quarta-feira, 17 de maio de 2017

Por que a Lei de Cotas pode beneficiar seu bolso?

Você aí vivia suando a camisa, dando o seu sangue pela empresa e ajudando o patrão a enriquecer? Mas, a crise chegou e você teve que dizer bye bye emprego, bye bye salário, bye bye décimo-terceiro… Melhor parar por aqui.
Se te serve de consolo dos 45 milhões de pessoas com deficiência que estão em idade ativa, 54% estão fora do mercado de trabalho. Eu sei que você deve está duvidando de mim, afinal de contas a Lei de Cotas determina que as empresas com cem ou mais funcionários devem preencher de 2% a 5% dos seus cargos com reabilitados ou deficientes .
Então, meu amigo e minha amiga levantem as mãos para os céus e agradeça por fazer parte apenas do grupo dos desempregados, pois se a crise econômica é ruim para os trabalhadores sem deficiência para aqueles que apresentam algum tipo de deficiência ela pode ser extremamente prejudicial. Não dá pra fechar os olhos e fingir que está tudo bem. Não está. A Lei de Cotas é um mal necessário e isso é uma surra na cara da sociedade (por isso o Justin Bibber com olho roxo!).
Quer saber mais sobre essa Lei de Cotas? Por que foi criada? Por que apesar da existência da Lei tantas pessoas estão fora do mercado de trabalho? E por que ela é um mal necessário tanto para mim quanto para você? Então, continue lendo esse post.
Para que criaram essa Lei?
A Lei de Cotas nasceu no ano de 1991, mas só foi regulamentada no ano de 1999. Segundo João Ribas, Coordenador da área de Diversidade & Inclusão da Serasa Experian a Lei “[...] foi criada com o objetivo de dar oportunidade de trabalho e emprego a uma parcela da população brasileira que, em tese, teve historicamente essa oportunidade negada”.  
O Brasil possui hoje cerca de 380 mil deficientes contratados, mas esse número poderia ser maior. Segundo Cris Mendes, Administradora de Empresas com ênfase em Comércio Exterior,.”ainda há muitas questões a serem vencidas, muitas melhorias a serem implantadas e muitos paradigmas a serem quebrados”.As Pessoas com Deficiência ainda enfrentam o preconceito, a falta de qualificação e a dificuldade das empresas fazerem as adaptações para contratar as Pessoas com Deficiência.No tocante, ao preconceito ainda rola aquela dúvida se aquela pessoa vai dá conta do recado. Já no que se refere a qualificação temos algumas questões, que mencionaremos abaixo:
O que precisamos esclarecer quando o assunto é a qualificação dos funcionários?
A)As empresas alegam que há uma dificuldade em contratar PcD que estejam capacitadas para o cargo.Isso por causa de um problema muito mais profundo que só passou a ser pensado nas últimas décadas que é a falta de comprometimento da educação das pessoas com deficiência.
Segundo Priscila Cruz, membro do Movimento Todos Pela Educação (TPE), 20% das crianças de 4 e 5 anos estão fora da escola, há 98% de crianças matriculadas no 1º Ano do Ensino Fundamental, apenas 70% concluem o Ensino Fundamental II (até os 16 anos), desses só 50% concluem o Ensino Médio (até os 19 anos), apenas 20% entram na universidade e só 12% concluem a graduação.
E quando falamos dos alunos com deficiência a situação é bem mais complexa, pois conforme Luiz Fernando Toledo “o Censo da Educação Básica de 2016 mostra que a participação de estudantes com deficiência cai a cada etapa. Nos anos iniciais do ensino fundamental (1.º ao 5.º ano), 3% têm alguma deficiência – física e/ou intelectual. Nos finais, 2%. Já no ensino médio, essa taxa cai para 0,9%. Já no ensino superior, que não é obrigatório, há ainda menos alunos com deficiência: só 0,5% do total, segundo o Censo da Educação Superior mais recente, de 2015.”
B) Já esses 0,5% do total,mencionam que quando as empresas resolvem cumprir a Lei elas acabam ofertando todas as vagas de cotas apenas para cargos de baixa qualificação (caixa de supermercado, Serviços Gerais) o que deixa as pessoas com deficiência e que tem graduação e pós-graduação sem conseguir emprego em suas áreas. Falta um trabalho mais forte de conscientização de gerentes e profissionais de RH com relação ao potencial produtivo daqueles que fazem parte da sociedade brasileira.
C)Já algumas instituições como Associações de Pessoas com Deficiência que fazem a ponte entre as pessoas com deficiência e as empresas relatam que muitas vezes o gestor não está preocupado com a inclusão e sim com a multa. Daí elas chegam lá e dizem: “Eu preciso de uma pessoa com deficiência de preferência que seja uma deficiência leve.”
Um outro obstáculo que as pessoas com deficiência enfrentam é a falta de acessibilidade.Em alguns casos existe um custo elevado para fazer as adaptações, mas na grande maioria dos casos é possível buscar uma adaptação pontual, dentro do possível, dentro do porte econômico da empresa.
Assim, a edificação pode ser analisada para que haja uma acessibilidade necessária para permitir o acesso dessa pessoa.Uma das formas de solucionar esse problema é as empresas saberem na hora da contratação que adaptações o funcionário necessita como básico para exercer suas atividades laborais.
O que a Lei de Cotas traz para a nossa sociedade?
Não podemos deixar de mencionar que a inclusão também se dá do ponto de vista econômico.Nesse sentido, essa política social é também uma política de distribuição e redistribuição de renda para as PcD. Segundo, Jaques Haber “com a geração de renda, esse grupo passa a consumir avidamente, já que possui muitas carências, desde elementos essenciais, como o acesso a questões de saúde, até a concretização de desejos não tão de primeira ordem, como a compra de tablets e smartphones, por exemplo.Com a renda, as pessoas com deficiência passam a circular mais e isto enseja maior convivência com pessoas sem deficiência, o que desperta a atenção para oportunidades de se criar mais produtos, serviços e ambientes que atendam às necessidades específicas dessa parcela da população.".
Tudo na realidade das pessoas com deficiência muda quando ela tem a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho, se antes o ambiente de convivência se restringia no máximo à família e aos limites da rua, depois, se conhece um mundo repleto de novas ideias,  novas pessoas.
A deficiência deixa de ser vista como um todo da pessoa e passa a ser encarada como uma parte insignificante na sua vida, e isso faz com que as pessoas com deficiência resgatem sua autoestima, sejam reconhecidas pela família e amigos; passem a pertencer um grupo social.
E por fim, não podemos deixar de mencionar que o ingresso de pessoas com deficiência no mercado de trabalho representa menos pessoas na fila do INSS,menos pessoas disputando a necessidade de serviços de saúde pública, ou seja, menos gastos para os cofres públicos.
E aí, o que achou do post? Você, empresário já tinha pensado na Lei de Cotas por esse ângulo? E você que não é empresário, mas é vendedor, garçom, mecânico, médico, dentista já percebeu que a Lei de Cotas também poderá te beneficiar, né?!
Então aperte no botão curtir, compartilhe com os amigos e ajude a espalhar a inclusão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário