domingo, 10 de setembro de 2017

Decidir comprar ou decidir poupar: o que difere uma coisa da outra?


Você já parou para pensar por que é tão comum a gente ouvir falar de alguém que comprou algo por impulso, mas nunca de ninguém que tenha feito um investimento por impulso? Não vale vir com a resposta “porque é mais fácil consumir do que poupar” – isso até é verdade, mas não ajuda a entender muita coisa.


A explicação vem do campo das finanças comportamentais, área que mescla economia e psicologia para buscar entender porque agimos como agimos quando o assunto é dinheiro. O fato é que tomar uma decisão de consumo pressupõe análises mentais – inconscientes, muitas vezes – bem diferentes das que são necessárias quando precisamos tomar uma decisão de poupança.
Como assim? Ao escolher se vamos ou não comprar alguma coisa, ou se vamos ou não economizar certa quantia, estamos todos sujeitos a um viés de comportamento cientificamente chamado de “desconto hiperbólico”. “Atribuímos pouca importância aos benefícios a que teremos acesso apenas no futuro. Preferimos dar um valor maior aos prazeres que estão próximos”, explicou, em artigo, o economista Aquiles Mosca, autor do livro Finanças Comportamentais. “De forma inconsciente, valorizamos mais o presente do que o que está por vir”. Em palavras simples, como explica a professora Cláudia Yoshinaga, da FGV e da Fecap, temos dificuldade para lidar com prazos. “Em especial, com o longo prazo”, diz.
Fazendo um esforço para imaginar os seres humanos mais primitivos, não é difícil entender as origens do desconto hiperbólico – é algo quase instintivo. Quem é que pode, afinal, ter a certeza de que estará vivo amanhã para usufruir do que deixou de consumir hoje? Um experimento clássico sobre o assunto ficou conhecido como o “teste do marshmallow”. No experimento, pesquisadores oferecem um marshmallow a crianças e lhes dão duas opções: elas tanto podem comer o doce na hora, quanto esperar para comer 15 minutos depois. Se esperarem, serão recompensadas com mais um marshmallow. As imagens dos pequenos diante da guloseima dão uma ideia de como é difícil adiar o prazer – mesmo que seja apenas por alguns minutos.
A ciência também aponta para outras características importantes relacionadas ao comportamento de poupar. “Estudos de neurociência mostram que o ato de guardar dinheiro ativa a mesma região do cérebro usada quando se dá dinheiro para uma pessoa estranha”, explica a professora de psicologia econômica Vera Rita Ferreira. “Em outras palavras, nosso eu futuro é decodificado pelo cérebro como se fosse uma pessoa qualquer, e não nós mesmos”. Eis aí mais uma razão pela qual é tão difícil convencer a nós mesmos de que é importante poupar – ainda que, racionalmente, saibamos disso.
Formalmente, em economia, o termo poupança costuma ser definido como o “sacrifício do não consumo”. E é por isso que precisamos de um bom estímulo para economizar – ou seja, é por isso que exigimos juros. Mesmo assim, para muita gente, os juros nem sempre são vistos como uma recompensa suficientemente atrativa. “Por isso, definitivamente, a decisão de guardar dinheiro demanda um apelo racional muito maior do que a de gastar”, diz Claudia.

Há algumas formas de driblar esse comportamento irracional que permeia nossas decisões sobre dinheiro. A principal é, na medida do possível, adiar o consumo e automatizar o processo de poupança. Do ponto de vista do consumo, imagine-se em frente à vitrine de uma loja que expõe exatamente o produto que você tanto deseja. O simples fato esperar meia hora antes de adquiri-lo dá tempo e margem para a reflexão: a compra é realmente necessária? Muitas vezes descobre-se que não. Na hora de investir, que tal programar transferências mensais automáticas de recursos da sua conta para um fundo de investimentos? É um jeito fácil de transformar o ato de poupar em uma quase obrigação. Boa sorte!
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Fonte: Como Investir?

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