domingo, 16 de setembro de 2018

Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência: por que ainda precisamos lutar?

Gente, dia 21/09/2018, vai ser comemorado mais um Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Essa data foi sancionada no ano de 2005 pela Lei Nº 11.133, entretanto, já era celebrada desde o ano de 1982, por iniciativa de movimentos sociais. 
Essa data  foi escolhida porque está próxima do início da primavera (23 de setembro) e coincide com o Dia da Árvore, datas que representam o nascimento das plantas, as quais retratam o sentimento de renovação das demandas em prol da cidadania, inclusão e participação plena na sociedade.Mas, pelo que lutam as pessoas com deficiência do século XXI? E quem deve continuar lutando? 
Muita gente pensa que ter uma  deficiência, determina a pessoa uma desgraça contínua, faz com que a pessoa viva com raiva e com uma sensação de vazio por não conseguir fazer algumas coisas como: a moça cega que não pode ler todos os livros que deseja, o sobrinho cadeirante que não pode subir no telhado para ajeitar a antena da televisão da Tia Cocota. 

Como faço parte do time das pessoas com deficiência, falo com propriedade  que isso tudo é café pequeno se comparado com a peleja diária que é de encontrar uma calçada sem buracos, ônibus com plataformas elevatórias e empresas que aceitem essas pessoas no seu quadro de funcionários. 
Luciano Amato nos lembra que conforme dados do “[...] IBGE, o Censo de 2010 demonstrou que o Brasil tem uma população de 190 milhões de habitantes e destes 23,9% (45 milhões) com alguma deficiência, 60% em idade economicamente ativa, ou seja, teoricamente 27 milhões de pessoas com deficiência em condições de trabalho. 

De acordo com pesquisa da UNICAMP, 6 milhões de pessoas têm perfil para compor a Lei de Cotas que, se cumprida integralmente, empregaria 1 milhão de pessoas com deficiência, porém, o Brasil cumpre apenas 27% da cota, ou seja, temos 5 milhões e 700 mil pessoas com deficiência disponíveis para uma recolocação dentro dos quesitos da Lei de Cotas. Além disso, anualmente, 10 mil pessoas adquirem alguma deficiência”. 

Para ter uma ideia, mais precisa, do efeito econômico disso, no ano de 2013, foi feita uma pesquisa com 506 pessoas atendidas por um projeto social do Instituto Mara Gabrilli.Desse total 64% estavam desempregadas e 75% disseram que a renda por pessoa da família é de 1 salário mínimo.  
As empresas alegam que há uma dificuldade em contratar PcD que estejam capacitadas para o cargo. Isso por causa de um problema muito mais profundo que só passou a ser pensado nas últimas décadas que é a falta de comprometimento da educação das pessoas com deficiência. 

Segundo Priscila Cruz, membro do Movimento Todos Pela Educação (TPE), 20% das crianças de 4 e 5 anos estão fora da escola, há 98% de crianças matriculadas no 1º Ano do Ensino Fundamental, apenas 70% concluem o Ensino Fundamental II (até os 16 anos), desses só 50% concluem o Ensino Médio (até os 19 anos), apenas 20% entram na universidade e só 12% concluem a graduação. 

E quando falamos dos alunos com deficiência a situação é bem mais complexa, pois conforme  Luiz Fernando Toledo “o Censo da Educação Básica de 2016 mostra que a participação de estudantes com deficiência cai a cada etapa. Nos anos iniciais do ensino fundamental (1.º ao 5.º ano), 3% têm alguma deficiência – física e/ou intelectual. Nos finais, 2%. Já no ensino médio, essa taxa cai para 0,9%. Já no ensino superior, que não é obrigatório, há ainda menos alunos com deficiência: só 0,5% do total, segundo o Censo da Educação Superior mais recente, de 2015.” 
Já esses 0,5% do total, mencionam que quando as empresas resolvem cumprir a Lei elas acabam ofertando todas as vagas de cotas apenas para cargos de baixa qualificação (caixa de supermercado, Serviços Gerais) o que deixa as pessoas com deficiência e que tem graduação e pós-graduação sem conseguir emprego em suas áreas. Falta um trabalho mais forte de conscientização de gerentes e profissionais de RH com relação ao potencial produtivo daqueles que fazem parte da sociedade brasileira. 

Já algumas instituições como Associações de Pessoas com Deficiência que fazem a ponte entre as pessoas com deficiência e as empresas relatam que muitas vezes o gestor não está preocupado com a inclusão e sim com a multa. Daí elas chegam lá e dizem: “Eu preciso de uma pessoa com deficiência de preferência que seja uma deficiência leve.” 

Um outro obstáculo que as pessoas com deficiência enfrentam é a falta de acessibilidade.Em alguns casos existe um custo elevado para fazer as adaptações, mas na grande maioria dos casos é possível buscar uma adaptação pontual, dentro do possível, dentro do porte econômico da empresa. 


Então, meu amigo e minha amiga se a crise econômica é ruim para os trabalhadores sem deficiência para aqueles que apresentam algum tipo de deficiência ela pode ser extremamente prejudicial.  

Não dá pra fechar os olhos e fingir que está tudo bem. Não está. E essas pesquisas são uma surra na cara da sociedade (por isso o Justin Bibber com olho roxo!). 
Agora que você sabe um pouco mais dessa realidade como podemos solucionar esses problemas? Para ajudar a combater esses números é preciso uma ação conjunta da sociedade. Cada um assumindo a sua responsabilidade. 

Para isso, é preciso que o governo torne as cidades acessíveis, supervisionem os centros de educação e as empresas para que cumpram a lei. 

Também as empresas devem fazer a sua parte para isso é preciso que as mesmas assumam a qualificação destes profissionais em suas bases, da mesma forma como, o fariam para uma pessoa sem deficiência; mapear as funções existentes, de modo a torná-las acessíveis possibilitando que pessoas com deficiência possam ocupar qualquer vaga existente na empresa. 

E por fim, Dollores Afonso convidou Gustavo Cerbasi para que ele desse algumas dicas para que as pessoas com deficiência possam também fazer a sua parte e daqui a alguns anos possamos contar outra história.  


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