sábado, 21 de outubro de 2017

Após acidente enfermeira obstetra acompanha partos em cadeira de rodas

Melissa ao lado de parturiente durante contrações (Foto: Juliana Matos)
O dia 15 de outubro de 2016 ficará para sempre marcado para a enfermeira obstetra Melissa Martinelli, 39. A caminho de mais um plantão, ela sofreu uma acidente com a moto que pilotava. Assim que era socorrida pela ambulância do Samu, percebeu que havia algo errado: já não sentia mais as pernas.
Assim que ouviu do médico que não voltaria mais a andar, Melissa, que é mãe de dois, só pensava em duas coisas: “Como ia entrar na igreja com meus filhos quando eles casassem e como atenderia o parto das minhas gestantes”, relata a enfermeira obstetra que há 11 anos atende gestantes. Ela conta que receber o diagnóstico, perdeu o chão. “Aquela notícia tirou minha alma, foi como se a minha alma tivesse saído do meu corpo. Eu só chorava e o meu médico falava para eu ficar calma, que conseguiria trabalhar atendendo pré-natal, mas não é o que queria. Senti que morri nesse dia”, conta.

Foram 19 dias de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e mais 32 dias internada no hospital para iniciar o tratamento de reabilitação. Ela conta que enquanto esteve hospitalizada, toda a reabilitação foi feita voltada para que ela pudesse atender partos  o mais rápido possível.
E assim foi feito. Três meses após o acidente, ela voltou a atender suas pacientes. “Primeiro acompanhei alguns partos com a minha sócia, que é uma grande parceira, irmã de alma e que muito me ajudou até que estivesse pronta para atender o primeiro parto sozinha sendo a parteira principal”, diz Melissa.
A enfermeira obstetra conta que não foi nada fácil chegar até aqui. Foi preciso muita mudança em toda a sua rotina. “Tudo mudou. Precisei me reinventar ao me ver em uma cadeira de rodas. Tive que adaptar o meu carro para dirigir, meu consultório, minha casa, e também me readaptar para acompanhar os partos. Também não ando mais de moto, que era o meu lazer, e tive que me adaptar na academia pois agora uso os aparelhos de forma diferente.”
Melissa também faz fisioterapia diariamente, acupuntura e tratamento com uma psicóloga que, segundo ela, tem ajudado muito a superar as dificuldades e fraquezas que muitas vezes aparecem. “O mais difícil também foi  saber que eu não poderia estar de pé para abraçar meus filhos e meu marido e que não poderia mais segurar de pé minhas pacientes quando elas precisassem”, diz Melissa, que é mãe de Rayssa, 21, e Taoã, 10. “Tem momentos que fico pensando que podia ter passado mais tempo com minha família, difícil pensar que podia ter feito mais antes do acidente”, relata, emocionada.
Melissa, que mora em Brasília (DF), atende partos domiciliares e trabalha na casa de parto São Sebastião, que atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Ela também é uma das proprietárias da Casa Humaniza, uma casa de parto particular que funciona na cidade.
Apesar dos médicos não darem muita esperança sobre se vai voltar a andar, a parteira não perde as esperanças. “Alguns médicos falaram que só o tempo poderá dizer se voltarei a andar, que é um processo, que leva tempo. Tenho muita fé e acredito que vou voltar a andar. Sou a menina dos olhos de Deus e ele não pisca para mim”, afirma.
Melissa diz que todos os dias após o acidente têm sido um aprendizado. “Só sabemos como somos fortes quando precisamos ser fortes. Aprendi que a resiliência é o ato de se transformar, de se reinventar diante de um forte trauma, a ter paciência e é isso que busco dia a dia”, diz.
Sorridente e com uma força que sabe lá de onde vem, Melissa diz que não vai desistir de seus sonhos. “Deus não coloca algo impossível dentro do seu coração que ele não consiga realizar. O universo dá o que a você atrai. Ninguém deve desistir de seus sonhos”, diz a parteira. Ela é enfática e tem uma única certeza nessa vida: “vou voltar a andar. Levar meus filhos de pé até o altar e ainda vou ajudar muita gestante a agachar no parto”, diz a parteira.
Os primeiros cento e quinze from Juliana Matos on Vimeo AQUI.
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