domingo, 4 de setembro de 2016

Sabrina Petraglia e os desafios de Shirlei: "Pouco se fala do preconceito com deficiente físico"

A atriz compara a personagem de 'Haja Coração' à Cinderela e conta que planeja se casar com o namorado, com quem vive um relacionamento à distância

Uma jovem doce, batalhadora, mas com a autoestima abalada pela deficiência na perna que a faz mancar. Não correspondida pelo homem por quem era apaixonada, ela se encanta pelo bom moço lindo e bem sucedido. O enredo com ares de conto de fadas tornou Shirlei (Sabrina Petraglia) uma das personagens mais queridas de Haja Coração. E surpreendeu sua intérprete.
“Muitos adolescentes estão me escrevendo, é um carinho muito bom. Principalmente para quem está começando na TV. Muito se fala do preconceito racial, sexual... mas pouco se fala do preconceito com deficiente físico”, conta Sabrina. Com longa trajetória no teatro, a atriz tinha se destacado até então como a Itália em Alto Astral. "Todo mundo torce pelo Felipe (personagem de Marcos Pitombo), o Zé Loreto (Adônis) está até chateado, diz que não está acostumado a ser rejeitado", entrega aos risos.
A preparação para a personagem fez Sabrina sentir na pele o que passam Shirleis Brasil afora. Ela caminhou usando uma botinha ortopédica pelas ruas de São Paulo e colecionou olhares curiosos. “Todo mundo olha. É impressionante, eu não estava acreditando. Queria que as pessoas não me vissem, queria ficar invisível. Depois eu fiquei com raiva”, lembra a atriz, que trocou São Paulo pelo Rio de Janeiro para a novela.
Enquanto se dedica à nova fase no trabalho, ela também planeja o casamento com o namorado, Ramón Velazquez, para quando ele voltar a morar no Brasil – há quase três anos ele se mudou para o Chile a trabalho e eles mantêm o relacionamento à distância. “Se eu não tivesse uma profissão que amo tanto eu já teria ido pra lá”, admite.
A boa fase na vida amorosa deve chegar para Shirlei também, que pode virar centro de um triângulo amoroso entre Felipe e Adônis. E para quem vai a torcida de Sabrina?
Confira o bate-papo!
- A torcida pela Shirlei e o Felipe é grande. Esperava por isso?
A história em si é muito boa, uma história de conto de fadas, quase uma adaptação de Cinderela. Achei que o pessoal ia gostar, que teria boa aceitação, mas não esperava que fosse tanta. Um pouco antes do Felipe colocar a botinha no pé dela a hashtag 'shirlipe' viralizou, levei um susto, nunca vivi isso. Estou surpresa e superfeliz. Muitos adolescentes estão me escrevendo, é um carinho muito bom. Principalmente para quem está começando na TV.
- O que as pessoas te falam?
As pessoas torcem para que ela seja feliz. Muito se fala do preconceito racial, sexual... mas pouco se fala do preconceito com deficiente físico. Converso com muitas Shirleis. Ela é muito batalhadora, o problema não a limita em nada. Ela sofre porque nunca beijou na boca e ela tem desejos femininos. Todo mundo torce pelo Felipe, o José Loreto está até chateado, diz que não está acostumado a ser rejeitado (risos). Pelo que a gente está recebendo agora (capítulos), acho que o Adônis vai começar a olhar a  Shirlei de um jeito diferente. Ela é a única pessoa que enxerga o lado bom que nem ele sabe que tem.
- E a sua torcida é para o Adônis ou o Felipe?
Eu amo os dois. Tanto o Loreto quanto o Marcos Pitombo são parceiros maravilhosos. Acho que pela história, ela teria que ficar com o Felipe, é o grande amor dela. Mas não tenho uma torcida declarada.
- Na sua preparação para a personagem você andou com botinha ortopédica pelas ruas de São Paulo. Como foi essa experiência?
Fiquei dois meses estudando com minha professora de preparação corporal, a Tica Lemos. Comecei a procurar grupos de deficientes, meninas que têm o mesmo problema e vi que muitas usavam sapatos adaptados. Mandei fazer uma botinha ortopédica e fui pra rua. A reação é a mesma: todo mundo olha. É impressionante, eu não estava acreditando. É real. Aí começaram a surgir os sentimentos da Shirlei. Primeiro eu queria falar que era atriz, o ego grita. Depois eu queria que as pessoas não me vissem, queria ficar invisível. Depois eu fiquei com raiva. Então fui aceitando. Eu estava com caderninho, fui anotando os sentimentos. Acho que colori a Shirlei com essa experiência.
- Que papéis você ainda sonha em fazer?
Quero bons papéis, não importa se for mocinha ou vilã. Tenho vontade de fazer uma vilã dissimulada, gêmeas, uma louca, uma drogada, essas coisas que me agregam. Estou muito feliz com a Shirlei porque, além da novela, estou em contato com um mundo que me tira do vazio do glamour. Tem uma coisa humana, gosto de personagens humanos. O que eu mais quero fazer são personagens com profundidade. As pessoas me escrevem histórias e mais histórias nas redes sociais, é esse retorno que me motiva. Estou muito sozinha aqui no Rio, decoro o texto e vou gravar. O que me aquece é esse contato com o público.
- Além de estar longe da família, você vive um namoro à distância, né? Como é?
Meu namorado mora no Chile, estamos há quase cinco anos juntos. Temos benefícios de passagem, então a gente se vê a cada 15 dias, mas ele pretende voltar para o Brasil pra gente construir uma família por aqui. Estamos há dois anos e oito meses nessa ponte área. Quando ele vier vamos casar. Acho que vai ser bem em breve, talvez ano que vem. Já passou da hora (risos). Se eu não tivesse uma profissão que amo tanto eu já teria ido pra lá, mas não consigo deixar o Brasil. Sempre fiz teatro, foi muito difícil, agora estou começando na TV, amo o que faço.
- Você sonha em ter filhos?
Sim. Graças a Deus a medicina está avançada e vou poder ter perto dos 40, porque agora não vai dar. Quero voltar para o palco porque acho que o palco me abastece. Quero focar nisso e no casamento.
- Você tem 33 anos, a Shirlei é bem mais nova, né?
Ela tem 24. Deus foi generoso comigo. Acho que por eu ser mignon e por usar protetor e não tomar sol no rosto há 12 anos, não aparento a idade que tenho, ainda posso viver personagens um pouco mais jovens. Estou numa fase da minha vida de agradecer muito. Ao Daniel Ortiz (autor da novela) por essa personagem, ele me viu muito no teatro e acreditou em mim. Ao Silvio de Abreu também por me deixar fazer a personagem que ele criou emTorre de Babel. Sou muito grata
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Fonte: Revista Caras

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