quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O plano de desfudência financeira da Denise Ferreira

Muita gente não sabe mas, em 2016 eu resolvi falar sobre finanças nesse blog. Porque anos antes fui conversar com a gerente do banco e falei que eu queria começar a poupar todos os meses, e ela me ofereceu o título de capitalização. E eu pensando que ela era minha amiga e estava pensando na segurança do meu lindo dinheirinho, aceitei a oferta e passei a aplicar todos os meses uma quantia.  
Parece mentira mas, foi no dia que eu resolvi resgatá-lo com o propósito de reformar e adaptar meu banheiro é que eu descobri que o título de capitalização é um “roubada total”. No primeiro momento eu coloquei a culpa no banco, na gerente e no governo que permite que o banco faça isso. Mas, logo percebi que ficar culpando os outros não ia evitar que eu cometesse outros erros financeiros.Daí me comprometi comigo mesma a estudar sobre finanças e logo cheguei a algumas conclusões como: 

Além de deficiente eu também era totalmente descuidada com o meu dinheiro (não anotava meus gastos, não olhava meu extrato, não pedia descontos e confiei piamente na gerente do meu banco); 

Na nossa vida tudo está relacionado a dinheiro;

Dinheiro ainda é um assunto tabu; 

As próprias peculiaridades das pessoas com deficiência impactam no bolso; 
  
E logo me veio a ideia de disseminar a importância do assunto educação financeira no blog. Daí quando escrevi o texto Quanto tempo você precisa para comprar uma cadeira de rodas? recebi muitos comentários negativos. Também  tentei fazer parceria com outros blogs escritos por e para pessoas com deficiência, mas quando falo que um dos meus objetivos no blog é  tratar com serenidade e sem nenhum tipo de preconceito o assunto finanças com as pessoas com deficiência para que possamos ter uma vida financeira mais consciente e independente. Daí o/a outra(o) blogueira(a) diz que a ideia é legal, mas antes precisamos lutar pela acessibilidade nos espaços públicos, educação inclusiva, que a lei de cotas seja respeitada etc.  
E eu me sentia como um extra-terrestre até o dia em que eu postei lá no meu Instagram que eu estava participando do #DesafiodaRiqueza e uma moça cadeirante comentou: “Cláudia ando bem assustada, porque tenho todas as despesas da casa, tenho que pagar empregada. Sou funcionária pública, mas não ganho a fortuna que a imprensa gosta de alardear.” 
  
E logo começamos a conversar e a convidei para ela contar aqui no blog como anda seu tratamento contra a dinheirofobia. Palavra inventada pela jornalista Nathália Arcuri para se referir à dificuldade que a maioria da população brasileira possui para falar e encarar o dinheiro e os assuntos relacionados ao universo das finanças.  
  
Quer saber um pouco mais sobre a Denise? Quanto custa por mês sua deficiência (salário de cuidadora, medicamentos, sonda, manutenção e/ou compra de cadeira de rodas? ) Que dicas ela dá para uma pessoa com deficiência, que recebe um salário mínimo do BPC, ser capaz de cuidar melhor do seu dinheiro e por extensão ter uma qualidade de vida melhor? Então, vejam a entrevista abaixo. 
  
  
1-Quem é a Denise Ferreira? E qual sua deficiência? 
Tenho 42 anos e moro em Porto Alegre. Nasci com mielomeningocele 
  
2-Como foi sua infância e adolescência? 
Até os 4 anos de idade fiz 12 cirurgias. Fiz todo o ensino fundamental sem precisar passar por nenhuma cirurgia. Também tenho o ensino médio completo. Considero que minha infância foi mais feliz, já na adolescência comecei a experimentar a solidão, pois na época, minhas colegas começaram a namorar. 
  
3-Qual seu nível de instrução escolar? 
No momento estou fazendo uma faculdade semi-presencial na Uniasselvi, para conseguir um acréscimo no meu salário. 
  
4-Como foi sua vida escolar e acadêmica?  
Consegui cursar uma escola regular porque meus pais lutaram por mim, porque se dependesse do diretor da escola de ensino fundamental, eu iria para uma escola especial. Atualmente meus colegas de faculdade me dão muito apoio, pois os tempos são outros, e há muito mais informação sobre pessoas com deficiência. 
  
5-Qual a sua profissão?  
Sou funcionária pública federal há 20 anos. 
 
6-Na sua opinião, como é ser uma pessoa com deficiência num país no qual a pessoa trabalha em média 05 meses por ano para pagar impostos  e nada tem em retorno (acessibilidade, transporte público de qualidade, saúde pública, educação etc.)?  
Na minha opinião, as políticas públicas para pessoas com deficiência precisam melhorar bastante. O custo de vida de uma pessoa com deficiência é muito alto, todos os equipamentos como cadeiras de rodas manuais e motorizadas também têm um custo de manutenção muito elevado. 
  
7-Você teve educação financeira quando criança? 
Meus pais sempre foram muito econômicos e na adolescência, eu era considerada "pão dura", pelas minhas colegas...rs 
  
8-Em algum momento da sua vida, o vírus silencioso da dinheirofobia se instalou no seu cérebro?  O que esse vírus causou e/ou causa e quais os sintomas? E como você trata esse mal? 
Acho que estou me livrando dele agora, que comecei a estudar mais sobre educação financeira, e formas de investir o dinheiro. 
9-Você sabe, em média, quanto custa por mês sua deficiência (salário de cuidadora, medicamentos, sonda, manutenção e/ou compra de cadeira de rodas? ) 
Pago uma cuidadora e a maioria dos materiais para o cateterismo consigo no posto de saúde, com exceção dos sacos coletores de urina descartáveis. Tomo um medicamento para a incontinência urinária que custa cerca de R$ 50,00 por mês. 

10-Conforme o estudo Fear Factor, da Universidade de Cambridge, nós humanos temos três grandes medos: 1)Falar em público; 2) Da morte; 3) Do futuro financeiro. O que você tem feito a respeito do seu futuro financeiro? 
No final do ano passado conheci o canal "Me poupe", canal da Nathália Arcuri, e estou colocando para investir meu dinheiro numa corretora de Valores. 
  
11-Que coisas você já deixou de fazer ou de comprar por não ter dinheiro? E que sensações você sentiu? 
Me considero uma privilegiada nesse aspecto, pois minha queixa maior é da falta de acessibilidade dos locais turísticos. 
  
12-Você compra cadeira de rodas nova  a vista ou a prazo? Pesquisa as melhores lojas custo X benefício?  Pede desconto? 
A última cadeira motorizada que comprei foi à vista, pois havia um bom desconto. 
  
13-Que dicas você daria para uma pessoa com deficiência, que recebe um salário mínimo do BPC, ser capaz de cuidar melhor do seu dinheiro e por extensão ter uma qualidade de vida melhor? 
Aconselho que a pessoa não deixe de investir achando que tem pouco dinheiro, pois existem investimentos com valor inicial de R$35,00, com rendimento superior ao da poupança. Também é importante ter uma reserva de emergência. 
  
14- Quais seus objetivos para 2019? 
Adoraria fazer um Cruzeiro 
  
15- Que mensagem você deixa para os leitores desse blog? 
Não pensem em dinheiro como um "bicho papão", invistam e sejam felizes. 
  
Obrigada, Denise pela oportunidade de poder falar um pouco do que você anda fazendo, dos seus sonhos e do seu projeto de desfudência financeira. 
  
E você faça como a Denise, se permita, eliminar o vírus da dinheirofobia e construa seu próprio projeto de desfudência financeira. Para isso,  aprofunde os seus conhecimentos em finanças, aprenda a fazer um orçamento inteligente e transforme o modo como o seu cérebro funciona por meio do curso Mentalidade Financeira. 
Aproveite essa oportunidade e comece a fazer parte da comunidade das pessoas que prosperam, realizam e fazem acontecer.Para isso, comece clicando AQUI para ter acesso a aula Sabedoria Financeira é totalmente gratuita! Basta se cadastrar.  
  
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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Conheça a história da primeira consultora financeira que usa Libras no Brasil


Você sabia que existem aqui no Brasil quase 10 milhões de pessoas que não escutam ou escutam parcialmente? Pessoas surdas, assim como qualquer outra pessoa possuem suas singularidades, possibilidades e interesses. Existem surdos que necessitam de legendas, existem aqueles que para entenderem uma mensagem necessitam de janela de tradução para LIBRAS e por último, não existe apenas uma língua de sinais. 
Conforme os irmãos surdos, Andrei Borges e Tainá Borgesnão tem muitos intérpretes de Libras na televisão ou em outros lugares, como escolas, palestras e eventos. E a gente não tem muitas escolas bilíngües que são boas para os surdos. Se você buscar na internet ou até em livros, você encontra ótimos conteúdos sobre Libras. Mas falta um lugar para a gente poder compartilhar o nosso dia a dia e os nossos interesses, que são os mesmo que os dos ouvintes. Para Tainá, a internet é uma das ferramentas mais importantes para ter contato com a comunidade ouvinte.” 

Ainda conforme uma pesquisa realizada pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) revelou que cerca de 62,6 milhões de brasileiros terminaram 2018 com alguma conta atrasada e com o CPF negativado. Ou seja, não conseguiram honrar suas parcelas e passaram a dever muito mais.Diante dessa realidade Thaisa Durso teve a ideia de dar consultoria financeira pessoal voltada para a comunidade surda.

Curiosos para saberem como surgiu essa ideia de dar consultoria financeira em Libras? O que faz uma consultora financeira pessoal? E que benefícios as pessoas terão ao contratarem uma consultoria? Essas e outras perguntas fiz a Thaisa. 
 
1- Quem é Thaisa Durso? 
Criadora da página de finanças @poupecomestilo, mãe, casada, bancária e consultora financeira.  

2-Fale-nos sobre a sua deficiência.E como você, seus pais, familiares e amigos entenderam, essa condição humana? 
Sou deficiente auditiva, com perda severa a profunda bilateral. Minha deficiência sempre foi compreendida por eles.  
Compartilho essa frase que diz tudo:  
“Todos têm a mesma necessidade de amar e serem amados, de aprender, partilhar, crescer e experimentar, que qualquer outro. Não existem mundos separados. Existe apenas um mundo.”  

3 -Como foi sua infância e adolescência? 
Minha infância e adolescência foram maravilhosos. Cresci numa cidade pequena (Nova Friburgo/RJ) cercada de família e amigos que me deram todo o amor do mundo.  
4-Fale um pouco de como foi sua vida escolar e acadêmica.   
Alguns amigos, colegas e professores foram pacientes e compreensivos comigo.  Quando eu tinha dúvidas, eles me explicavam ou me passavam matérias resumidas. Às vezes eu levava um gravador pra aula e, em casa, minha mãe ouvia e anotava os conteúdos para mim.  

5- Qual a sua profissão? Como o mercado de trabalho a recebeu?  
Bancária. Foi em 2008 quando recebi um anúncio de vaga do banco para PCD. Mandei um currículo e logo me chamou. Naquela época tinha feito cursos profissionalizantes e depois iniciei o curso superior de Administração a distância. Me formei em 2014.  
6- Conte-nos sobre seu perfil no Instagram “Poupe com Estilo”? Como, quando e o que te motivou a criá-lo?  
Em 2015 fui contratada para trabalhar em uma agência do banco. Percebi que alguns clientes eram deseducados financeiramente. Procurei estudar educação financeira para que pudesse ajudá-los. Por meio da internet, conheci Gustavo Cerbasi, Nathália Arcuri, Mirna Econômica, Rafael Seabra...aprendi tanto com eles que decidi criar, em agosto/2017, uma página de finanças @poupecomestilo com o objetivo de difundir a educação financeira pelo Brasil.  

7- Quando você descobriu que estava grávida do José Pedro você já estava preparada financeiramente? E que dicas de planejamento você dá para aquelas mulheres que estão pensando engravidar e/ou já estão grávidas? 
Sim, estava preparada financeiramente. Minhas dicas são:  
  • ⇨ Faça um planejamento financeiro antes e após a licença maternidade. Haverá muitas despesas como alimentação e vitaminas, despesas médicas, troca de vestuário para acomodar a barriga, os preparativos do enxoval e para o quarto de bebê, babá, creche, etc.  
  • ⇨ Diminua ou corte alguns gastos como cosméticos, roupas, frequência de jantares fora, por exemplo, quando somados já rendem uma boa economia.  
  • ⇨ Tenha uma reserva de emergência para imprevistos.  
  • ⇨ Crie uma lista de itens essenciais e pesquise MUITO os preços em diferentes lojas, tanto presenciais como onlines 
  • Existem grupos, apps e sites para troca e venda de fraldas, roupas de bebê, higiene, etc. Procure se informar, o seu bolso agradece. 

8- Que  mudanças positivas e negativas a maternidade trouxe para você? 
Depois que me tornei mãe, certas coisas passaram a ter outro valor, prioridades mudaram e eu também mudei.  
Não tenho mais aquele tempo livre ou sono regular de 8 horas, mas aprendi a ter mais paciência, empatia, reconheço melhor os meus erros ...e o melhor de tudo é amar incondicionalmente o meu filho.❤
9- Você recentemente começou a dar consultorias financeira em Libras. O que faz uma consultora financeira pessoal? E que benefícios as pessoas terão ao te contratarem?  
O meu serviço de consultoria financeira é pessoal e personalizada, voltado para atender as necessidades dos clientes. Ajudo eles a organizar, planejar e controlar as finanças, livrar-se de dívidas, fazer sobrar dinheiro, economizar, poupar e investir corretamente e planejar a aposentadoria.  

10-Segundo dados do último censo existem 45 milhões de Pessoas com Deficiência, 1/4 da população brasileira, 29 milhões de PcD (entre 15 e 59 anos) estão em idade apta para trabalhar, o  segmento é formado por 42% de pessoas das classes A e B, 44% da C e 14% das classes D e E e cerca de 11,6 milhões de pessoas com deficiência estão fora do mercado de trabalho dependendo da família ou de benefícios do governo, recebendo o valor de um salário mínimo que pode ser pequeno uma vez que a deficiência exige gastos extras (remédios, equipamentos, tratamentos, cuidadores). Nesse sentido, como economizar no dia a dia? Como poupar dinheiro para o futuro sem abrir mão dos desejos e necessidades do presente mesmo ganhando tão pouco?  
Mesmo ganhando pouco, é possível poupar uma parte do salário para o futuro por meio do planejamento financeiro. Se quer atingir os objetivos mais rápido, procure uma forma de aumentar as receitas por meio da qualificação profissional, renda extra, etc.  
11-Como alguém pode contratar os seus serviços de consultoria financeira pessoal?  
Preencher um formulário das perguntas que está no meu perfil pessoal do Instagram @thaisadurso ou entrar em contato por e-mail thaydurso@gmail.com 

12- Que mensagem você deixa para os leitores do Blog? 
Não desistem dos seus sonhos e objetivos. Com planejamento, foco e persistência, você pode ir muito além do que sonhou.💗 

Libras para profissionais na área de saúde
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