  “andantes”.
Você é um pai participativo, ou seja, troca faldas, levanta-se durante a noite quando ela chora, dar banho, etc?
Sim, 100% participativo. Peguei um atestado de acompanhamento e ficarei em casa 30 dias após a licença paternidade, para poder justamente fazer tudo o que for possível em relação a Rafaela e também para a mamãe. Dou banho, troco fraldas, coloco para rotar, faço dormir, dou banho de ofurô. Etc. E faço com um prazer enorme!!!!



Que mensagem você deixa para os leitores e leitoras desse blog?
Difícil essa.... Vou tentar... A deficiência me limitou sim, mas não a deixei tomar conta da minha vida. Desde o dia que fiquei na cadeira de rodas eu decidi continuar a minha vida, mesmo que fosse nessa cadeira e é o que a Natalia também faz, ela ainda teve o revés quando criança, eu já tinha 23 anos. Então não torne a deficiência  sua limitação intransponível, busque uma maneira de lidar com ela e leve uma vida como outra pessoa qualquer, claro que falar é fácil, mas se você não tentar, nunca irá conseguir. O “não” você já tem, busque o “sim”. Uma outra mensagem que digo é uma que sempre falei: não faça da sua deficiência seu meio de vida.
Marcos, muito obrigada por compartilhar sua história e por nos alimentar com a sua mensagem. E um feliz dia dos pais para vocês! Já para a princesinha, como se diz aqui no Nordeste, um cheiro no cangote!!

E aí gostou do post? Conhece algum casal com história parecida?Conte para mim, conte para nós… AQUI.RISO.gif
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