sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

As alegrias e dores de ser mãe e psicológa com Paralisia Cerebral

Vocês acham que as mulheres com deficiência  podem ter e ser tudo que quiserem? Dá para ser mãe com Paralisia Cerebral? Que obstáculos uma mulher com Paralisia Cerebral enfrenta diariamente como mãe e profissional? Como está sendo a vida de Carolina, que tem Paralisia Cerebral, depois da chegada da Alice?E aí, curiosos para conhecê-la? Então, vejam a entrevista abaixo.
1- Quem é Carolina Câmara de Oliveira?
Carolina, é Carol, que adora rir, ficar com a família e amigos... É mulher, psicóloga e agora mãe!!!!
Fui criada para correr atrás dos meus objetivos. Meus pais nunca deixaram eu ser vitima, sempre me fizeram ter consciência da minha deficiência, paralisia cerebral, que muita coisa seria e são mais difíceis, no entanto nada é impossível!!!!!!

2-Fale-nos sobre sua deficiência e como você, seus pais, familiares e amigos a “digeriram”?
Ah, eu já tive muita raiva da paralisia cerebral, pois não é fácil ter uma deficiência, principalmente a paralisia cerebral, que é pouco conhecida, isso gera muitos mitos, muitas inverdades, ocasionando mais preconceito, ignorância. E aí, dificulta a nossa vida,  então, muitas vezes já fui ignorada, tratada como incapaz, como criança. Mas hoje, já lido melhores com tudo isso e com a deficiência.
Aprendi a me impor diante das pessoas, mostrar quem eu sou, que a paralisia cerebral, faz parte da minha vida, mas ela não sou eu!!
Meus pais, foi difícil no início claro, não é fácil receber um diagnóstico desse.. Eles foram atrás para entender o que era a paralisia cerebral e dos tratamentos que eu precisava. Com o tempo, perceberam que eu podia ser uma criança comum, como o meu irmão mais velho. Sempre buscaram os melhores tratamentos, mas também sempre fizeram questão que eu fosse uma criança comum, com uma infância saudável e assim foi com cada etapa da vida.
Família, sempre tem de tudo! Gente que apoiavam meus pais em tudo, achavam eles incríveis, a educação, a criação, a força, a coragem, a dedicação, o amor!! Já outros, criticavam, achavam que eles estavam iludidos, que que era um absurdo meus pais querem que eu tenha uma vida comum.
Meu irmãos são demais, para eles e h tudo muito simples e normal.
Os amigos, início ele tem um certo receio para me ajudar, fazem tudo com muita delicadeza, mas com o tempo, vou mostrando que não precisa de todo este cuidado… E aí, eu escuto de muito deles, quando eles pegam segurança em mim, que esquecem que eu tenho uma deficiência!!
3- Como foi sua infância e adolescência?
Minha infância foi linda!!! Eu pouco notava a minha diferença para as outras crianças. Eu tenho um irmão mais velho que a nossa diferença de idade é de 1 e meio, isso fez muita diferença, pois éramos muito ligados,  então ele naturalmente me inclua em todas as brincadeiras.
A adolescência foi mais difícil, fui percebendo a minha deficiência. Tinha amigos, tinha o meu irmão sensacional, saíamos, mas não era tão fácil para mim algumas questões, como se relacionar com outra pessoa. Aqui, eu preconceito, a discriminação!!!
4-Fale um pouco de como foi sua vida escolar e acadêmica.
Na escola eu tinha uma pessoa que me acompanhava.ela fazia toda a parte de escrita, porque eu consigo escrever, isto é, não tenho coordenação motora para pegar uma caneta. Então eu ia ditando e ela ia escrevendo..
O único problema que tive na época, era encontrar escola, pois quasar nenhuma escola aceitava um aluno com deficiência.
Na faculdade, eu decidi que ia ficar sozinha, não queria mais uma pessoa do meu lado, queria liberdade, fazer tudo do meu jeito. No início, foi bem difícil, pensei em desistir, mas com o tempo fui fazendo amizades e ficou tranquilo. Eu comecei a usar carbono, para ter as anotações das aulas, cada aula uma pessoa colocava o carbono e aí eu tinha as anotações.
5-Por que você escolheu Psicologia? E como o mercado de trabalho a recebeu?
Por que Psicologia?? Sinceramente, não sei!! Eu queria Direito, prestei vestibular em algumas, porém em uma universidade, a minha deu a ideia de tentar Psicologia, gostei da ideia. Quando acabei esta prova, tive uma sensação boa e falei que se passasse ia fazer...
Foi amor a primeira visita!! Agradeço a minha mãe!!!
O mercado de trabalho ainda não me aceitou!!! No entanto ainda tenho esperança, sei que sou capaz e muito boa profissional, mas o mercado só olha para a paralisia cerebral..
Então atualmente dou palestra sobre inclusão e a paralisia cerebral.

6-E a vinda da Alice foi planejada ou foi uma gestação “surpresa”? E como foi sua gestação?
Eu sempre sonhei em ser mãe!!!!
Então não tem como dizer que foi surpresa, mas claro que quando descobri foi uma mistura de sentimentos. Primeiro, porque há cinco anos eu perdi um bebê com 9 semanas de gestação, para mim foi horrível.. Na época, o meu médico falou que dificilmente eu conseguiria levar uma gravidez até o fim e se caso eu conseguisse, teria que ser em repouso absoluto, seria uma gravidez de risco. Fiquei um tempo me cuidando para não engravidar, tinha muito medo de perder novamente.
O tempo foi passando, o medo foi diminuindo e a coragem junto com a vontade foi tomando conta de mim e voltei a tentar!!!
Ao contrário do que o médico disse, a minha gravidez foi sensacional, tranquila, não tive que ficar de repouso, minha vida seguiu normalmente!!!!! Mudei de médico, a minha médica foi incrível, uma brilhante profissional e um ser humano iluminado!!!!!
7- Você enfrentou alguma espécie de desconfiança dos outros sobre a capacidade de ter,  cuidar e educar uma criança?
Claro!!! E ainda sofro!!! Meus pais me ajudam 100%, aí o que tem de gente que falam que eles ganharam mais um filho, que começaram tudo de novo, eu do lado, o pessoal pergunta da Alice para os meus pais! Eu ainda não sou respeitada como mãe!!!
8-Que mudanças positivas e negativas a maternidade trouxe para você?
Negativa, acho que o fato de ainda não ser respeitada como ma!! Tá sendo difícil me impor, cansa e o pior tem doido demais.
Positivo, tudo! O amor é uma coisa louca!! Ela é linda, parece que sabe, se adapta com uma facilidade! A vida ganhou sentido....
9-Como é o quarto de Alice? Você precisou fazer alguma adaptação? E como são essas adaptações?
Alice dorme comigo, porque ainda moro na casa dos meus pais, espero um dia sair, ter a nossa casa!!!
A adaptação que fiz, foi colocar o berço colado na minha cama, assim eu tenho acesso a ela com facilidade.
10- Você postou uma foto no seu facebook, na qual relata que está bem adaptada usando uma almofada de amamentação da FOM. Você também está adaptada nos quesitos banhar, trocar fraldas e ninar a Alice?
Não tem como eu dá banho, quem dá é a minha mãe, eu até participo… Fralda, eu ainda não troquei, mas acho que com o tempo, vou trocar um xixi, ai acho que vou conseguir fazer na cama.
Agora, vou começar a testar o Sling, que a Alice mais perto de mim.
Uso a Fom para amamentar, também amamento na cama....
Faço a Alice dormir no carrinho, no berço, fazendo carinho e no peito.
Uma adaptação que eu, mas ainda não sei como, é para colocar para arrotar, gostaria muito de fazer isso!

11- Que mensagem você deixa para os leitores e leitoras desse blog?
"Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz”
E aí, gostaram da Carolina? Desejam conhecê-la melhor? Bastam seguir seu Blog Um sonho a mais não faz mal, seu Facebook Carolina Câmara de Oliveira e Instagram @carolcamarao .
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