sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Uma 'pop up store' para cadeirantes


Gente, o momento que o país vem passando tem trazido muitas aflições e preocupações para muita gente, principalmente para aquelas que perderam o emprego. Mas, vocês sabiam que essa realidade é bem comum ao longo da vida de muitas pessoas com deficiência já que muitas estão desempregadas?
Elizeu Casemiro
O site do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, ao comentar um artigo do jornalista Jairo Marques enfatizou que “(...) a obrigatoriedade de empresas com mais de cem empregados contratarem pessoas com deficiência ainda está longe de cumprir a meta, seja por falta de qualificação profissional dos deficientes, seja por resistência das empresas. A falta de qualificação é uma consequência do preconceito e da falta de políticas públicas de educação, transporte e saúde (...)”.
Também é importante destacar que as empresas não aceitam horários flexíveis ou trabalho em casa e diante dessa realidade muitas pessoas com deficiência acabam tendo que optar pelo mercado informal.Quem não lembra da fama instantânea de Elizeu Casemiro?
Segundo o G1, ele foi fotografado por um “[...] empresário campo-grandense que relatou o fato de Casemiro ter vendido um pacote de balas mesmo sem receber do empresário o valor de R$ 1. Surpreso com a humildade e alegria do cadeirante, o homem compartilhou a experiência na rede social e disse ter tido o prazer em conhecer uma pessoa como o vendedor ambulante”.Casemiro era cobrador de ônibus  e após uma queda em casa, o mesmo teve que ser afastado do emprego e começou a passar por dificuldades financeiras. Daí seu irmão sugeriu que ele fosse vender balas nas ruas.
Infelizmente essa é a realidade de muitas pessoas com deficiência e chamou a atenção do aluno Walquinay Nunes. Ele está no último ano da graduação de design de produtos na Universidade Fumec em Belo Horizonte- MG e me enviou um e-mail falando que após observar a existência de muitos cadeirantes nas ruas tentando vender algum produto teve a ideia de desenvolver uma 'pop up store' ou loja portátil no qual possa ser acoplada na cadeira de rodas e depois transformada em expositor para venda de algum produto.
Quando eu recebi o e-mail fui pesquisar mais sobre o assunto e achei a seguinte notícia na internet Projeto de lei amplia atuação de ambulantes com deficiência física em BH que nos informam que “o número de deficientes físicos que vendem produtos nas ruas da capital poderá aumentar. Nos próximos dias, chega às mãos do prefeito Marcio Lacerda um projeto de lei que autoriza pessoas com qualquer tipo de deficiência a se tornarem ambulantes na cidade. Hoje, apenas cegos, com os produtos no colo, são licenciados para trabalhar nas ruas”.
Ainda na opinião  do autor do projeto de lei, consiste numa “[...] forma de criar oportunidades de trabalho em momento de crise. ‘É uma questão de inclusão. O que fomenta o avanço dos camelôs é o desemprego’. Para ele, o projeto não favorece mais ambulantes nas ruas. ‘Apenas regulariza uma atividade existente’”.
Diante dessa realidade Walquinay Nunes pretende tornar o projeto acessível através do financiamento coletivo (crowdfunding) e disponibilizar a todos os interessados.Mas, para isso ele precisa de algumas informações e criou um questionário. Daí se você conhece algum cadeirante que trabalha como ambulante, compartilha esse post com ele para que ele possa responder o questionário que se encontra aqui.

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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Relatos de uma invasão no RN


Gente, eu queria pedir a todas as pessoas que acompanham meu blog, a todos os estudantes e jornalistas que já me pediram entrevistas, professores que me convocaram para que eu fosse lá na escola curtir, compartilhar e comentar algumas informações com eles e com os alunos enfim, todos os meus amigos e inimigos que façam o post de hoje circular mais que motorista de busão!
Vocês lembram, que eu falei aqui que o Movimento SuperAção iria promover a Primeira Semana da Pessoa com Deficiência do RN, né?! Infelizmente eu não pude ir mas, alguns amigos me enviaram fotos e me relataram como foi o evento.
Para começo de história quando vi a foto desses dois, meu coração bateu forte e o fofurômetro  do natal acessível já tinha explodido fazia muito tempo. Ela toda estilosa e ele com uma carinha de menino levado nos revelam que eles só precisam de condições um pouco diferentes para serem felizes, né?!
E quando vi essa foto logo imaginei que minha amiga Benomia, onde ela estiver, deve ter ficado muito feliz em ver suas amigas parando o trânsito e dando continuidade ao Fórum Mulheres com Deficiência de Mossoró e Região- Benomia Rebouças.
Meu amigo Daniel Silva relatou que, a primeira Semana da Pessoa com Deficiência do RN, “[...]foi bastante produtiva e o trabalho de conscientização foi muito bem feito. Todavia, senti[u] falta de um amadurecimento da cidade, por uma questão social, ainda não conseguimos chamar a atenção de outras pessoas que não estejam ligadas ao movimento.
Ele ainda relatou que essa semana, “[...] foi um marco na história das Pessoas com Deficiência no estado e crê que não podemos regredir mais, é fazer outros eventos, não deixar a história morrer, cobrar, se juntar mesmo. Para quem sabe um dia tenhamos um estado alerta para nossas questões.”Ou seja, para ele todos sem distinção de cor, orientação sexual, idade, classe social, deficiência devem se unir, senão nunca haverá inclusão.Riso
Já o Paulo que além de me conceder várias fotos do evento, me falou que “essa foi uma semana de muitas vitórias para nossa classe.Abre-se um leque de oportunidades em prol da luta e defesa da Pessoa com Deficiência do RN”.
Uma outra pessoa que também participou do evento e veio me contar o que viu e sentiu, durante essa semana foi a, Marliene Farias, Presidente do Conselho Estadual de Saúde do RN.
Ela contou que durante a Passeata motoristas e pedestres, (ao verem pessoas andando de um lado para outro em suas cadeiras de rodas, pessoas com deficiência visual conversando e sorrindo com pessoas que usam muletas, próteses etc.),elogiavam o fato das pessoas com deficiência estarem ali mostrando a cara e correndo atrás dos seus direitos por um país mais acessível.
Então, é isso nos ajude a chamar a atenção de mais pessoas para essa causa.Compartilhe esse texto com seus amigos, colegas de trabalho e venha juntamente com eles fazer parte dessa luta.E que tal me acompanharem no Facebook// Instagram// Twitter e conhecerem a história de algumas pessoas que aprenderam a transformar suas limitações em simples detalhes,hein?!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O descaso com o dinheiro público e com as pessoas com deficiência no RN

Gente, conviver com uma deficiência além de ser desafiante é caro pra chuchu. Para quem não sabe precisamos de barras de apoio, cadeira de rodas, sem falar que muita gente precisa gastar uma nota com sonda, medicação e com um transporte pois, nem sempre há ônibus acessível para onde precisamos ir e temos de pegar táxi.

E como tudo isso é muito caro e as pessoas com deficiência e suas famílias, em geral, são vulneráveis socialmente o Sistema Único de Saúde tem por obrigação fornecer cadeira de rodas, órteses e próteses necessárias para sairmos por aí.dancing.gif
Quem me falou isso foi o fisioterapeuta do Hospital Sarah, onde faço tratamento de reabilitação. Ou seja, no popular ele disse “se você necessita de algo a mais para ser igual a todo mundo, nada mais justo do que parte dos impostos que você e sua família pagam sejam destinados a sua qualidade de vida.”
Ele também me explicou que a cadeira que eu estava utilizando era desproporcional para mim pois, como sou pequena e magra, a cadeira “brilhava” mais que eu… E quem deve brilhar sou eu porque ela é só um acessório...Ele também me falou que existem diferentes modelos é que a cadeira é como calça jeans, por exemplo, como uso 38, a cadeira também será tamanho 38. E que uma cadeira sob medida além de promover boa postura, evita dores nas costas e diminui o esforço na hora de tocar a cadeira.
Depois dessa explicação ele tirou as minhas medidas e me entregou uma receita para que eu pudesse solicitar minha cadeira.Bem, ao chegar em casa peguei meus documentos pessoais, meu cartão do SUS e a receita com todas as minhas medidas e fui solicitar a cadeira no Posto de Saúde do bairro. Lá foi um pouco complicado, porque o pessoal do posto era um pouco desinformado sobre esse assunto mas, a Agente Comunitária chamou a Assistente Social que veio dias depois à minha casa, levou minha documentação à Secretaria de Saúde do Município e depois de mais uns dias ela me informou que eu tinha que me deslocar até o  Centro de Referência em Reabilitação - CER (antigo Centro de Reabilitação Infantil- CRI), em Natal.
Ao chegar lá entreguei toda a documentação e fui informada que podia demorar.Eu naquele momento pensei como estamos no mês de janeiro e no Brasil tudo só funciona depois do carnaval provavelmente, em junho ou como se diz, aqui, no mês das fogueiras, das comidas de milho e das quadrilhas já estarei com minha cadeira.
Mas, junho passou, chegou o dia das crianças, Natal e o Papai Noel não trouxe minha cadeira. E olha que eu fui uma “minina” boa.InocenteEm janeiro de 2015 o encaminhamento fez um aninho com direito a bolo e vela para apagar.E meses depois descobri que outras pessoas também tinham solicitado uma cadeira de rodas e algumas delas já tinham apagado a vela dos dois aninhos.
Eu sempre ligava para o Centro de Referência em Reabilitação - CER (antigo Centro de Reabilitação Infantil- CRI), e eles falavam que ainda não tinha chegado, que houve um problema com a licitação e que eu tinha que aguardar.A última vez que liguei me falaram que havia chegado 1500 cadeiras de rodas e eu perguntei:“-Moça, a minha chegou?”
Ela pediu meus dados e falou que ia verificar. Enquanto eu aguardava já comecei a pensar num nome legal para colocar na minha cadeira.Mas, a moça ao voltar me disse: “-Minha filha sua cadeira, infelizmente, não veio.”Gente, aquilo foi um balde de água fria.Nervoso
Daí essa semana recebi por meio de um grupo no Whatsapp a seguinte notícia num blog:“O Centro Especializado em Reabilitação do Rio Grande do Norte (CER III), antigo CRI (Centro em Reabilitação Infantil/Adulto), começa nesta terça-feira (20), a partir das 8 h, a entrega das 70 primeiras cadeiras de rodas a pacientes de Natal que se cadastraram, na unidade, no período de 2012 a meados de 2014.O evento faz parte da programação da ‘Semana da Pessoa com Deficiência’.Ao todo, serão 1500 cadeiras [...] entregues [...] A SESAP montou uma estratégia de comunicação aos usuários através dos correios e contato telefônico [mas] está enfrentando dificuldades para localizar algumas pessoas contempladas[...]”
Já deu para perceber, né, que muitas dessas pessoas não serão localizadas, também muitas das cadeiras destinadas às crianças e adolescentes não servirão mais pois, eles cresceram.Ou seja, essa demora significa para mim e para muitos potiguares de certa forma a nossa prisão e exclusão social.
Isso porque uma cadeira adequada significa liberdade. Liberdade para irmos assistir aula, trabalhar, praticar esportes, namorar, viajar enfim viver. E por fim, mas não menos importante essa demora significa que muito dinheiro público está sendo jogado no ralo.
Daí, deixo as seguintes perguntas: Até quando uma pessoa com deficiência vai ter que adiar seus projetos de vida (estudar, trabalhar, viajar, namorar)? Quando seremos livres para sairmos por aí, usando nossas cadeiras de rodas? E quando o nosso dinheiro público será respeitado?

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sábado, 17 de setembro de 2016

Vamos à luta RN!


Gente, essa semana a terra que viu nascer Clodoaldo Silva, Oscar Schmidit, Virna e o apresentador do Fantástico Tadeu Schmidit verá lutadores cegos, surdos amputados e paraplégicos subindo no ringue porque a coisa está feia…
Parece mentira mas, o estado brasileiro que possui o maior percentual proporcional com pessoas com deficiência sofre com a lentidão da entrega das cadeiras de rodas, em média, dois anos e meio para essas pessoas saírem do Centro de Referência em Reabilitação - CER (antigo Centro de Reabilitação Infantil- CRI), em Natal com suas cadeiras.
Está de queixo caído, né? Calma! Tem maaais… afinal de contas enquanto, a maioria dos potiguares sem deficiência comem um dobrado para pegar um busão e chegar à escola, à faculdades, ao supermercado etc.,  pessoas com deficiência comem pregos.
Você acha que está ruim? Pois, tem coisa pior!Afinal de contas, se em Natal há poucos ônibus adaptados imagine a situação de um cadeirante que mora numa cidade do sertão potiguar sem nenhum busão adaptado.
Outro ponto assustador são as inúmeras ruas sem nenhum tipo de pavimento, calçadas repletas de buracos, ausência de guias rebaixadas, piso tátil, semáforo com sinal sonoro e a exclusão do mercado de trabalho dificultando que esse povo viva em sociedade e fale em respeito aos direitos da diversidade. Assim, antes que o buraco da exclusão se torne uma cratera o Movimento SuperAção promoverá a Primeira Semana da Pessoa com Deficiência do RN.
O Movimento SuperAção é uma entidade que nasceu em São Paulo, no ano de 2003, em defesa da diversidade e dos direitos das pessoas com deficiência e se expandiu pelo Brasil. E como dia 21/09 é o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, o Movimento SuperAção vem nos lembrar que a Luta tem que ser diária, em todos os setores e de forma sistemática.  
E aí você irá? Conhece alguma pessoa com deficiência? Então, que tal dá uma carona até os lugares do evento?! E aproveita faz aquela selfie e me marca lá nas redes sociais Facebook// Instagran// Twitter para aparecer aqui no blog.
*Mais informações, sobre o evento, clique aqui.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Os segredos de um jornalista e escritor malacabado


Gente lembram que eu falei aqui que eu estava louca para comprar um exemplar do livro do repórter e colunista da Folha de São Paulo Jairo Marques? Pois é, eu consegui comprar o livro “Malacabado-A história de um jornalista sobre rodas” pelo site da Livraria Saraiva e hoje vim falar minha opinião sobre a obra.
Ele inicia o livro citando a seguinte frase do fotógrafo Evgen Bavcar, que é cego, “Não devemos falar a língua dos outros, nem utilizar o olhar dos outros, porque, nesse caso, existiremos através dos outros. É preciso tentar existir por si mesmo.”
Segundo Jairo Marques a frase constitui o coração da obra na qual o autor narra detalhes da sua vida. Ele nasceu em Três Lagoas-MS e perdeu os movimentos das pernas e parcialmente do braço esquerdo, em decorrência da poliomielite.
Na obra ele traz relatos inéditos de seu cotidiano com o objetivo de levar as pessoas a refletirem sobre os desafios e percalços enfrentados pelas pessoas com deficiência.Assim, logo no título o autor provoca o leitor ao utilizar “a palavra malacabado, espécie de corruptela de ‘mal-acabado’, é uma galhofa, uma provocação à falsidade disfarçada em discurso politicamente correto, que abraça e chama alguém de ‘especial’ diante de uma plateia, mas golpeia a cidadania pouco a pouco, nas várias situações em que ela precisa verdadeiramente ser representada e respeitada com inclusão, com acesso, com todos juntos.”
Daí ele afirmar que “assumir-se malacabado é, ao mesmo tempo, consequência do cansaço diante de uma sociedade que cobra perfeição em seus mais diversos setores e um chamamento à realidade: existirá alguém que possa dizer-se inteiramente acabado, feito por completo, perfeito? Quem representaria o modelo de serumano irretocável em caráter, em contentamento de alma, em formas e beleza?”
Assim, ao contar histórias de sua vida, ele narra detalhes de seu cotidiano, com a pretensão de falar de olhares, ou seja, como os olhares dos outros interferiram na vida dele, reunindo as mais diversas sensações.
Dessa forma, não tem como o leitor não se comover quando Jairo Marques relata o frio e o medo que sua mãe sentiu ao sair do interior do Mato Grosso do Sul para São Paulo, numa noite do mês de julho de 1975,  com seu filho muito doente.João, o taxista, “agiu movido pela consciência de tentar salvar um bebê. Madrugada adentro, dirigiu quase 700 quilômetros em velocidade escandalosa para a rodovia Marechal Rondon, em frangalhos.Nos braços de minha mãe, eu era uma dúvida.”
E como não sentir uma tremenda aflição quando ele relata que ao chegarem na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo sua mãe teve seu filho retirado de seus braços. O fato de “desgarrar as crias de suas mães era o protocolo exigido, pois o vírus continuava a destruir o corpo do bebê e era preciso realizar cuidados urgentes e minuciosos. Entre eles, deixar a criança no interior do ‘pulmão de aço’ [...]”
Depois de quase dois meses internado eles voltam para casa.Sua mãe repleta de perguntas, indefinições e traumas prefere se trancar em casa com toda a família a encarar os olhares e questionamentos dos curiosos de plantão.Até que um certo dia a porta foi aberta dando início “[...] as caravanas de solidariedade até a casa humilde, com pessoas verdadeiramente solícitas e outras apenas tementes a Deus.”
Anos depois sua mãe chorou bastante quando o médico do hospital Sarah Kubitschek, de Brasília, explicou que ele jamais conseguiria recuperar os movimentos perdidos. “A partir de então, começava uma nova maneira de olharmos para a frente, de planejarmos o futuro.” Assim, suas lembranças da primeira infância remetem ao tratamento de reabilitação e a vida escolar. Daí ele se remeter a ausência de rampas, elevadores, portas largas e a dificuldade de transitar pelas ruas de terra para chegar à escola.
Ele estudou a maior parte de sua vida em escola pública mas, por ter boas notas conseguiu uma bolsa de estudo para cursar o ensino médio em uma escola privada. Mas, foi quando li sobre a atitude insensível e preconceituosa da diretora dessa escola que meu estômago embrulhou.
Já quando ele fala dos amigos como não perceber a importância deles na sua vida.Daí ele afirmar que Alessandro, Humberto, Douglas, Cássio, Daniel, Clodoaldo “[...] foram inconscientemente responsáveis pelo fato de eu me ver como uma pessoa comum, com capacidades, fraquezas e desafios variados pela frente.”
Mas, me maravilhei mesmo foi com as viagens nacionais e internacionais realizada por ele a bordo de uma cadeira de rodas. Cadeira essa que não o impediu de fazer coberturas bem difíceis, por exemplo, quando ele cobriu um blackout em Florianópolis.
Uma outra parte do livro que eu adorei foi quando ele mostrou seu lado cachorro com as mulheres. No capítulo De cueca pela madrugada, vou confessar que me diverti horrores quando ele relata a vingança da ex-namorada que o deixa numa situação bem constrangedora numa cama de um hotel.
Enfim, vários motivos  me levam a indicar a leitura desse livro entre eles: a sua forma irreverente de escrever sobre a diferença para revelar que na verdade somos todos iguais; tratar o tema da deficiência de modo leve e inusitado e chamar a atenção para a necessidade de olhar e entender mais o outro, compreender que o outro precisa de acesso.

Então é isso minha gente, foi só um resuminho.Espero que tenham entendido e se quiserem saber mais segredos da vida desse jornalista malacabado vai lá na livraria e compra o seu! E vamos fofocar lá nas redes sociais Facebook// Instagran// Twitter
Imagens do Google*

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Cadê o xampu dos atletas paraolímpicos?



Gente, a autora do blog Deficiente Ciente chamou a atenção  para o fato da abertura dos Jogos Paraolímpicos não mobilizarem um número considerável de elementos midiáticos que lhes dê a mesma visibilidade dos Jogos Olímpicos. 
Nesse sentido, a autora afirma que o espaço que os Jogos Paraolímpicos precisam na mídia é muito maior e um dos motivos que justifica os limites da cobertura oferecida aos jogos e aos atletas paraolímpicos: "[...] é da audiência e também por causa do preconceito.Penso que eles acreditam que mostrar pessoas sem braços, pernas, com deformidades e deficientes visuais... é chocante e não vai dar audiência.Contraditoriamente essas mesmas emissoras ficam discursando a inclusão em seus programas. Mas, uma vez eu repito, a inclusão não é algo que se fala, mas algo que se vive. É considerar a existência do outro! É responsabilidade social! ”
Ou seja, esse pequeno espaço ocupado pelos Jogos Paraolímpicos na mídia revela o que a sociedade deve ver daí a autora Roseli Belmonte Machado afirmar em sua dissertação que  “As sociedades e culturas em que vivemos são dirigidas por poderosas ordens discursivas que regem o que deve ser dito e o que deve ser calado e os próprios sujeitos não estão isentos desse efeito”
Também é notável que não há um grande interesse por parte da imprensa tradicional em mudar seu discurso em relação as pessoas com deficiência, ou seja, daí ser comum vermos nos noticiários da TV, no jornal impresso e nos programas de auditório histórias de pessoas com deficiência relacionadas a doenças, dramas e dores profundas.
Também não é frequente vermos um atleta sem braços, sem pernas ou paraplégico que superou seus limites como ser humano e ganhou inúmeras medalhas como um Clodoaldo da Silva ou um Daniel Silva fazendo propaganda de xampu como Neymar ou de uma universidade privada como o Guga.
É inegável que durante os Jogos Paraolímpicos a história de alguns desses medalhistas estão sendo contadas mas, isso não é suficiente para gerar um impacto positivo em relação a inclusão das pessoas com deficiência.
O que causa transformação é uma informação mais rotineira é mostrar, por exemplo, que um atleta sem braços conseguiu subir o pódio apesar da falta de patrocínio; é também mostrar as dificuldades enfrentadas por um cadeirante para frequentar as aulas, conseguir um lugar no mercado de trabalho etc. Ou seja, é preciso que a imprensa aprenda a mostrar a realidade das pessoas com deficiência.
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Quer saber quem são os 20 atletas paraolímpicos mais bonitos da Rio 2016? Então, clique aqui e confira lá na página do blog. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Por que a palavra superação foi substituída por adaptação nos Jogos Paralímpicos?


Gente amanhã (07/09/2016), acontecerá a abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Mas, diferente dos Jogos Olímpicos, quando a abertura narrou a história do Brasil, as Paralimpíadas terão como tema “O coração não conhece limites”.
Marcelo Rubens Paiva um dos diretores criativos do evento mencionou que o termo superação, e por consequência sua significação, foram substituídos pela palavra adaptação.Nesse sentido, que limites são esses mencionados no tema da cerimônia? E por que a palavra superação foi substituída por adaptação?
Uma forma de encontrarmos as respostas dessas perguntas é sabermos como a prática do esporte adaptado surgiu na vida das pessoas com deficiência? Como historiadora resolvi debruçar-me sobre alguns escritos que trazem a história dos Jogos Paralímpicos, bem como consultei alguns sites entre eles o do Comitê Paralímpico Brasileiro.
De acordo com a dissertação de Roseli Belmonte Machado, “[...]o primeiro registro de esportes que incluíram pessoas com deficiência, remonta ao ano de 1918, na Alemanha. Eram competições de tiro e de arco e flecha em que participavam soldados mutilados na primeira Guerra Mundial. O segundo registro[...] ocorreu em 1932 na Inglaterra, onde foi criada uma Associação de Jogadores de Golfe que possuíam um único braço”.
Mas, o início do esporte adaptado oficialmente se deu ao final da segunda Guerra Mundial quando muitos ex-combatentes voltaram para seus países de origem mutilados ou com lesões na coluna vertebral. Daí Roseli Belmonte Machado, afirmar que “[...] a grande expansão, de esportes para pessoas com deficiência ocorreu com base em uma das leis do mercado, a lei da oferta.” Nesse contexto muitos desses ex-combatentes eram enviados para um centro de reabilitação de Stoke-Mandevile, interior da Inglaterra.
Segundo José Carlos Morais, o neurocirurgião Ludwing Gutman teve “[...] a ideia de pôr pessoas que se locomoviam em cadeiras de rodas- num primeiro momento, 16 ex-combatentes das Forças Armadas Britânicas - praticando basquete e tiro com arco. A partir daí, a reabilitação por meio do esporte começou a se tornar conhecida em todo o mundo.” Nesse sentido, em paralelo aos Jogos Olímpicos de Londres no ano de 1948, aconteciam em Mondeville. Como nos lembram as autoras do artigo O voleibol sentado: uma reflexão bibliográfica e histórica, “[...] os jogos de Mondeville foram fundados para paraplégicos completos e incompletos, onde várias classificações possuem um padrão para especialistas determinarem onde cada atleta será classificado.”
Mas, foi no ano de 1952 que aconteceram os primeiros jogos internacionais e segundo  Roseli Belmonte Machado em “[...] 1960, os jogos para pessoas com deficiência passaram a acontecer na mesma cidade das Olimpíadas, porém sempre após os jogos Olímpicos já terem ocorrido.” A autora ainda destaca que os “[...] Comitês e Organizações [...] ‘regulam e controlam’ a participação ou não de atletas, países e modalidades esportivas. O principal deles é o Comitê Para[o]limpíco Internacional, com sede em Bonn, na Alemanha, o qual é representado pelos Comitês Para[o]límpicos Nacionais em cada país.”
No Brasil, o esporte adaptado surgiu no ano de 1958 com a fundação de dois clubes esportivos (um no Rio e outro em São Paulo). E apesar de nos últimos anos, o esporte adaptado ter evoluído o mesmo ainda é desconhecido por muitas pessoas com deficiência e sem deficiência graças ao preconceito e a carência de ações governamentais que auxiliem a real inclusão destas pessoas no seio da sociedade.
Segundo o site do Comitê Paralímpico Brasileiro os jogos Paralímpicos reúnem competições esportivas em 23 modalidades, mas algumas possuem uma subdivisão que passam por uma classificação médica e funcional.Nesse sentido como afirmou Roseli Belmonte Machado, pelo “[...] próprio fato de a   Comissão ser composta por profissionais da saúde, que avaliam as possibilidades físicas dos atletas, categorizando­, vai novamente remeter os Jogos ao  significante de doença e “superação”, isso porque os desportistas permanecem em  um lugar não esperado para eles”.
Desse modo, para a autora Roseli Belmonte Machado a palavra superação tem significados diferentes nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.No primeiro o atleta é visto, pensado e  “[...] narrado como aquele que supera seus limites de ser humano e se torna perfeito ou superior”. Já nas Paralímpiadas os atletas aparecem “[...] em um lugar que até então parecia estar vedado   para eles. Talvez esse seja um dos motivos que fazem com que as Para[o]limpíadas estejam no “jogo”, mas em um lugar desvalorizado, um lugar de outro, um lugar de anormalidade”.  

E aí, vocês entenderam o motivo do Marcelo Rubens Paiva ter substituído a palavra superação por adaptação? E vocês sabem por que os jogos Olímpicos não possuem a mesma visibilidade que os Jogos Paralímpicos? E por que os Jogos Paralímpicos não mobilizam um número considerável de elementos midiáticos?E quais suas expectativas para os Jogos Paralímpicos 2016? Conte para a gente!E não esqueçam de me acompanhar no Facebook// Instagram// Twitter

domingo, 4 de setembro de 2016

Sabrina Petraglia e os desafios de Shirlei: "Pouco se fala do preconceito com deficiente físico"

A atriz compara a personagem de 'Haja Coração' à Cinderela e conta que planeja se casar com o namorado, com quem vive um relacionamento à distância

Uma jovem doce, batalhadora, mas com a autoestima abalada pela deficiência na perna que a faz mancar. Não correspondida pelo homem por quem era apaixonada, ela se encanta pelo bom moço lindo e bem sucedido. O enredo com ares de conto de fadas tornou Shirlei (Sabrina Petraglia) uma das personagens mais queridas de Haja Coração. E surpreendeu sua intérprete.
“Muitos adolescentes estão me escrevendo, é um carinho muito bom. Principalmente para quem está começando na TV. Muito se fala do preconceito racial, sexual... mas pouco se fala do preconceito com deficiente físico”, conta Sabrina. Com longa trajetória no teatro, a atriz tinha se destacado até então como a Itália em Alto Astral. "Todo mundo torce pelo Felipe (personagem de Marcos Pitombo), o Zé Loreto (Adônis) está até chateado, diz que não está acostumado a ser rejeitado", entrega aos risos.
A preparação para a personagem fez Sabrina sentir na pele o que passam Shirleis Brasil afora. Ela caminhou usando uma botinha ortopédica pelas ruas de São Paulo e colecionou olhares curiosos. “Todo mundo olha. É impressionante, eu não estava acreditando. Queria que as pessoas não me vissem, queria ficar invisível. Depois eu fiquei com raiva”, lembra a atriz, que trocou São Paulo pelo Rio de Janeiro para a novela.
Enquanto se dedica à nova fase no trabalho, ela também planeja o casamento com o namorado, Ramón Velazquez, para quando ele voltar a morar no Brasil – há quase três anos ele se mudou para o Chile a trabalho e eles mantêm o relacionamento à distância. “Se eu não tivesse uma profissão que amo tanto eu já teria ido pra lá”, admite.
A boa fase na vida amorosa deve chegar para Shirlei também, que pode virar centro de um triângulo amoroso entre Felipe e Adônis. E para quem vai a torcida de Sabrina?
Confira o bate-papo!
- A torcida pela Shirlei e o Felipe é grande. Esperava por isso?
A história em si é muito boa, uma história de conto de fadas, quase uma adaptação de Cinderela. Achei que o pessoal ia gostar, que teria boa aceitação, mas não esperava que fosse tanta. Um pouco antes do Felipe colocar a botinha no pé dela a hashtag 'shirlipe' viralizou, levei um susto, nunca vivi isso. Estou surpresa e superfeliz. Muitos adolescentes estão me escrevendo, é um carinho muito bom. Principalmente para quem está começando na TV.
- O que as pessoas te falam?
As pessoas torcem para que ela seja feliz. Muito se fala do preconceito racial, sexual... mas pouco se fala do preconceito com deficiente físico. Converso com muitas Shirleis. Ela é muito batalhadora, o problema não a limita em nada. Ela sofre porque nunca beijou na boca e ela tem desejos femininos. Todo mundo torce pelo Felipe, o José Loreto está até chateado, diz que não está acostumado a ser rejeitado (risos). Pelo que a gente está recebendo agora (capítulos), acho que o Adônis vai começar a olhar a  Shirlei de um jeito diferente. Ela é a única pessoa que enxerga o lado bom que nem ele sabe que tem.
- E a sua torcida é para o Adônis ou o Felipe?
Eu amo os dois. Tanto o Loreto quanto o Marcos Pitombo são parceiros maravilhosos. Acho que pela história, ela teria que ficar com o Felipe, é o grande amor dela. Mas não tenho uma torcida declarada.
- Na sua preparação para a personagem você andou com botinha ortopédica pelas ruas de São Paulo. Como foi essa experiência?
Fiquei dois meses estudando com minha professora de preparação corporal, a Tica Lemos. Comecei a procurar grupos de deficientes, meninas que têm o mesmo problema e vi que muitas usavam sapatos adaptados. Mandei fazer uma botinha ortopédica e fui pra rua. A reação é a mesma: todo mundo olha. É impressionante, eu não estava acreditando. É real. Aí começaram a surgir os sentimentos da Shirlei. Primeiro eu queria falar que era atriz, o ego grita. Depois eu queria que as pessoas não me vissem, queria ficar invisível. Depois eu fiquei com raiva. Então fui aceitando. Eu estava com caderninho, fui anotando os sentimentos. Acho que colori a Shirlei com essa experiência.
- Que papéis você ainda sonha em fazer?
Quero bons papéis, não importa se for mocinha ou vilã. Tenho vontade de fazer uma vilã dissimulada, gêmeas, uma louca, uma drogada, essas coisas que me agregam. Estou muito feliz com a Shirlei porque, além da novela, estou em contato com um mundo que me tira do vazio do glamour. Tem uma coisa humana, gosto de personagens humanos. O que eu mais quero fazer são personagens com profundidade. As pessoas me escrevem histórias e mais histórias nas redes sociais, é esse retorno que me motiva. Estou muito sozinha aqui no Rio, decoro o texto e vou gravar. O que me aquece é esse contato com o público.
- Além de estar longe da família, você vive um namoro à distância, né? Como é?
Meu namorado mora no Chile, estamos há quase cinco anos juntos. Temos benefícios de passagem, então a gente se vê a cada 15 dias, mas ele pretende voltar para o Brasil pra gente construir uma família por aqui. Estamos há dois anos e oito meses nessa ponte área. Quando ele vier vamos casar. Acho que vai ser bem em breve, talvez ano que vem. Já passou da hora (risos). Se eu não tivesse uma profissão que amo tanto eu já teria ido pra lá, mas não consigo deixar o Brasil. Sempre fiz teatro, foi muito difícil, agora estou começando na TV, amo o que faço.
- Você sonha em ter filhos?
Sim. Graças a Deus a medicina está avançada e vou poder ter perto dos 40, porque agora não vai dar. Quero voltar para o palco porque acho que o palco me abastece. Quero focar nisso e no casamento.
- Você tem 33 anos, a Shirlei é bem mais nova, né?
Ela tem 24. Deus foi generoso comigo. Acho que por eu ser mignon e por usar protetor e não tomar sol no rosto há 12 anos, não aparento a idade que tenho, ainda posso viver personagens um pouco mais jovens. Estou numa fase da minha vida de agradecer muito. Ao Daniel Ortiz (autor da novela) por essa personagem, ele me viu muito no teatro e acreditou em mim. Ao Silvio de Abreu também por me deixar fazer a personagem que ele criou emTorre de Babel. Sou muito grata
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Fonte: Revista Caras