sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O descaso com o dinheiro público e com as pessoas com deficiência no RN

Gente, conviver com uma deficiência além de ser desafiante é caro pra chuchu. Para quem não sabe precisamos de barras de apoio, cadeira de rodas, sem falar que muita gente precisa gastar uma nota com sonda, medicação e com um transporte pois, nem sempre há ônibus acessível para onde precisamos ir e temos de pegar táxi.

E como tudo isso é muito caro e as pessoas com deficiência e suas famílias, em geral, são vulneráveis socialmente o Sistema Único de Saúde tem por obrigação fornecer cadeira de rodas, órteses e próteses necessárias para sairmos por aí.dancing.gif
Quem me falou isso foi o fisioterapeuta do Hospital Sarah, onde faço tratamento de reabilitação. Ou seja, no popular ele disse “se você necessita de algo a mais para ser igual a todo mundo, nada mais justo do que parte dos impostos que você e sua família pagam sejam destinados a sua qualidade de vida.”
Ele também me explicou que a cadeira que eu estava utilizando era desproporcional para mim pois, como sou pequena e magra, a cadeira “brilhava” mais que eu… E quem deve brilhar sou eu porque ela é só um acessório...Ele também me falou que existem diferentes modelos é que a cadeira é como calça jeans, por exemplo, como uso 38, a cadeira também será tamanho 38. E que uma cadeira sob medida além de promover boa postura, evita dores nas costas e diminui o esforço na hora de tocar a cadeira.
Depois dessa explicação ele tirou as minhas medidas e me entregou uma receita para que eu pudesse solicitar minha cadeira.Bem, ao chegar em casa peguei meus documentos pessoais, meu cartão do SUS e a receita com todas as minhas medidas e fui solicitar a cadeira no Posto de Saúde do bairro. Lá foi um pouco complicado, porque o pessoal do posto era um pouco desinformado sobre esse assunto mas, a Agente Comunitária chamou a Assistente Social que veio dias depois à minha casa, levou minha documentação à Secretaria de Saúde do Município e depois de mais uns dias ela me informou que eu tinha que me deslocar até o  Centro de Referência em Reabilitação - CER (antigo Centro de Reabilitação Infantil- CRI), em Natal.
Ao chegar lá entreguei toda a documentação e fui informada que podia demorar.Eu naquele momento pensei como estamos no mês de janeiro e no Brasil tudo só funciona depois do carnaval provavelmente, em junho ou como se diz, aqui, no mês das fogueiras, das comidas de milho e das quadrilhas já estarei com minha cadeira.
Mas, junho passou, chegou o dia das crianças, Natal e o Papai Noel não trouxe minha cadeira. E olha que eu fui uma “minina” boa.InocenteEm janeiro de 2015 o encaminhamento fez um aninho com direito a bolo e vela para apagar.E meses depois descobri que outras pessoas também tinham solicitado uma cadeira de rodas e algumas delas já tinham apagado a vela dos dois aninhos.
Eu sempre ligava para o Centro de Referência em Reabilitação - CER (antigo Centro de Reabilitação Infantil- CRI), e eles falavam que ainda não tinha chegado, que houve um problema com a licitação e que eu tinha que aguardar.A última vez que liguei me falaram que havia chegado 1500 cadeiras de rodas e eu perguntei:“-Moça, a minha chegou?”
Ela pediu meus dados e falou que ia verificar. Enquanto eu aguardava já comecei a pensar num nome legal para colocar na minha cadeira.Mas, a moça ao voltar me disse: “-Minha filha sua cadeira, infelizmente, não veio.”Gente, aquilo foi um balde de água fria.Nervoso
Daí essa semana recebi por meio de um grupo no Whatsapp a seguinte notícia num blog:“O Centro Especializado em Reabilitação do Rio Grande do Norte (CER III), antigo CRI (Centro em Reabilitação Infantil/Adulto), começa nesta terça-feira (20), a partir das 8 h, a entrega das 70 primeiras cadeiras de rodas a pacientes de Natal que se cadastraram, na unidade, no período de 2012 a meados de 2014.O evento faz parte da programação da ‘Semana da Pessoa com Deficiência’.Ao todo, serão 1500 cadeiras [...] entregues [...] A SESAP montou uma estratégia de comunicação aos usuários através dos correios e contato telefônico [mas] está enfrentando dificuldades para localizar algumas pessoas contempladas[...]”
Já deu para perceber, né, que muitas dessas pessoas não serão localizadas, também muitas das cadeiras destinadas às crianças e adolescentes não servirão mais pois, eles cresceram.Ou seja, essa demora significa para mim e para muitos potiguares de certa forma a nossa prisão e exclusão social.
Isso porque uma cadeira adequada significa liberdade. Liberdade para irmos assistir aula, trabalhar, praticar esportes, namorar, viajar enfim viver. E por fim, mas não menos importante essa demora significa que muito dinheiro público está sendo jogado no ralo.
Daí, deixo as seguintes perguntas: Até quando uma pessoa com deficiência vai ter que adiar seus projetos de vida (estudar, trabalhar, viajar, namorar)? Quando seremos livres para sairmos por aí, usando nossas cadeiras de rodas? E quando o nosso dinheiro público será respeitado?

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