quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Por que a palavra superação foi substituída por adaptação nos Jogos Paralímpicos?


Gente amanhã (07/09/2016), acontecerá a abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Mas, diferente dos Jogos Olímpicos, quando a abertura narrou a história do Brasil, as Paralimpíadas terão como tema “O coração não conhece limites”.
Marcelo Rubens Paiva um dos diretores criativos do evento mencionou que o termo superação, e por consequência sua significação, foram substituídos pela palavra adaptação.Nesse sentido, que limites são esses mencionados no tema da cerimônia? E por que a palavra superação foi substituída por adaptação?
Uma forma de encontrarmos as respostas dessas perguntas é sabermos como a prática do esporte adaptado surgiu na vida das pessoas com deficiência? Como historiadora resolvi debruçar-me sobre alguns escritos que trazem a história dos Jogos Paralímpicos, bem como consultei alguns sites entre eles o do Comitê Paralímpico Brasileiro.
De acordo com a dissertação de Roseli Belmonte Machado, “[...]o primeiro registro de esportes que incluíram pessoas com deficiência, remonta ao ano de 1918, na Alemanha. Eram competições de tiro e de arco e flecha em que participavam soldados mutilados na primeira Guerra Mundial. O segundo registro[...] ocorreu em 1932 na Inglaterra, onde foi criada uma Associação de Jogadores de Golfe que possuíam um único braço”.
Mas, o início do esporte adaptado oficialmente se deu ao final da segunda Guerra Mundial quando muitos ex-combatentes voltaram para seus países de origem mutilados ou com lesões na coluna vertebral. Daí Roseli Belmonte Machado, afirmar que “[...] a grande expansão, de esportes para pessoas com deficiência ocorreu com base em uma das leis do mercado, a lei da oferta.” Nesse contexto muitos desses ex-combatentes eram enviados para um centro de reabilitação de Stoke-Mandevile, interior da Inglaterra.
Segundo José Carlos Morais, o neurocirurgião Ludwing Gutman teve “[...] a ideia de pôr pessoas que se locomoviam em cadeiras de rodas- num primeiro momento, 16 ex-combatentes das Forças Armadas Britânicas - praticando basquete e tiro com arco. A partir daí, a reabilitação por meio do esporte começou a se tornar conhecida em todo o mundo.” Nesse sentido, em paralelo aos Jogos Olímpicos de Londres no ano de 1948, aconteciam em Mondeville. Como nos lembram as autoras do artigo O voleibol sentado: uma reflexão bibliográfica e histórica, “[...] os jogos de Mondeville foram fundados para paraplégicos completos e incompletos, onde várias classificações possuem um padrão para especialistas determinarem onde cada atleta será classificado.”
Mas, foi no ano de 1952 que aconteceram os primeiros jogos internacionais e segundo  Roseli Belmonte Machado em “[...] 1960, os jogos para pessoas com deficiência passaram a acontecer na mesma cidade das Olimpíadas, porém sempre após os jogos Olímpicos já terem ocorrido.” A autora ainda destaca que os “[...] Comitês e Organizações [...] ‘regulam e controlam’ a participação ou não de atletas, países e modalidades esportivas. O principal deles é o Comitê Para[o]limpíco Internacional, com sede em Bonn, na Alemanha, o qual é representado pelos Comitês Para[o]límpicos Nacionais em cada país.”
No Brasil, o esporte adaptado surgiu no ano de 1958 com a fundação de dois clubes esportivos (um no Rio e outro em São Paulo). E apesar de nos últimos anos, o esporte adaptado ter evoluído o mesmo ainda é desconhecido por muitas pessoas com deficiência e sem deficiência graças ao preconceito e a carência de ações governamentais que auxiliem a real inclusão destas pessoas no seio da sociedade.
Segundo o site do Comitê Paralímpico Brasileiro os jogos Paralímpicos reúnem competições esportivas em 23 modalidades, mas algumas possuem uma subdivisão que passam por uma classificação médica e funcional.Nesse sentido como afirmou Roseli Belmonte Machado, pelo “[...] próprio fato de a   Comissão ser composta por profissionais da saúde, que avaliam as possibilidades físicas dos atletas, categorizando­, vai novamente remeter os Jogos ao  significante de doença e “superação”, isso porque os desportistas permanecem em  um lugar não esperado para eles”.
Desse modo, para a autora Roseli Belmonte Machado a palavra superação tem significados diferentes nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.No primeiro o atleta é visto, pensado e  “[...] narrado como aquele que supera seus limites de ser humano e se torna perfeito ou superior”. Já nas Paralímpiadas os atletas aparecem “[...] em um lugar que até então parecia estar vedado   para eles. Talvez esse seja um dos motivos que fazem com que as Para[o]limpíadas estejam no “jogo”, mas em um lugar desvalorizado, um lugar de outro, um lugar de anormalidade”.  

E aí, vocês entenderam o motivo do Marcelo Rubens Paiva ter substituído a palavra superação por adaptação? E vocês sabem por que os jogos Olímpicos não possuem a mesma visibilidade que os Jogos Paralímpicos? E por que os Jogos Paralímpicos não mobilizam um número considerável de elementos midiáticos?E quais suas expectativas para os Jogos Paralímpicos 2016? Conte para a gente!E não esqueçam de me acompanhar no Facebook// Instagram// Twitter

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