sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Um papo sobre inclusão, educação física e redes sociais com Marília Rodrigues

Gente, o período de reinício das aulas sempre faz com  que os professores fiquem ansiosos sejam eles “marinheiros de primeira viagem” ou veteranos. E essa ansiedade pode aumentar quando ele sabe que terá uma criança com deficiência na sua turma.
Para Marília Rodrigues, professora de Educação Física, seu primeiro contato com uma criança com deficiência foi muito difícil.Ele era um aluno surdo e com deficiência intelectual, e ela uma aluna do quinto período do curso de Educação Física e “[...] não tinha ideia do que fazer, não sabia Libras, não sabia qual comportamento ele teria durante a aula e [...] estava em uma piscina de 2,20m de profundidade e sem material”.
Todavia, o que ela não esperava é que a entrada desse aluno na sua vida se transformaria em um presente recheado de aprendizagem e visível nas suas aulas, cursos, atitudes e textos que ela escreve no seu blog Natal Acessível.Quer saber quem é essa professora e blogueira? Como ela superou esse desconforto e insegurança de lidar com alunos com deficiência? E o que a motivou criar um blog?Então, confiram a entrevista abaixo.
1. Quem é Marília Rodrigues?
Eita danado! Marília Rodrigues é uma mulher apaixonada pelo que faz, que encontrou na sua profissão uma missão de vida! Professora, nordestina e que não consegue para de trabalhar (olha a hora do email! kkk).
2. O que te inspirou a cursar Educação Física?
Na verdade, quando cursava o ensino médio, eu queria mesmo era cursar Fisioterapia, mas ainda não acreditava tanto no meu taco e achava que não passaria no extinto vestibular da UFRN, e aí, olhando a média de notas, achei que passaria para Educação Física, e assim fiz minha inscrição, mas como acredito que nada é por acaso, essa descrença em mim tinha um propósito, e somente no quinto período pude entender o porquê de ter ido cursar essa maravilha de curso!
3. Como surgiu seu interesse em trabalhar com pessoas com deficiência?
Então, eu estava exatamente no quinto período e ainda não tinha me encontrado no curso, entrei pensando em trabalhar com crianças, já estagiava com natação infantil, mas inda não era aquilo que me completava, faltava algo! Quando decidi trancar o curso, recebi uma ligação com vaga para atuar com natação para pessoas com deficiência, a princípio pensei em não aceitar, pois eu não sabia absolutamente nada sobre deficiência, mas pensei em tentar por ser uma área que eu não conhecia e seria mais uma tentativa de me encontrar no curso. Fui conhecer a Sociedade Amigos do Deficiente Físico do Rio Grande do Norte, e fui admitida como estagiária! O início foi muito difícil, me deram um aluno surdo e com deficiência intelectual, eu não tinha ideia do que fazer, não sabia Libras, não sabia qual comportamento ele teria durante a aula e eu estava em uma piscina de 2,20m de profundidade e sem material. Primeiro pensamento "O que eu vim fazer aqui?", mas encarei e foi conversando com o rapaz e seu cuidador que pude entender como seria a melhor forma de ensinar, e daí foram aparecendo alunos com síndrome de down, pessoas com lesão medular, sequela de poliomielite, mielomeningocele e a cada deficiência nova que chegava eu ficava mais motivada para estudar sobre e desenvolver a melhor forma de aplicar meus planos de treino! Esse desafio me transformou e quando pude perceber, já estava envolvida e não me via fazendo outra coisa, tinha achado um sentido para as minhas noites em claro estudando o movimento e desempenho humano, sempre com foco nas pessoas com deficiência. Isso já se passaram quase 10 anos e meu amor pelo que faço a cada dia só cresce!
4. Como professora de uma Universidade, como você avalia a questão do acesso de pessoas com deficiência no ensino superior?
A temática da inclusão educacional vem sendo muito discutida, mas a pauta da inclusão no ensino superior é algo mais jovem e podemos observar que ainda de forma tímida, as ações estão acontecendo não só para acesso, mas para permanência e diplomação  destes alunos! Leciono no centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNI-RN, e lá podemos observar um compromisso com a inclusão que parte desde o nosso Reitor e segue por todas as áreas da instituição, temos uma iniciativa muito bacana que é o Núcleo de Inclusão, ele fortalece a política de inclusão, além de dar suporte a comunidade acadêmica quanto a inclusão e acessibilidade, este núcleo também sou eu quem coordena, esta é mais um das minhas frentes de trabalho pelas pessoas com deficiência.
5. Como e quando surgiu a ideia de se tornar blogueira?
A partir do momento que me vi envolvida com a causa da pessoa com deficiência, ainda enquanto graduanda, estagiei e fui voluntária de algumas instituições de pessoas com deficiência aqui em Natal/RN, atuei desde a reabilitação até a preparação esportiva. Mas ao concluir o curso, no ano de 2010, me vi envolvida com muita coisa e sem nenhuma remuneração, E como nós sabemos da cobrança por um emprego após a formatura, fui trabalhar em uma academia, aonde eu fiquei no setor de avaliação física. Nossa! Foi o pior momento, pois tive que me afastar daquilo que mais amava e apesar de também gostar muito de avaliação física, aquele ambiente me incomodava porque eu contava nos dedos as pessoas que realmente estavam ali em busca de saúde e de qualidade de vida e para preencher esse vazio, criei o Natal Acessível, era a forma de me manter por dentro de tudo que acontecia, manter contato com as pessoas com deficiência, ajudar pessoas e realizar ações que fizessem me fortalecer enquanto profissional para que voltasse a trabalhar com o público que tanto amava. E assim, aconteceu!
6. Para você como é ser autora, no RN, de um blog cujo nicho são as pessoas com deficiência? E qual a sua visão sobre a blogsfera?
Não é fácil, moramos em um Estado, onde as pessoas ainda tem muito preconceito e dificuldade em enxergar as potencialidades das pessoas com deficiência. Mas acredito que essa é uma das nossas funções sociais, contribuir para que cada dia mais pessoas tenham conhecimento sobre a inclusão e acessibilidade, assim estaremos ajudando na transposição das barreiras atitudinais, as quais julgo serem as piores que as pessoas com deficiência tenham que enfrentar! A blogsfera hoje está muito dinâmica, rápida e concorrendo com a velocidade de informação que giram nas redes sociais, temos que ter muita inteligência em utiliza-la para que não se tornem diários obsoletos!
7. Que mensagem você deixa para os leitores do Blog?
Primeiro, gostaria de agradecer a possibilidade de falar um pouco sobre a minha trajetória e dizer que sim, é possível ter um mundo melhor, depende de cada um de nós, faça a sua parte e sempre ajude o próximo! Fazer uma sociedade inclusiva depende da participação de todo mundo, informe-se, divulgue e haja! E um segundo recado, sempre faca exercício físico, ele vai te dar energia e muitos benefícios que você nem imagina, não pense apenas na reabilitação, pense em mudar seu estilo de vida! Sempre que precisarem estou a disposição e não esqueçam, acessem o Natal Acessível sempre!
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Um comentário:

  1. Obrigado Claudinha por sempre compartilhar essas histórias de vida que nos motiva a superação de limites. Belíssima entrevista.

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